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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Uma ciência dos estados alterados?


Uma característica das realidades apresentadas por Grof (Psicologia do futuro) e Castaneda (A erva do diabo e Uma estranha realidade) é a presença de elementos constitutivos próprios da experiência. Tais elementos se repetem em ocasiões seguidas nos atendimentos de Grof a seus pacientes, e são consensuais numa comunidade, no caso dos feiticeiros do México. Se Castaneda narra sua experiência em primeira pessoa, Grof baseia-se em inúmeros casos clínicos passíveis de classificação, comparação e de compartilhamento.
A moral, de importância destacada na ciência que estuda a mediunidade, apresenta-se aqui também como indispensável, e o desinteresse por vantagens pessoais de cada cientista é a garantia da legitimidade e veracidade dos resultados.
Afinal, para falar em comunidade científica, o que está implícito na noção de conhecimento científico, temos de pensar num ambiente que estimule a ética, a cooperação, o compartilhar, que leve ao aperfeiçoamento das concepções particulares numa somatória de conhecimentos que se torne um empreendimento coletivo. Lembrando Maturana, em Emoção e Linguagem na Educação e na Política, vemos que o ambiente de competição não é propício ao estabelecimento das bases de uma ciência, mas a solidariedade tende a favorecer seu progresso.
Ao cooperar e compartilhar, torna-se possível sair de um único ponto de vista para encontrar afirmações consensuais que constituirão nossas hipóteses, teorias e leis científicas. Poderemos falar então de uma ciência que enxerga além da matéria sem devanear, sem delirar, mas baseada em percepções além dos cinco sentidos físicos.

sábado, 16 de maio de 2009

O papel da solidariedade na ciência, ou “nós” é o plural de nó


A consciência é um nó górdio na vida dos filósofos materialistas. Alguns pretendem reduzi-la a resultado das funções neuroquímicas do cérebro. Outros, dizem que ela é irrelevante para a ciência, seja lá o que for.
Mas o fato é que é difícil ignorar, no estudo do conhecimento, a condição daquele que conhece. E aquele que conhece é uma consciência. Abstrair sua condição de cognoscente é ignorar a interferência que seus estados emocionais, sua educação, cultura, história e perspectiva operam durante o ato de perceber e conhecer.
Como é o mundo da vida de onde eu o vejo, saboreio, cheiro, toco, ouço, intuo? O que aquilo que me constitui me permite apreender?
Piaget, pensador materialista, notou que ao ser conhecido, o objeto do conhecimento se acomoda à estrutura conceitual existente, enquanto que a estrutura se altera para assimilar o elemento novo. Não existe pureza e isenção no ato de conhecer.
Como o conhecimento se integra ao nosso ser (“tesouro que a traça não come e ladrão não leva”), conclui-se que o conhecer nos torna novos. Não somos mais os mesmos depois de conhecer algo que antes não conhecíamos. Por isso, o meu conhecimento de uma rocha pode ser diferente do seu, embora se trate da mesma coisa visada, e aquilo que a rocha representa para mim assumirá uma importância na minha compreensão do mundo da vida, enquanto aquilo que ela representa para você assumirá um papel provavelmente diverso.
Claro se torna, então, o fato de que aquilo que sei, sei com o meu saber e não com um saber universal e puramente objetivo.
Como, então, fazer ciência?
A constituição de um “nós”, que está implícita na noção de conhecimento científico, irá surgir num ambiente que estimule a cooperação, o compartilhar que leve ao aperfeiçoamento das concepções particulares numa somatória de conhecimentos que se torne um empreendimento coletivo. Lembrando Maturana, vemos que o ambiente de competição não é propício ao estabelecimento das bases de uma ciência, mas a solidariedade tende a favorecer o progresso científico.
Além disso, o ser novo que aprendeu algo novo não é apenas ser em si. Ele manifesta seu ser nos atos e palavras. Por isso, aprender de fato implica em saber manifestar o resultado do que se sabe, mostrando que efetivamente houve transformação interior.
Ao cooperar e compartilhar, tornamos possível sair de um único ponto de vista para encontrar afirmações consensuais que constituirão nossas hipóteses, teorias e leis científicas.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Cartografia dos estados alterados: projetos inacabados


