
Por Calunga/Rita Foelker, em 22/02/09
A raiva é um bicho que mora dentro docê. E a raiva trancada muito tempo é um bicho medonho. Ocê às vezes vai achar ele feio, vai brigar com ele, mas não vai adiantar: ele é seu e mora aí dentro.
Ele não era pra ser feio. Era um animal de luta, de ação. A força de reação imediata, a energia da solução.
Mas em vez de reagir, de resolver o que incomoda, de falar do que sente, de agir conforme a necessidade da situação, se ocê num faz nada, o bicho engaiolado vai ficando feroz... Vai se transformando numa fera que mora dentro da sua casa, contida. Urrando no porão do inconsciente. Sem ser ouvida. Te devora por dentro. E um dia te bota doente...
O que ocê vai fazer com esse bicho feroz?
Brigar com ele num adianta. Ele ganha força com a raiva que ocê sente e cresce mais ainda. Vai virar uma coisa intoleráver.
Rir dele melhora, mas cuidado, não subestime o poder dele se regenerar em novas situações e de reaparecer no cenário do seu cotidiano.
Ignorar é devolver ele pro porão. Volta tudo a ser o que era.
Sabe o que ocê tem de fazer com um bicho brabo que mora na sua casa e que já amolou o suficiente? Abrir mão dele. Soltar na mata. Se ocê abrir a porta e deixar ele sair, e se não botar mais comida pra ele, ele vai embora e num vorta mais. Mas ocê tem de querer fazer isso, ter a coragem de abrir mão da falsa impressão de força e poder que um bicho desse em casa dá, pra afugentar os intrusos.
Afinar de contas, eu num tô falando de sortar o bicho em cima dos outros... Pare de usar ele pra evitar fazer o que é serviço seu, ponha ordem no seu canto!
A força que você precisa é a da paz em si. A paz de portas firmes e janelas abertas, e onde só entra o amor, o bem e a luz, pela sintonia com os poderes maiores do Universo.
Então, não deixe a raiva deitar moradia dentro docê. Ela existe pra ser passageira. Resolva cada coisa a seu tempo. Não guarde, não protele, não finja. Ative a energia da solução e viva serenamente os desafios da jornada terrena.