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domingo, 22 de fevereiro de 2009

A energia da solução


Por Calunga/Rita Foelker, em 22/02/09

A raiva é um bicho que mora dentro docê. E a raiva trancada muito tempo é um bicho medonho. Ocê às vezes vai achar ele feio, vai brigar com ele, mas não vai adiantar: ele é seu e mora aí dentro.
Ele não era pra ser feio. Era um animal de luta, de ação. A força de reação imediata, a energia da solução.
Mas em vez de reagir, de resolver o que incomoda, de falar do que sente, de agir conforme a necessidade da situação, se ocê num faz nada, o bicho engaiolado vai ficando feroz... Vai se transformando numa fera que mora dentro da sua casa, contida. Urrando no porão do inconsciente. Sem ser ouvida. Te devora por dentro. E um dia te bota doente...
O que ocê vai fazer com esse bicho feroz?
Brigar com ele num adianta. Ele ganha força com a raiva que ocê sente e cresce mais ainda. Vai virar uma coisa intoleráver.
Rir dele melhora, mas cuidado, não subestime o poder dele se regenerar em novas situações e de reaparecer no cenário do seu cotidiano.
Ignorar é devolver ele pro porão. Volta tudo a ser o que era.
Sabe o que ocê tem de fazer com um bicho brabo que mora na sua casa e que já amolou o suficiente? Abrir mão dele. Soltar na mata. Se ocê abrir a porta e deixar ele sair, e se não botar mais comida pra ele, ele vai embora e num vorta mais. Mas ocê tem de querer fazer isso, ter a coragem de abrir mão da falsa impressão de força e poder que um bicho desse em casa dá, pra afugentar os intrusos.
Afinar de contas, eu num tô falando de sortar o bicho em cima dos outros... Pare de usar ele pra evitar fazer o que é serviço seu, ponha ordem no seu canto!
A força que você precisa é a da paz em si. A paz de portas firmes e janelas abertas, e onde só entra o amor, o bem e a luz, pela sintonia com os poderes maiores do Universo.
Então, não deixe a raiva deitar moradia dentro docê. Ela existe pra ser passageira. Resolva cada coisa a seu tempo. Não guarde, não protele, não finja. Ative a energia da solução e viva serenamente os desafios da jornada terrena.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Só um jeito de colocar emoções pra fora


Conversava com um amigo mto querido que me contava sobre as peripécias da ex-namorada. Ela o tem procurado algumas vezes depois que romperam e, qdo ele respondeu pelo msn "pena que não deu certo, pois eu gostava muito de você", ela ficou furiosa e disse que não foi atrás dele pra receber essa msg. E ele disse que era exatamente o que queria dizer, que tinha sido sincero.
Bom, não sou psicóloga, mas disse a ele que essa reação exagerada não era contra ele, era pela dificuldade de aceitar que as coisas não tinham sido do jeito que ela queria. Pelo menos, é assim que vejo.
"Se vc foi sincero, tratou-a bem e não quis enganá-la, por que ter raiva de vc?" - Perguntei.
As pessoas reagem à frustração de maneiras diferentes: umas xingam, outras se entristecem, outras aceitam e tocam adiante... Ela fica ligando porque não quer cortar a ligação, mas ele não quer manter a ligação com ela e qdo disse isso claramente, deve ter sido horrível dentro dela.

