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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Dor e prazer como percepções do cognoscente


Se a energia flui de uma certa maneira, seguir o fluxo da energia é, para eles, ser funcional. Função é, portanto, o denominador comum através do qual os xamãs encaram os fatos energéticos de seu mundo cognitivo. Eu já citei este trecho de A erva do diabo em outra postagem.
O mundo cognitivo dos xamãs do México Antigo registra unidades que são os fatos energéticos. Percebidos, são eles que dão informações sobre a realidade. Elaborados, eles permitem teorizar e generalizar, criando uma ciência do mundo invisível que pode predizer e explicar fenômenos, permitindo que eles se orientem funcionalmente na existência.
A função pedagógica da dor e do prazer
Dor e prazer são fatos energéticos, antes de serem sensações humanas. John Pierrakos diz que a dor sinaliza a fragmentação da integridade do ser humano. Acontece quando o fluxo de energia é bloqueado dentro do organismo (...). Quando a corrente flui sem impedimentos, produz a sensação e a experiência do prazer. A dor é produzida por uma rigidez, bloqueio ou contração que interrompe ou inibe o fluxo de energia.
Se o intento do universo é aumentar a consciência, a função da dor e do prazer é despertá-la. A percepção subjetiva e objetiva da dor e do prazer, aliada à certeza de que eles começam e terminam em nós mesmos, nos ensinam sobre nossa forma de fluir ou não na realidade, bem como sobre a melhor forma de funcionarmos. Lembro de Calunga dizendo "Se está doendo, é porque está errado."
Pierrakos não exagera ao afirmar que Reich é o precursor de uma nova era em que poderemos esperar construir uma síntese universal do conhecimento. (Energética da essência, p. 51) Uma epistemologia dos estados alterados que leva a uma epistemologia dos fatos energéticos.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A mãe que tenho sido


Não é por causa da data comercial que estou escrevendo isso, mas por andar lendo Maturana (Emoções e linguagem na educação e na política) e, mais ultimamente, por rever um pouco de Winnicott associado às idéias do Maturana.
Pessoalmente, com a ajuda de meus filhos adolescentes, venho tentando entender algo que tenho tentado ser há quase 22 anos: o que é ser uma boa mãe, uma mãe suficientemente boa.
Acho que já fui mãe em muitas situações na vida: de filhos, livros, ex-parceiros, alunos, projetos, amigos em dificuldades... Talvez eu nem saiba não sê-lo. (Não deve ser à toa que me senti "gravidíssima" no ritual xamãnico - rs.)
Uma curiosidade sobre esse meu lado maternal: Um dia, uma psicanalista que participou de um dos FORMARES em Jundiaí disse que a Sandra e eu agíamos ali freqüentemente como mães. Ela inclusive notou que um dos gráficos que usávamos na exposição da metodologia era informalmente chamado de "sutiã da Madonna" - que tem a ver com sensualidade e amamentar ao mesmo tempo, não é? Mas a idéia do FORMARE era mesmo a de dar suporte ao educador para fazer experimentações pessoais que lhes permitissem a segurança de agirem sozinhos, posteriormente. E isso funcionou bastante.
***
Comentando a matéria de capa da Época de 13/04/09, escrevi outro dia que o amor não tem medida, quanto ao máximo. (O texto vai sair na Universo Espírita 66.) Mas refletindo depois, percebi que a bondade tem de ter um mínimo suficiente. Pra ser eficiente.
Eu creio que deveria ser boa o bastante pra acalentar meus bebês quando precisassem do meu calor, mas não por tanto tempo a ponto de prendê-los, nem segurá-los tão apertado a ponto de sufocá-los. Talvez fosse isso que eles considerassem excessos e confundissem com excessos de amor, na chamada de capa. Isso, porém, seria possessividade.
Também entendo que deveria ser perceptiva o bastante para não deixá-los cedo demais entregues à própria sorte e aos próprios cuidados, o que seria negligência.
Isto seria a medida do suficiente? Talvez...
Pode parecer que é fácil ser sufucientemente boa. Não exige capacidade sobre-humana, só suficiente. Contudo, a suficiência é a mais exigente, a mais difícil das medidas. A suficiência é um meio termo entre extremos de falta e exagero. E o desafio é, na prática, saber achar esse meio termo.
Aceitam-se opiniões.

sábado, 14 de fevereiro de 2009




Outra hora eu falo dela...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Como praticar uma educação viva?


Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar, em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido. Não desejava viver o que não era vida, a vida sendo tão maravilhosa, nem desejava praticar a resignação, a menos que fosse de todo necessária. Queria viver em profundidade e sugar toda a medula da vida, viver tão vigorosa e espartanamente a ponto de pôr em debandada tudo que não fosse vida, deixando o espaço limpo e raso; encurralá-la num beco sem saída, reduzindo-a a seus elementos mais primários, e, se esta se revelasse mesquinha, adentrar-me então em sua total e genuína mesquinhez e proclamá-la ao mundo; e se fosse sublime, sabê-lo por experiência, e ser capaz de explicar tudo isso na próxima digressão. (Trecho de Walden, ou a vida nos bosques)


Essas palavras, pra mim, valem por um manifesto que eu assinaria. Viver e vida são palavras que, juntas, foram usadas nada mais e nada menos que 10 vezes nesse trecho. (Um "10" pra quem liga ou é um "pitagórico".)

Bem, partindo disso, uma das coisas que andei meditando, em torno de Thoreau, é o seguinte: como "sugar toda a medula da vida" entraria num projeto pedagógico?

O simples e adorável livro de Yvonne Berge, Viver o seu corpo, me mostrou algumas respostas, mas ainda não avançou o bastante. O Emílio, de Rousseau, ajuda maravilhosamente...

Bem, a pedagogia que vislumbro a fim de que a criança se perceba viva e apta a sugar seiva da vida, seguindo os princípios do Walden, é uma pedagogia:


  • que apresente a vida como a grande e infinita dádiva que temos para usar do jeito que quisermos;

  • que mostre que existem em nós e na sociedade padrões internos que afirmam a vida e outros que a negam, e que escolhemos sempre qual dos dois apoiamos, recebendo as conseqüências;

  • que ajude a perceber que a harmonia e a beleza fazem parte de uma vida satisfatória, por isso é importante cultivá-las dentro de si e em torno de si.

O que isso teria a ver com uma proposta pedagógica espírita? Tudo! Viver é perceber-se corpo, o que afinal decorre da compreensão espírita do processo reencarnatório, que implica em estar ligado a todas as células dele. Mas quanto de fato nos sentimos assim? Qual nosso grau costumeiro de consciência corporal, de mobilidade, de saúde física geral?

Uma proposta de educação do corpo e do movimento tb não nos leva só ao outro extremo, da atividade constante. Como em tudo o que é sábio na vida e na Natureza, há que se chegar a um equilíbrio. Como na vida!

Fazer > sentir > refletir > escolher > transformar = vida!
ou
Refletir > escolher > fazer > sentir > transformar = vida!

Depois vou escrever mais...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Conexões: entre Calunga e Reich


Vá além das convenções do mundo, das suas noções de certo ou errado, de bom e ruim, e olhe as coisas como são, e não pelas classificações. (Atitude de Reich na ciência e na vida.) Eu não sou bom nem ruim, nem sábio, nem ignorante, no fundo de nós ninguém é católico ou espírita, João ou Pedro, preto ou branco, homem ou mulher, encanador ou bancário ou médico. No fundo de nós, cada um é só a sua verdade (a minha realidade onde eu sinto, minha objetividade-entre-parênteses, e não a verdade que eu penso possuir e imagino que o mundo deve aceitar como boa pra todos, a objetividade-sem-parênteses) , e se eu mostro a minha e você mostra a sua, a gente não tem por que não se entender. (Trecho de Mestre de Mim Mesmo, de Calunga; parênteses vermelhos de Rita.)
***
Não sou nem cristão, nem judeu, nem maometano, mórmon, homossexual, polígamo, anarquista ou membro de seita secreta. (Reich e Calunga, tão perto, né?!)
Faço amor com a minha mulher porque a amo e a desejo e não porque tenha um certificado de casamento ou para satisfazer as minhas necessidades sexuais.
Não bato nas crianças, não vou à pesca e não mato veados nem coelhos. Mas não atiro mal e gosto de acertar no alvo.
Não jogo brídge, não dou festas com o fito de divulgar as minhas teorias. Se o que penso é correto divulgar-se-á por si próprio.
Não submeto o meu trabalho às autoridades oficiais de saúde, a não ser que elas possam entendê-lo melhor do que eu. E sou eu quem decide quem pode manejar o conhecimento e as particularidades da minha descoberta.
Observo estritamente o cumprimento das leis quando fazem sentido, e luto contra elas
(o que não é simplesmente ignorar, nem transgredir) quando obsoletas ou absurdas. (Não corras já para o presidente da Câmara, Zé Ninguém, porque se ele for um homem decente faz o mesmo.).
Desejo que as crianças e os adolescentes experimentem com o corpo a sua alegria no prazer tranqüilamente
(se os adultos não os enfiarem em salas de aula bolorentas cheias de pó de giz, pode ser um bom começo).
Não creio que para ser religioso no sentido genuíno da palavra seja necessário destruir a vida afetiva e tornar-se crispado e encolhido de corpo e de espírito.
Sei que aquilo a que chamas «Deus» existe, mas de forma diferente da que pensas: é a energia cósmica primordial do Universo, tal como o amor que anima o teu corpo, a tua honestidade e o teu sentimento da natureza em ti ou à tua volta.
(E a verdade dele continua... A gente se entende...) (Trecho de Escuta, Zé Ninguém!, de W. Reich; parênteses vermelhos de Rita)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Conexões: sobre teorias científicas


