quinta-feira, 13 de junho de 2013

O amor é livre

Por Rita Foelker



"Amor livre" é uma expressão que há mais de um século vem se referindo a amor fora do casamento, amor “sem posse”.

Algumas vezes, foi usada depreciativamente, para criticar um tipo de amor inconsequente, amor casual, amor promíscuo. Amor que não é nada disso, exatamente para ser livre.

Livre não quer dizer inconsequente (irrefletido). Liberdade significa assumir as consequências dos atos livremente escolhidos. Porque é assim que a vida se nos mostra, através de uma lei que responde às ações, e ser livre é sustentar-se nas escolhas feitas e decisões tomadas, no exercício da própria vontade.

Livre não quer dizer casual (eventual, ocasional). Livre pode ser constante, parecer infinito, sonhar eternidade, visto ser liberdade, como amar...

Livre não quer dizer promíscuo (misturado, indiscriminado), mas pede atenção, profundidade de entendimento e sutileza de observação, a fim de não prender-se a consequências de equívocos de pressa ou desatenção.

Para mim, falar em “amor livre” não passa de um vício de linguagem, conhecido como redundância, o mesmo que cometemos quando falamos em “elo de ligação” ou “entrar pra dentro”. Porque não tem amor que não seja livre. Se cerceou, limitou, prendeu, criou dependência, sufocou, não pode ser chamado de amor.

O amor emudece, mas de emoção. O amor eventualmente paralisa, mas de prazer ou surpresa. É... o amor surpreende, o que pressupõe liberdade de ser imprevisto. Mas sempre nos faz sentirmo-nos mais amplos, mais plenos, mais leves, mais donos de nós mesmos... 

Amar inclui sentir que é bom e permitir ser como é, porque a existência do ente amado é uma alegria e uma bênção que enche outra existência de dedicação, gratidão e paz. Portanto, amar inclui que ambos sejam livres.