A questão é o lado emocional dela. O meu amigo e a mensagem são apenas focos para onde ela dirige suas reações, qdo a coisa toda é com ela mesma, o que faz diante daquilo que pra ela não deu certo, não funcionou conforme o planejado.
Contei isso porque tem a ver com o tema que estou trabalhando desde o Ano Novo:
Tudo é sobre lidar conosco mesmos.
Convivemos no mundo com pessoas que puxam de dentro de nós o nosso melhor ou o nosso pior. Elas podem fazer isso deliberadamente ou não, mas o fato é que trazem à tona emoções com que temos de lidar.
Por que isso acontece? Porque fazemos parte de um Universo que conspira para nossa evolução. Que não nos quer estacionados.
E como evoluímos? Enfrentando nossos fantasmas e nossas sombras. Trazendo à luz o que está oculto, compreendendo e transformando. (Pelo menos, é assim que vejo - rs.) O que me leva de volta a O Último Samurai.
Quem era o verdadeiro oponente de Nathan Algren (Tom Cruise)? Um homem que é contratado pelo imperador do Japão para combater numa guerra que não é sua, que tem sérios problemas interiores, inclusive alcoolismo, com que conviver, mas que também tem qualidades que não reconhece. O novo cenário e as novas pessoas vão tecendo situações extremas em que aquilo que ele tem realmente dentro de si é mobilizado e colocado em ação. E conforme ele encara os novos desafios, ele se transforma no melhor que pode ser, naquele momento.
Qual é o desafio que estou enfrentando, aqui agora? Como ele mexe nas minhas entranhas, me deixa pensando, me faz sentir coisas? E qual vai ser minha resposta a ele, com td o que já vivi e já conheci até hj?
As vitórias contra os outros podem ser vazias ou até mesmo frustrantes. Posso estabelecer que minha meta, por exemplo, é tirar uma nota melhor que o melhor aluno da sala. Mas isso me deixará satisfeito? Se sim, por quanto tempo? Como sei que ele está na sua melhor condição física e psicológica para ser um oponente à altura? E depois que eu conseguir, o que de fato terei conquistado?



I'll face myself,
To cross out what
I've become.
Erase myself,
And let go of what I've done.
(What I've done, Linkin Park)

sábado, 3 de janeiro de 2009

Tudo é sobre lidar conosco mesmos


Pessoas de corpo pequeno devem saber tudo sobre o que há de grande no espírito, e pessoas de corpo grande devem conhecer bem as pequenas coisas do espírito. Tanto aquele de corpo grande como o de corpo pequeno devem ter o espírito reto, mantê-lo imparcial em relação a si próprio. (O livro dos cinco anéis, M. Musashi; vermelho por Rita)
Eu sempre soube que o espelho nunca mente. (Eyes of a stranger, Queensrÿche)
Palavras não vão me fazer cair. (Beautiful, Christina Aguilera)

O livro dos cinco anéis, que já mencionei aqui antes, do ronin Musashi é, sem dúvida, sobre combate e sobre vencer. Mas... o que combater? Quem vencer?
Estou certa de que é um livro muito procurado porque se imagina encontrar ali maneiras de vencer numa competição, vencer nos negócios, vencer inimigos... numa palavra, vencer um outro. Mas esta é só a primeira metade da biografia de Musashi, a narrativa de suas vitórias contra os outros.
Quando escreve Go Rin No Sho (O livro dos cinco anéis), sua vida havia adquirido outro sentido, outra prioridade, pela percepção na própria experiência de que não adianta apenas treinar o corpo e vencer o outro, se o espírito não é disciplinado, se não houve vitória sobre si mesmo.
Embora pensem ser vencidas pelos outros ou por circunstâncias, o mais comum hoje em dia é as pessoas serem vencidas por sua própria insegurança, por excesso de atenção a comentários alheios desfavoráveis, por verem seus planos frustrados, por perspectivas derrotistas, por se acharem feias, pouco atraentes, incompetentes ou inadeqüadas. Se não resolverem isso tudo dentro de si, como podem pensar em resolver fora?
Isso tb fica muito nítido num de meus filmes preferidos, O Último Samurai. Ali se vê claramente: antes de entrar no combate, o samurai já o viveu inteiro dentro de si mesmo.
Para trabalhar estes conceitos com as crianças, tem um livro excelente que tb já citei aqui: Heróis e guerreiras, quase tudo o que você queria saber, de Heloísa Prieto. Um dos contos fala de Miyamoto Musashi.
"Why am I here? And for how long?" Um verso de Eyes of a Stranger, som que vc ouve num tributo do Black Art ao Queenrÿche, clicando aí embaixo. Why am I here? Para meu combate comigo mesma. Estudando a mim mesma, para saber como agir e vencer. And for how long? Enquanto não encontrar meu verdadeiro oponente e enfrentá-lo.



Discover Black Art!