Relatos observacionais, resultados experimentais e enunciados “factuais” ou contêm pressupostos teóricos ou os afirmam pela maneira em que são usados. (...) Assim, nosso costume de dizer que “a mesa é marrom” quando a contemplamos em circunstâncias normais, com nossos sentidos em boas condições, mas “a mesa parece marrom” quando as condições de iluminação são deficientes ou quando nos sentimos inseguros a respeito de nossa capacidade de observação, expressa a crença em que há circunstâncias familiares nas quais nossos sentidos são capazes de ver o mundo “como ele realmente é”, e outras circunstâncias, igualmente familiares, em que eles são enganados. Expressa a crença de que algumas de nossas percepções sensoriais são verídicas, ao passo que outras não. (Paul Feyerabend, em Contra o Método)
***
Encarada do ângulo da vida sem couraça (Reich já intuia a "objetividade entre parênteses" do Maturana), a teoria científica é um ponto de apoio no caos dos fenômenos vivos (biologia do conhecer, Reich idem). Serve, por isso, ao objetivo de uma proteção psíquica. Não há muito perigo de que se seja tragado por esse caos, quando se classificaram nitidamente, se catalogaram, se descreveram - e por isso se pensa haver compreendido (grifo meu) - esses fenômenos. Dessa maneira, é até mesmo possível dominar cer(como se deseja isso, em ciência!) certa porção desse caos. Isso me trazia um consolo muito pequeno (a mim tb). (W. Reich, em A função do orgasmo; parênteses vermelhos por Rita)

sábado, 1 de novembro de 2008

Para uma pedagogia do movimento

O homem é uma unidade psicossomática. Toda a orientação do trabalho [proposto neste livro, ver título abaixo] dependerá, pois, da qualidade e da profundidade da noção que o professor possa ter desta unidade. Não lhe bastará concebê-la ao nível do espírito, ser-lhe-á necessário vivê-la. Isso lhe proporcionará uma visão global de seus alunos e lhe permitirá captar as informações transmitidas pelo mínimo gesto, o modo de estar, o ritmo, o que o capacitará a adaptar para cada aluno um comportamento pedagógico que tenha em conta os dados psicológicos assim revelados.
(Yvonne Berge, em Viver o seu corpo - para uma pedagogia do movimento, Ed. Compendium)

Esse livro é mto lindo e simples, bem o tipo de coisa q me agrada mto. Ele fala de "descobrir-se, libertar-se, desenvolver-se", "retomar um contato natural, hamonioso com os outros, com a natureza". É tão óbvio q, depois de perceber como funciona, fica mto difícil pensar diferente. Me acompanha:

Consciência das sensações > consciência dos sentidos > consciência corporal > consciência do sentir > consciência do meu sentir > consciência do sentir do outro > sensibilidade.

