
Se a energia flui de uma certa maneira, seguir o fluxo da energia é, para eles, ser funcional. Função é, portanto, o denominador comum através do qual os xamãs encaram os fatos energéticos de seu mundo cognitivo. Eu já citei este trecho de A erva do diabo em outra postagem.
O mundo cognitivo dos xamãs do México Antigo registra unidades que são os fatos energéticos. Percebidos, são eles que dão informações sobre a realidade. Elaborados, eles permitem teorizar e generalizar, criando uma ciência do mundo invisível que pode predizer e explicar fenômenos, permitindo que eles se orientem funcionalmente na existência.
A função pedagógica da dor e do prazer
Dor e prazer são fatos energéticos, antes de serem sensações humanas. John Pierrakos diz que a dor sinaliza a fragmentação da integridade do ser humano. Acontece quando o fluxo de energia é bloqueado dentro do organismo (...). Quando a corrente flui sem impedimentos, produz a sensação e a experiência do prazer. A dor é produzida por uma rigidez, bloqueio ou contração que interrompe ou inibe o fluxo de energia.
Se o intento do universo é aumentar a consciência, a função da dor e do prazer é despertá-la. A percepção subjetiva e objetiva da dor e do prazer, aliada à certeza de que eles começam e terminam em nós mesmos, nos ensinam sobre nossa forma de fluir ou não na realidade, bem como sobre a melhor forma de funcionarmos. Lembro de Calunga dizendo "Se está doendo, é porque está errado."
Pierrakos não exagera ao afirmar que Reich é o precursor de uma nova era em que poderemos esperar construir uma síntese universal do conhecimento. (Energética da essência, p. 51) Uma epistemologia dos estados alterados que leva a uma epistemologia dos fatos energéticos.







