
Não é por causa da data comercial que estou escrevendo isso, mas por andar lendo Maturana (Emoções e linguagem na educação e na política) e, mais ultimamente, por rever um pouco de Winnicott associado às idéias do Maturana.
Pessoalmente, com a ajuda de meus filhos adolescentes, venho tentando entender algo que tenho tentado ser há quase 22 anos: o que é ser uma boa mãe, uma mãe suficientemente boa.
Acho que já fui mãe em muitas situações na vida: de filhos, livros, ex-parceiros, alunos, projetos, amigos em dificuldades... Talvez eu nem saiba não sê-lo. (Não deve ser à toa que me senti "gravidíssima" no ritual xamãnico - rs.)
Uma curiosidade sobre esse meu lado maternal: Um dia, uma psicanalista que participou de um dos FORMARES em Jundiaí disse que a Sandra e eu agíamos ali freqüentemente como mães. Ela inclusive notou que um dos gráficos que usávamos na exposição da metodologia era informalmente chamado de "sutiã da Madonna" - que tem a ver com sensualidade e amamentar ao mesmo tempo, não é? Mas a idéia do FORMARE era mesmo a de dar suporte ao educador para fazer experimentações pessoais que lhes permitissem a segurança de agirem sozinhos, posteriormente. E isso funcionou bastante.
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Comentando a matéria de capa da Época de 13/04/09, escrevi outro dia que o amor não tem medida, quanto ao máximo. (O texto vai sair na Universo Espírita 66.) Mas refletindo depois, percebi que a bondade tem de ter um mínimo suficiente. Pra ser eficiente.
Eu creio que deveria ser boa o bastante pra acalentar meus bebês quando precisassem do meu calor, mas não por tanto tempo a ponto de prendê-los, nem segurá-los tão apertado a ponto de sufocá-los. Talvez fosse isso que eles considerassem excessos e confundissem com excessos de amor, na chamada de capa. Isso, porém, seria possessividade.
Também entendo que deveria ser perceptiva o bastante para não deixá-los cedo demais entregues à própria sorte e aos próprios cuidados, o que seria negligência.
Isto seria a medida do suficiente? Talvez...
Pode parecer que é fácil ser sufucientemente boa. Não exige capacidade sobre-humana, só suficiente. Contudo, a suficiência é a mais exigente, a mais difícil das medidas. A suficiência é um meio termo entre extremos de falta e exagero. E o desafio é, na prática, saber achar esse meio termo.
Aceitam-se opiniões.
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