A educação intelectual faz um outro caminho, eventualmente ele nos torna mais sensíveis, mas não como objetivo do processo pedagógico. Qual sua opinião?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O lugar da educação segundo o Espiritismo


O professor de pedagogia pode estar muito distante de ser um professor pedagógico. (...) A distinção insuficiente entre capacidade teórica e prática em matéria educativa , representa um papel essencial no problema da preparação do mestre. [grifos nossos] (...) Alcançamos isso ao falar de Pestalozzi como educador do povo. Então pensamos (...) no educador ativo, que por sua capacidade especial não faz senão consagrar sua vida à ação pedagógica. Assim, encontramos na própria natureza do educador como na do homem que, não somente influi no ser de seus semelhantes ou sucessores, criando neles determinados valores culturais, como também possui, ainda, uma certa inclinação de sentido prático para mantê-los em atividade. Talvez pudéssemos pensar em encontrar a imagem pura da alma do educador, levando a cabo uma análise da incomparável personalidade de Pestalozzi, sua vida e suas obras. (Trecho de A alma do educador e o problema da formação do professor, de Georg Kerschensteiner)


Kerschenteiner, um dos autores citados por Herculano Pires em seu Pedagogia Espírita, foi um discípulo de Pestalozzi que muito compreendeu de seu pensamento.

Não se duvida d q a educação precisa de teoria e prática, e personalidades mais inclinadas a um ou outro tipo de atuação. Ultimamente, por exemplo, tô me sentindo mais teórica, o q não quer dizer q amanhã não comece a colocar em prática, entre educadores ou entre crianças e adolescentes, o q tenho escrito.

Mas na mistura de coisas q creio importantes de serem compartilhadas aqui, uma delas é q o perfil do educador espírita não carece de diplomas universitários nem de distinções acadêmicas, como pode muitas vezes parecer. Quem precisa desses títulos é esse mundo do presente, que queremos ver um dia dar lugar ao mundo do futuro, onde os princípios pedagógicos e morais exemplificados por Jesus de fato aconteçam. Pestalozzi não cursou a universidade.

A formação do educador espírita, primeiro, precisaria obedecer à sua vocação. É muito triste ver um professor que não tem nada a ver com crianças ou idéias pedagógicas dando aulas só pelo salário, triste para ele e para os alunos. Por outro lado, tenho encontrado pessoas q depois de se dedicarem por muito tempo a uma profissão burocrática ou ao comércio, revelam uma profunda compreensão dos problemas e caminhos para uma educação melhor e mais efetiva, e começam a trabalhar nisso como voluntários. Não fizeram faculdades, no entanto disponibilizam sua cabeça, seu coração e suas mãos, e parecem saber naturalmente o que fazer.

Não estou menosprezando a universidade. O Espiritismo pode ter um lugar na universidade? Claro, por que não?! Mas ele precisa necessariamente desse lugar? Duvido.

A universidade representa um modelo antigo de fazer educação, com resultados questionáveis. Representa o triunfo da teoria sobre a prática. Representa freqüentemente aquilo q nós espíritas queremos ver superado por outras formas de prática pedagógica, por uma educação ativa, afetiva, natural, que leve em conta intelecto, sentimento e habilidades. Querer fazer pedagogia espírita na universidade, como ela está configurada hj, é o mesmo q querer fazer medicina espírita num hospital convencional. Ora, a medicina espírita não precisa de bisturis, suturas, medicamentos, equipamentos hospitalares e pode ser praticada onde haja vocação, conhecimento e boa-vontade. O mesmo se aplica à educação segundo o Espiritismo.

domingo, 26 de outubro de 2008

Educação alternativa?

Ontem participei de um encontro em torno da Pedagogia Waldorf. Um grupo de mães se encontrou para conversar sobre a possibilidade de criar um jardim Waldorf em Jundiaí, numa casa simplesmente deliciosa, e fomos lá, o Beto e eu.
Gostei
Uma das primeiras coisas de q gostei foi o conceito de começar na casa de uma professora ou de uma mãe, pq um dos grandes, mas talvez não o principal, empecilho para a concretização da proposta da escola espírita em Jundiaí esbarrou no (ou se abalroou com o) problema do espaço físico em si ou do seu custo de manutenção.
Bem, um sonho pra acontecer no mundo precisa de um onde e um quando, né? Só q talvez estejamos tão apegados a uma visão de um "onde" como sendo um prédio próprio, q não estamos enxergando outros caminhos. Eu diria q a escolha de cooperar com o trabalho já desenvolvido no
Lar Anália Franco pode ter sido um dos possíveis caminhos, embora à distância eu não possa falar com mais propriedade sobre isso. Alugar a casa onde funciona o Espaço Amor em Ação, onde tb funciona a Academia de Crianças, pode ter sido outro.
Pensenti
Mas tem uma questão anterior que me deixou pensando e tava conversando com o Beto sobre isso. É ouvir as próprias pessoas falarem da sua proposta pedagógica deixando escapar frases que mostram o quanto elas se sentem "alternativas" em seus projetos.
Bem... tradicional, Waldorf, espírita, seja qual for a pedagogia escolhida, ela pode ser vista como uma alternativa entre várias equivalentes. E não é esse o sentido de que quero falar.