Uma das coisas que tenho apreciado ao ler (ainda) o livro do Maturana é que ele suscita perguntas, eu penso sobre elas e, num dado momento, ele acena com pistas ou, mesmo, com respostas.
Quando eu disse “minha segunda pergunta é se aquele que costumamos considerar o estado normal ou usual de consciência é o que nos dá realmente melhor percepção e menos ilusão sobre o que observamos”, eu não pensava no que encontraria em páginas posteriores: no caminho explicativo da objetividade-entre-parênteses existem muitos domínios de realidades diferentes mas igualmente legítimos, ainda que não igualmente desejáveis, cada um constituído como um domínio de coerências operacionais na experiência do observador. E também me dou conta de que no caminho explicativo da objetividade-entre-parênteses uma afirmação cognitiva é um convite feito ao outro para entrar num certo domínio de coerências operacionais...
Eu sei que isso não tem NECESSARIAMENTE a ver com domínios visitados por uma consciência em estados modificados. Sei que muitos de meus ex-professores diriam que estou forçando uma interpretação. Mas não estou.
Estou apenas estendendo o conceito de "domínios de realidades", levando em conta os tipos de experiências possíveis em diferentes estados naturais de consciência (vigília, sono, sonho, observação e percepção não-dual, segundo Ken Wilber em Espiritualidade Integral) e em estados alterados exógenos (induzidos por drogas) ou endógenos (como os meditativos, vivências fora do corpo e transe mediúnico).
No caminho de uma epistemologia abrangente
A questão que interessa à teoria do conhecimento é saber se há possibilidade de uma epistemologia, onde seria possível identificar os critérios de atribuição de validade ao conhecimento possível em tais estados e uma metodologia própria de pesquisa.
Bem, o próprio Wilber propõe uma cartografia destes estados, embora assumindo que as correlações que estabelece sejam "polêmicas e difíceis de comprovar". Mais restrito, porém mais calcado em casos clínicos, é o mapeamento de Stanislav Grof em Psicologia do Futuro, ao descrever os domínios "biográfico, perinatal e transpessoal" das experiências em estados alterados - que ele chama de 'holotrópicos'.
Reconheço ambos os mapas como importantes projetos inacabados.
E não podemos nos esquecer das fundamentais contribuições de Allan Kardec, na análise dos fenômenos anímicos e mediúnicos, e nos seus apontamentos sobre a segurança possível dos relatos mediúnicos e outros.
Quero analisar estes relatos como convites para um domínio natural (embora incomum) de afirmações cognitivas de pleno direito.
(Ainda não terminei de pensar nisso.)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ilusão e percepção

Ao adotar o caminho explicativo da objetividade-entre-parênteses, a indistinguibilidade experiencial entre o que chamamos ilusão e percepção não é uma limitação ou falha que deve ser negada ou superada, mas, ao contrário, é uma oportunidade que nos leva a fazer uma outra pergunta: Como são possíveis os fenômenos de concordância de conduta na convivência, se não podemos distinguir ilusão e percepção? (Humberto Maturana em Emoção e linguagem na educação e na política, vermelhos meus)

Bom, minha primeira pergunta seria se, ao observar o mundo concreto com os olhos materiais, temos conseguido apreender formas de conviver harmonicamente nesta Terra. Parece que o jeito preponderante de perceber e lidar com o mundo, até hoje, criou uma praxis altamente danosa para o planeta e as comunidades humanas, que se perpetua.
Minha segunda pergunta é se aquele que costumamos considerar o estado normal ou usual de consciência é o que nos dá realmente melhor percepção e menos ilusão sobre o que observamos.

Não há nada de errado com os cinco sentidos, eles são instrumentos maravilhosos de sentir corporalmente e possibilitam estar efetivamente no mundo, com tudo o que nele há de bom. O que está errado é insistir na sua prevalência sobre o sexto sentido, ou sobre a mediunidade, ou sobre as percepções que surgem nos sonhos e outros estados alterados.
Confiamos amplamente na razão que funciona quando estamos acordados. Não foi, porém, o pensamento racional que nos trouxe a ilusão da separatividade e a busca de controlar a Natureza, ao invés de cooperar com ela inserindo-nos nos seus processos e auxiliando-nos reciprocamente? Não seria esta separatividade a maior ilusão em que vivemos?
E o conhecimento do outro, nas relações sociais, é possível apenas pela razão? E sua aceitação, a aproximação, o diálogo e a interação, surgem basicamente dos raciocínios?