Quero falar sobre enxergar "o outro" como "principal" e o seu como "alternativo". O fundamento pra isso não é lógico, é psicológico. A meu ver, é um medo de não seguir a maioria e das consequências.
Em outros mundos possíveis, porém, aquilo que a pedagogia espírita propõe, por exemplo, pode ser aceito pela maioria, enquanto o que se pratica hoje, uma educação voltada para o intelecto e o mercado de trabalho, poderia ser a alternativa. E consigo pensar em mundos assim como bem reais.
Pense: o que se quer dizer quando, ampliando o leque, advoga-se uma terapia alternativa, uma medicina alternativa ou uma educação alternativa? Escolha uma das alternativas - rs:
( ) - Olha, nós somos pessoas que acreditam em algo diferente do que está por aí e estão se propondo a provar que pode funcionar. Estamos pedindo ao mundo uma chance.
( ) - Nós temos excelentes razões para acreditar que nossa visão e nosso trabalho são tão bons quanto qualquer outro - até melhor em muitos aspectos -, e apenas estamos em menor número no momento. Nós temos lido outros livros, diferentes do que a maioria lê. Temos nos reunido pra conversar. Temos experimentado e obtido resultados. E temos certeza do caminho que escolhemos. Não estamos tentando provar nada, pois já estamos suficientemente certos do que pensamos e queremos.
Perguntei ao Beto se o que ocorre às vezes não é o receio de abandonar um pensamento da maioria em favor daquilo em que realmente acreditamos como uma visão de educação tão profunda, séria, responsável e fundamentada quanto a outra.

Metodologia
E seguindo o raciocínio, pergunto agora se também não se teme fazer essa educação espírita que revoluciona um paradigma sem seguir os métodos e procedimentos da educação tradicional. Porque não vamos fazer isso no the old-fashioned way. Isso posso garantir. E se eu tinha alguma dúvida, o Formare mostrou que não. Os depoimentos de participantes e os reflexos que observaram em suas práticas foram nossa melhor recompensa.
A educação do jeito antigo chama de "probleminha" uma situação de uma criança que de fato precisa ser melhor vista e compreendida como Espírito inteligente apegado a certos condicionamentos existenciais dos quais só se livrará se for encarado nos olhos com afeto verdadeiro, por um mestre consciente de sua função.
Não por um educador tradicional que acredita em espírito e reencarnação mas não vivencia as implicações dessa crença em seu trabalho.
A educação espírita, ou faz diferença, ou não faz sentido.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Educação afetiva, ativa, natural


A Função do Orgasmo chegou pelo correio e comecei a ler. Ainda não tenho impressões pra compartilhar. Não se trata de aceitar td que ele tá dizendo da maneira que tá dizendo. Mas certas coisas fazem absurdo sentido.

É mais fácil exigir disciplina e impô-la autoritariamente do que ensinar as crianças a sentir prazer no trabalho independente e a assumir uma atitude natural diante da sexualidade. É mais fácil declarar a si mesmo um Führer onisciente enviado por Deus, e decretar o que milhões de pessoas devem pensar e fazer, do que se expor à luta do choque de opiniões entre a racionalidade e a irracionalidade. É mais fácil insistir na satisfação legal do respeito e do amor do que conquistar a amizade por meio de um comportamento bondoso.

Será que tô sonhando (filósofos sonham, segundo o Beto - rs), ou estou ouvindo ecos de Pestalozzi aqui? Porque eu leio e, com exceção da parte da sexualidade que o pensador suiço não abordou diretamente, o restante me parece o retrato da prática educacional de Stans, que tanto ele próprio qto Marc-Antoine Jullien descrevem. Mas mesmo na sexualidade, Reich fala em naturalidade, um dos princípíos básicos da educação segundo Pestalozzi: Educação afetiva, ativa, natural.

Pestalozzi queria uma educação para a cabeça, coração e mãos.

Então! Reich abre o livro com a seguinte declaração: O amor, o trabalho e o conhecimento são as fontes de nossa vida. Deveriam também governá-la.

Amor, coração; trabalho, mãos; conhecimento, cabeça. Me diz se tô sonhando...

domingo, 19 de outubro de 2008

"Foi bom pra vcs?"


A frase da Rosana, dirigida ao público, após a minha palestra hj cedo na Seara Bendita em Sampa, tava bem no espírito do post Eu sou foda?. Pensei que não ia curtir fazer, porque não ando mais mto a fim de falar de "crianças índigo". Sinto que já disse td que queria sobre isso. Mas o debate acabou sendo mto legal e eu curti, especialmente porque não fui lá pra ser dona da verdade, mas para apresentar informações e expor meu ponto de vista, colocá-lo em discussão.

Foi bom pra mim, e a partir daí tô pensentindo a falta de gozo na vida. Tô pensentindo o que aprendemos sobre prazer que nos afasta dele.

Essa semana foi pesadona pra mim, mas não sem prazer. A matéria de capa da Universo Espírita 59 teve todos os indícios de ser uma encomenda dos Espíritos. Tô acostumada a lidar com isso no meu trabalho de escritora e, se o assunto até me deixou meio mal, por um lado, por outro lado AMEI ter participado dela. Tô exatamente agora ouvindo uma música maravilhosa, do Apocalyptica, o que multiplica meu tesão de escrever.

Tô pensentindo que o apego a estereótipos desconecta a gente do prazer de viver. Por exemplo, por que não posso ter um orgasmo fazendo uma palestra, dançando uma música ou vendo um pôr-do-sol? Acredito que a gente se programa pra certos prazeres esperados e anunciados na mídia, na cultura, e fica impermeável a outros porque não se permite penetrar no momento apenas, sem pensar, sem esperar, apenas sentindo.

Até na sedução e no sexo, mto se perde do tesão. Tem um lance com as pessoas que não abre espaço pra trazer de dentro o que sentem meeesmo vontade de fazer com o parceiro, e faz atender a modelos em lugar de ser si mesmas. Então ficam fazendo gestos de carinho que são vazios, ou caras e bocas sexies, pra dizer que tão querendo a outra pessoa. Mas isso vem de fora na maioria das vezes e é viver um modelo aprendido culturamente em lugar de ir buscar no fundo da gente o que se sente e deseja.

E vc, o que sente?

domingo, 12 de outubro de 2008

Trair o próximo como a si mesmo

Vc tem medo do prazer ou da raiva que sente? Ou não admite que sente nada disso?
Negar impulsos de prazer e raiva tb cria o mesmo tipo de couraça de que eu falei antes, no post Relaxar e Gozar. Tô falando das vezes que, numa festa, vc quis mto dancar mas não foi por medo do ridículo, ou do quanto se esforçou pra não brigar com alguém e passou meses xingando a pessoa internamente, agindo como se tudo estivesse normal.
Como a gente vive numa comunidade de seres que idolatram o intelecto e freqüentemente negam o corpo, parece que não tem problema algum "socar" (como diria o Calunga) tudo lá pra dentro e fazer de conta que não existe. Posar de pessoa normal e centrada, só que com algumas "manias" esquisitas, inofensivas ou nem tanto.

Aprendi mto sobre td isso no Formare, conversando com a Sandra e fazendo os exercícios. O Formare funcionava assim: a gente dispunha (digamos) de 3 horas pra tratar de metolodogia. Metade ou, às vezes, mais da metade desse tempo era usada pra ajudar as pessoas a se soltarem, se mexerem, se tocarem, se observarem, sentirem a si mesmas. Isso podia acontecer por meio de um jogo de expressão corporal, uma dança, qqer coisa que fizesse mudar o registro da experiência, sair do racional e entrar mais em vc ao mm tempo que sente mais o outro e o meio.
Quando se permitem (nada é obrigatório), as pessoas nessa dinâmica se percebem rígidas e contidas. E a partir daí, soltar-se é uma vivência mto intensa, pois equivale e uma nova percepção de si. Reconhecer-se um ser inteiro e, não somente uma "ervilha chacoalhando dentro de uma vagem", como diz a Costello.
Segurar-se é desconfiar de si mesmo. É tratar-se como um bicho a ser confinado. Se fazemos isso conosco, que problema tem fazer o mesmo com as galinhas de granja e as vacas de leite?
Negar-se é trair-se. E pra quem trai a si mesmo, qual o problema de trair o próximo?