terça-feira, 5 de maio de 2009

Maturana e suas afirmações arriscadas sobre validação do conhecimento

Eu concordo com muito do que tenho lido em Emoções e linguagem na educação e na política. Embora o autor passe o tempo todo sem preocupações fundacionistas (buscar fundamentos para os conceitos que expressa seria a negação da sua visão de conhecimento), aprecio suas afirmações arriscadas quanto às suas conseqüências potenciais.
Ele diz: Eu indico esta consciência de não podermos distinguir entre ilusão e percepção, com um convite a colocarmos a objetividade-entre-parênteses no processo do explicar. Não quero dizer com isso que não existem objetos, nem que não posso especificar um certo domínio de referência que trato como existindo independente de mim. Quero dizer que, colocando a objetividade entre parênteses, me dou conta de que não posso pretender que eu tenha a capacidade de fazer referência a uma realidade independente de mim, [...] na intenção de entender o que ocorre [...] sem fazer referência a uma realidade independente do observador para validar meu explicar. (vermelhos meus)
Bom, há um risco que se corre ao aceitar esta explicação, que é o de admitir que talvez todos sejamos mais ou menos psicóticos – rs . É assim que chamamos aquelas pessoas que reconhecidamente não distinguem entre o domínio subjetivo e o objetivo de sua experiência.
Nesse sentido, talvez possamos entender que vivemos num grau de psicose coletiva maior ou menor, o que vai, por um lado, nos fazer sentir mais próximos dos considerados "doentes mentais", mas por outro lado nos leva a reavaliar nossos parâmetros de ação no mundo. Se assim fosse, a psicose apenas seria vista como doença quando prejudica o que consideramos funcionamento normal e relacionamento social da pessoa.
Mas o que são explicações? Explicações são reformulações de experiências aceitas como plausíveis. Plausibilidade tem a ver com coerência e “encaixe” nas estruturas conceituais preexistentes, formadas em experiências pregressas e nas interpretações destas experiências.
Eu poderia então admitir que tudo o que penso saber foi fruto do que me aconteceu e de como o interpretei, com uma gama de teorizações possíveis, nenhuma das quais precisaria ser necessariamente falsa. Bom, e onde fica o bom e velho conhecimento objetivo onde pensávamos estar seguros e bem calçados?

Depois eu volto...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A mãe que tenho sido


Não é por causa da data comercial que estou escrevendo isso, mas por andar lendo Maturana (Emoções e linguagem na educação e na política) e, mais ultimamente, por rever um pouco de Winnicott associado às idéias do Maturana.
Pessoalmente, com a ajuda de meus filhos adolescentes, venho tentando entender algo que tenho tentado ser há quase 22 anos: o que é ser uma boa mãe, uma mãe suficientemente boa.
Acho que já fui mãe em muitas situações na vida: de filhos, livros, ex-parceiros, alunos, projetos, amigos em dificuldades... Talvez eu nem saiba não sê-lo. (Não deve ser à toa que me senti "gravidíssima" no ritual xamãnico - rs.)
Uma curiosidade sobre esse meu lado maternal: Um dia, uma psicanalista que participou de um dos FORMARES em Jundiaí disse que a Sandra e eu agíamos ali freqüentemente como mães. Ela inclusive notou que um dos gráficos que usávamos na exposição da metodologia era informalmente chamado de "sutiã da Madonna" - que tem a ver com sensualidade e amamentar ao mesmo tempo, não é? Mas a idéia do FORMARE era mesmo a de dar suporte ao educador para fazer experimentações pessoais que lhes permitissem a segurança de agirem sozinhos, posteriormente. E isso funcionou bastante.
***
Comentando a matéria de capa da Época de 13/04/09, escrevi outro dia que o amor não tem medida, quanto ao máximo. (O texto vai sair na Universo Espírita 66.) Mas refletindo depois, percebi que a bondade tem de ter um mínimo suficiente. Pra ser eficiente.
Eu creio que deveria ser boa o bastante pra acalentar meus bebês quando precisassem do meu calor, mas não por tanto tempo a ponto de prendê-los, nem segurá-los tão apertado a ponto de sufocá-los. Talvez fosse isso que eles considerassem excessos e confundissem com excessos de amor, na chamada de capa. Isso, porém, seria possessividade.
Também entendo que deveria ser perceptiva o bastante para não deixá-los cedo demais entregues à própria sorte e aos próprios cuidados, o que seria negligência.
Isto seria a medida do suficiente? Talvez...
Pode parecer que é fácil ser sufucientemente boa. Não exige capacidade sobre-humana, só suficiente. Contudo, a suficiência é a mais exigente, a mais difícil das medidas. A suficiência é um meio termo entre extremos de falta e exagero. E o desafio é, na prática, saber achar esse meio termo.
Aceitam-se opiniões.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Conexões: entre Calunga e Reich