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Relaxar e gozar

Quando a gente tem problemas, a tendência é querer resolver com a cabeça, no mental. Com a tal da razão que, quando toma conta de tudo, val levando a gente pro buraco, como a Elizabeth Costello mostra no livro de Coetzee.
Por exemplo, o medo. Vc resolve o medo pensando sobre ele? Não. Vc lida com ele, mas não resolve.
O medo é uma emoção básica do ser humano. Básica não significa obrigatória, mas simplesmente comum. Falando em andar sobre telhados e sobre ser preferível arriscar-se do que desistir sem tentar (né mesmo, Lúcia?), o medo é um assunto q tá pintando naturalmente, e tô optando por seguir o caminho natural, embora sem saber onde ele vai dar. Vamos ver, quando chegarmos lá, vc e eu...
O medo é algo que se sente corporalmente como aperto no estômago, pernas bambas, coração acelerado. E que aparece em gestos como encolher-se, afastar-se, agarrar algo ou alguém. (Tô falando isso como pessoa comum, não como um especialista falaria, porque não sou especialista. Vai vendo se concorda.)
Quando estamos nos sentindo seguros ficamos soltos, à vontade. Mas se algo ainda não conscientizado surgir, uma impressão de que uma coisa ruim vai ocorrer, a reação fisiológica aparece e vamos ter impulso para alguma ação. Essa ação pode ser detida conscientemente ou não, mas isso fica pra outro post.
Vc pode ter medo de ser rejeitado ao beijar alguém pela primeira vez, mas beijar assim mesmo. Vc pode pensar que vai ser uma tragédia se o outro virar o rosto ou evitar sua boca e isso vai deixar vc meio tenso. Seus músculos vão se contrair de modo que, se o beijo acontecer mesmo, é capaz de vc nem sentir tudo o que esperava, porque tava um tanto "travado" na hora.
Esse tipo de tensão muscular ocorre em várias situações e pode durar um pouco ou muito. Depende do que tememos e de como lidamos com o medo. E, ao mesmo tempo que ela imprime uma rigidez no movimento, também impede de sentir ampla e profundamente.
Tem gente que vive com medo, vive tenso, "se segurando", tentando "ficar firme". Vai criando em si certos arranjos musculares ou ritmos corporais , que Reich chama de couraça muscular, a qual tem esse nome porque supostamente protegeria a pessoa daquilo que ela teme.
Quanto mais vc endurece, quanto menos vc relaxa, menos vc goza, pior vai se sentindo e mais fontes de prazer vai buscando. Beber, transar, comprar ou comer compulsivamente são falsas soluções que a gente pensa que achou, mas que levam cada vez mais pra longe do que se precisa realmente.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Quem explica? 2


Ontem eu tava pesquisando Elizabeth Costello na internet, pra pegar a citação correta da frase que abre o post. Joguei no Google "elizabeth costello ao pensar oponho a plenitude" e qual foi o único link que apareceu? "Wilhelm Reich: psicanálise, corpo e ciência" *. O que nos leva a Reich surgindo na minha vida de forma tão insistente.
Não vou resistir a isso, vou ver onde me leva. Transcrevo um trecho do artigo acima pra começar a falar dele:

"Reich morreu em 1957, numa prisão americana. Sua trajetória de vida, fugindo do nazismo e da difamação tanto pessoal quanto de suas idéias, é tragica mas também imensamente rica na produção de trabalhos polêmicos mas nunca facilmente descartáveis. Embora mais conhecido pelas suas idéias libertárias na política e na sexualidade - no auge da contracultura, movimento que teve seu marco no ano de 1968, suas idéias foram apropriadas e distorcidas, fazendo com que seu nome ficasse associado ao movimento hippie e ganhasse contôrnos meramente ideológicos - Reich, na verdade, produziu um corpo teórico ímpar, com milhares de páginas escritas e pouco lidas, principalmente pelos seus críticos, passando pela psicologia profunda, psicanálise, biologia, física, protocolos científicos, filosofia , sociologia e epistemologia."

Tem mais, porém vou deixar pra depois.
_________

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Somos de fato melhores que os bichos?