Vá além das convenções do mundo, das suas noções de certo ou errado, de bom e ruim, e olhe as coisas como são, e não pelas classificações. (Atitude de Reich na ciência e na vida.) Eu não sou bom nem ruim, nem sábio, nem ignorante, no fundo de nós ninguém é católico ou espírita, João ou Pedro, preto ou branco, homem ou mulher, encanador ou bancário ou médico. No fundo de nós, cada um é só a sua verdade (a minha realidade onde eu sinto, minha objetividade-entre-parênteses, e não a verdade que eu penso possuir e imagino que o mundo deve aceitar como boa pra todos, a objetividade-sem-parênteses) , e se eu mostro a minha e você mostra a sua, a gente não tem por que não se entender. (Trecho de Mestre de Mim Mesmo, de Calunga; parênteses vermelhos de Rita.)
***
Não sou nem cristão, nem judeu, nem maometano, mórmon, homossexual, polígamo, anarquista ou membro de seita secreta. (Reich e Calunga, tão perto, né?!)
Faço amor com a minha mulher porque a amo e a desejo e não porque tenha um certificado de casamento ou para satisfazer as minhas necessidades sexuais.
Não bato nas crianças, não vou à pesca e não mato veados nem coelhos. Mas não atiro mal e gosto de acertar no alvo.
Não jogo brídge, não dou festas com o fito de divulgar as minhas teorias. Se o que penso é correto divulgar-se-á por si próprio.
Não submeto o meu trabalho às autoridades oficiais de saúde, a não ser que elas possam entendê-lo melhor do que eu. E sou eu quem decide quem pode manejar o conhecimento e as particularidades da minha descoberta.
Observo estritamente o cumprimento das leis quando fazem sentido, e luto contra elas
(o que não é simplesmente ignorar, nem transgredir) quando obsoletas ou absurdas. (Não corras já para o presidente da Câmara, Zé Ninguém, porque se ele for um homem decente faz o mesmo.).
Desejo que as crianças e os adolescentes experimentem com o corpo a sua alegria no prazer tranqüilamente
(se os adultos não os enfiarem em salas de aula bolorentas cheias de pó de giz, pode ser um bom começo).
Não creio que para ser religioso no sentido genuíno da palavra seja necessário destruir a vida afetiva e tornar-se crispado e encolhido de corpo e de espírito.
Sei que aquilo a que chamas «Deus» existe, mas de forma diferente da que pensas: é a energia cósmica primordial do Universo, tal como o amor que anima o teu corpo, a tua honestidade e o teu sentimento da natureza em ti ou à tua volta.
(E a verdade dele continua... A gente se entende...) (Trecho de Escuta, Zé Ninguém!, de W. Reich; parênteses vermelhos de Rita)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Realidade, segundo Maturana

(...) A realidade é sempre um argumento explicativo. Disso podemos nos dar conta agora. Na objetividade entre parênteses [que Maturana propõe ante o conceito de objetividade tradicionalmente aceito, "sem parênteses"] há tantas realidades quanto domínios explicativos, todas legítimas. Elas não são formas diferentes da mesma realidade, não são visões distintas da mesma realidade. Não! Há tantas realidades - todas diferentes, mas igualmente legítimas - quantos domínios de coerências operacionais explicativas, quantos modos de reformular a experiência, quantos domínios cognitivos pudermos trazer à mão. (...) Se tenho uma discordância com outra pessoa, ela está num domínio de realidade diferente do meu. (...) Pode ser que não me agrade, mas não me agradar é um ato responsável da minha predileção, não é um ato de negação da legitimidade desse outro domínio de realidade. (Humberto Maturana em Cognição, Ciência e Vida Cotidiana)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Coisas que eu sei são coisas que antes eu somente não sabia, agora eu sei*


Conceituar e classificar as coisas estabelece uma noção de ser definitivo. Heráclito dizia que não se pode apreender nada de fato, porque td está mudando e conhecer é como "cristalizar". Quando se diz o que é, já era! Ao dizer "sei o que é isso", vc critaliza aquilo para vc. Imobiliza, encerra numa gaiola conceitual. Mas não apreende o "ser da coisa".
O que é saber? Um passageiro dentro de um trem parado (exemplo do Maturana em Cognição, Ciência e Vida Cotidiana, Ed. UFMG) pode saber que seu trem está partindo num dado momento, olhar de novo e perceber que, de fato, era a composição ao lado que estava se movendo, embora ele tivesse até a sensação "corporal" de partir.
Isso tem duas conseqüências: uma delas é a impossibilidade de descobrir em que momento do saber estamos com relação a cada coisa sabida, se no "pensar que estou andando" ou no "descobrir que estou parado". O segundo é perceber que a realidade é vista por mim a partir de onde estou. Que minha localização, posição, emoção e sensação precisam ser levadas em conta ao falar do que sei e que, assim, dificilmente eu poderia considerar totalmente objetivo o meu conhecimento a respeito de alguma coisa.
A pintura de Monet parece uma tentativa de capturar os momentos sucessivos de mudança. Contudo, não é um saber conceitual, é uma imersão na compreensão da natureza em seu fluxo, que o mergulho em sua arte talvez possa nos ajudar a realizar.
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*Refrão de Coisas que eu sei, de Danni Carlos