Ao ato de pensar, à cogitação, oponho a plenitude.
A frase é da protagonista de Elizabeth Costello, um romance filosófico de J. M. Coetzee. (Não, Beto, romance filosófico não é fazer amor na caverna do Platão – rsrs – mas vc me fez rir - vlw.) Assisti a uma conferência sobre ele, ontem, adorei os trechos q ouvi e queria saber mais. Alguém leu?
O livro faz pensar acerca do que dá ao ser humano o direito de dispor dos animais como se fossem objetos. No inglês se usa she ou he pras pessoas, mas it pros bichos, como fossem coisas como lápis e xícaras.
Costello entende que um dos pressupostos desse direito auto-atribuído, de fazer com a Natureza o que se queira, está na metafísica escolástica. Na filosofia de Tomás de Aquino, seu principal pensador, a essência de Deus é a razão e só o homem participa dessa essência divina, colocando-se em situação privilegiada perante as outras criaturas e com direitos sobre elas.
Outro pressuposto é o pensamento de Descartes... Bem, era uma conferência pra candidatos a filósofos, lembram?
Aonde essa filosofia td tem nos levado é algo a se considerar.
Mas a questão que o livro suscita tem profundas implicações éticas: a "Razão", aquilo que dizem que nos distingue dos animais, torna-nos realmente superiores? Na prática ou na essência?
Será que na prática estamos nos saindo melhor no mundo que eles? Pergunto isso porque, como espírita, preciso discordar de Tomás nesse aspecto da essência. Pois sei que somos todos feitos da mesma essência espiritual em diferentes momentos evolutivos, não somos nem piores, nem melhores, somos irmãos como bem ensinou Francisco de Assis.

Fico pensando. Pensentindo, porque só pensar sobre isso não basta. A filosofia, segundo Elizabeth, não tem nos levado a um lugar melhor até o momento. Ela diz que devíamos tentar o caminho da poesia.

domingo, 5 de outubro de 2008

Reich e eu


Minha aproximação com Reich começou no Formare.
Em 1997 eu fazia oficinas de literatura e, um dia, depois de terminar uma em São João da Boa Vista, o pessoal disse que tava carente de outros temas, como jogos, dinâmicas de grupo... Então me propus a montar módulos que tratassem desses temas e levar pra turma de lá.Eu já pesquisava literatura e tinha conhecido a Sandra Bittencourt em cursos espíritas aqui em Jundiaí.
Naquele momento ela era professora de educação física, espírita e tava fazendo pós em psicopedagogia. Lembro que quando contei pra ela sobre o que eu tava querendo fazer, ela se inseriu na proposta logo de cara e de um jeito 100% espontâneo, sem que eu ainda tivesse, sequer, convidado! Começamos a nos reunir semanalmente na casa dela ou na minha e ler, discutir, anotar... A sintonia entre a gente era es-pan-to-sa!
E fizemos os módulos que foram sendo levados a SJBV com resultados mto legais. (Um dos melhores foi que fizemos amizades que ficaram pra sempre. )
Foi assim que surgiu o, na época chamado, Formare - Programa de Formação e Reciclagem do Educador da Infância e Juventude Espírita. Criamos o mascote Formarinho (ver imagem), que tava em tudo que tinha a ver com o programa, e a coisa tomou uma dimensão inesperada. De uma hora pra outra, começamos a ser chamadas pra fazer o Formare em todo lugar. Demos a ele um formato que cobria dois finais de semana (ou um FDS prolongado) e lá fomos nós. Foram 17 edições entre 1997 e 2003.
O Formare tinha dois diferenciais. Como eu tava já estudando a educação emocional há muito tempo e a Sandra fazia cursos de bioenergética, isso criou uma característica muito importante pra tudo o que acontecia nos encontros. Primeiro, um forte trabalho voltado aos aspectos emocionais do educador, porque entendíamos que não adiantava oferecer zilhões de recursos pra uma pessoa trabalhar se ela não se trabalhava internamente, se por dentro ela não tava legal. Segundo, muito trabalho corporal e respiração associados, posteriormente, aos jogos psicodramáticos (porque mais pra frente a Sandra fez formação em psicodrama).
Foi numa dessas dinâmicas, a Loja Mágica, que começou nosso contato com o Hans, um amigo espiritual que ensinou muito pra gente e pro grupo mediúnico de que a gente participava.
Bão, nisso td tinha de entrar Lowen e Reich, couraça muscular, desbloqueios energéticos, auto-observação, expressão de emoções e sentimentos não só através de fala, mas de desenho e gesto... Td sempre era muito intenso e profundo, na medida em que os participantes permitiam, pois não se forçava nada. Mas o q eu conhecia do Reich vinha pela Sandra, de modo que pouca coisa eu tinha lido diretamente.
Como há tempo pra tudo nesse mundo, em 2003 a Sandra foi fazer outras coisas e eu tb. Claro que nunca mais fomos as mesmas de antes, nem ela, nem eu. Mas q o Formare deixou saudade, isso deixou!
E agora topo com Reich em 2008... pra que será?