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sexta-feira, 6 de março de 2015

"An American Prayer"


"Oh, Grande Criador de Ser, concede-nos uma hora mais, para realizar a nossa arte e aperfeiçoar nossas vidas. As mariposas e os ateus são ambos, divinos e moribundos. Nós vivemos, morremos e a morte não termina isso... ("An American prayer", Jim Morrison)
A vida está em nós, ela se espalha ao nosso redor e nos invade com suas luzes e movimentos, não sabemos por quanto tempo. Mas viver é um imenso sonho de uma alma que viu que podia ir além de si mesma! (RF)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

"Soul Kitchen"

Por Rita Foelker, em 28/12/2014


Let me sleep all night in your soul kitchen,
Warm my mind near your gentle stove...
(The Doors)

Eu não tenho ilusões: não existem pessoas perfeitas.

A gente caminha por aí e percebe que existem pessoas que são perfeitas, sim, mas umas para as outras. Pessoas que se sentem à vontade juntas, que descobriram assuntos e preferências em comum, que gostam de cuidar uma da outra e experimentam, nisso, uma alegria incomparável. E elas formam pares.

E a gente crê que, em algum momento, a vida vai trazer a perfeição que se encaixa perfeitamente naquela vontade de estar junto. Alguém que admire, respeite e em quem confie, que entenda e incentive você, enquanto você faz o mesmo. E que vocês se sintam naquele estado de atração constante com possibilidade de emoções intensas, seguidas de longos descansos igualmente deliciosos, no terraço, na cozinha... "Aquecer a mente perto do seu fogão delicado."

Mas entendendo que cada um é um ser inteiro, de modo que cada um apoia a inteireza do outro.

Não precisa ser um deus grego, uma sex symbol, porque as pessoas mais interessantes são aquelas que expressam sua naturalidade, sua verdade, seus altos e baixos, seu cansaço, sua perplexidade e suas opiniões. Não precisa morar junto. O caráter é o único item essencial, se a ideia é de que dure e valha a pena.

Agora, certeza absoluta... isso é algo que não existe. E sua sensação de estar garantido é a medida do seu delírio de controle sobre as circunstâncias da vida.

"People are Strange" on Christmas

Por Rita Foelker, em 5/12/2014



"Onde está a sua vontade de ser estranho(a)?" (Jim Morrison)

Minha vontade de ser estranha é a medida da minha aversão a muitas categorias normais.
Eu e meus filhos sabemos que não me encaixo em muitas delas e isso fica mais claro perto do Natal.
Não vou pro shopping olhar vitrines e resolver o que comprar. Procuro mesmo me distanciar deles, nessa época. Prefiro silêncio e sossego pra pensar, ler, ouvir músicas e escrever.
Não me sinto mais generosa em dezembro, que no restante do ano. Nem menos.
Não me sinto atraída por comidas natalinas, embora aprecie panetones com frutas.
Espero que minha família entenda. Que meus amigos não me cobrem. Mas se forem se reunir, eu irei pela alegria do encontro, a oportunidade do abraço e da conversa. Como iria em qualquer outro mês.
Talvez isso tenha a ver com infância. Depois eu fui crescendo e justificando pra mim mesma.
Talvez tenha a ver com o que o Natal virou. O Natal ficou estranho pra mim.
Mas quem me conhece sabe que o Natal passa e continuo estranhamente eu.
Além da frase do Morrison, tem uma música dos Kinks que é meu hino: "I'm not like everbody else" ("Não sou como todo mundo"). O que pra mim faz sentido o suficiente pra seguir assim. Por enquanto.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O "A" e O "Z", e o "B" de Beatles



Por Rita Foelker

O “A” e o “Z”, título de um som dos Mutantes, contemplou os dois extremos do alfabeto.

Mas eu quero é falar do “B”, que não é nem a primeira nem a última das letras, que se mantém num suado segundo lugar e, mesmo assim, carrega o estigma do que é inferior: lado “B”, filme “B”...

O lado B é em geral aquele não assumido, que não se quer que apareça, o que fica convenientemente por baixo quando executamos as faixas do lado A do disco.

De fato, o lado não tinha nada a ver com a qualidade do conteúdo de um álbum. Mas houve algumas ideias criativas no tempo dos vinis, como discos com dois lados A. O primeiro foi o single dos Beatles de 1965, com“We can work it out” e “Day tripper”.

E também não é raro que um som do lado B chegue ao topo das paradas, como aconteceu com “Hound dog”, na interpretação de Elvis Presley, alcançando tanto sucesso quanto “Don’t be cruel”, seu lado A.

(Sobretudo, se for bom, se tiver o que dizer e se investir nele.)

O lado B é um lado de que não gostamos, onde pretendemos esconder bem escondidos nossos vícios, nossas taras, nossas implicâncias, nossos desvios e covardias. É feito de algo que rejeitamos como ilegítimo, embora não seja necessariamente ruim. Como a simpatia não confessada pela madrasta da Branca de Neve ou pelo Magneto, arqui-inimigo dos X-Men e, ao mesmo tempo, tão próximo, tão íntimo do professor Xavier.

Ele é feito de coisas ancestrais, de conceitos e emoções a que, frequentemente, nos apegamos e, talvez, seja tempo de deixar que se vão.

Há ali também as manias. As influências que abertamente renegamos mas que, no fundo, acatamos.

Escondê-lo é um jeito de tentar parecer um pouco melhor que somos, de não assustar os outros e de tentar ficar mais perto do que temos como ideais de conduta. Mas algumas vezes, nossos ideais é que precisam de ajustes, porque são baseados em conceitos falsos, em construções artificiais de uma personalidade que não nos representa e nem nos ajuda a viver.

O fato de questionar nosso "lado B" mostra um anseio de mudança. Evitá-lo não o elimina. Repensar. Rever. Retirar aprendizados é o que ajuda a mudar.

Alguns itens eventualmente podem mudar de lado, nesse processo, legitimados pela nossa aceitação, entendimento e sábia utilização. Eventualmente, eles só estão do lado B porque os colocamos lá.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Para viver um grande amor (veja e ouça!)

Safe music: That thing you do

Cat.: Safe music
Gên.: Pop
Artista: The Wonders
Música: That thing you do


segunda-feira, 27 de abril de 2009

As Vitrines

Por Chico Buarque de Hollanda

Eu te vejo sair por aí
Te avisei que a cidade era um vão
- Dá tua mão
- Olha pra mim
- Não faz assim
- Não vai lá não

Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão, frouxa de rir

Já te vejo brincando, gostando de ser
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar

Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo um salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Unsafe Music: Diga que me ama

Cat.: Unsafe music
Gên.: MPB
Artista: Vania Abreu
Música: Diga que me ama

(Pra lembrar...)

domingo, 18 de janeiro de 2009

Música maravilhosa & origami

É o clipe de Corinne Bailey Rae para Like a Star. Confira:

domingo, 4 de janeiro de 2009

Só um jeito de colocar emoções pra fora


Conversava com um amigo mto querido que me contava sobre as peripécias da ex-namorada. Ela o tem procurado algumas vezes depois que romperam e, qdo ele respondeu pelo msn "pena que não deu certo, pois eu gostava muito de você", ela ficou furiosa e disse que não foi atrás dele pra receber essa msg. E ele disse que era exatamente o que queria dizer, que tinha sido sincero.
Bom, não sou psicóloga, mas disse a ele que essa reação exagerada não era contra ele, era pela dificuldade de aceitar que as coisas não tinham sido do jeito que ela queria. Pelo menos, é assim que vejo.
"Se vc foi sincero, tratou-a bem e não quis enganá-la, por que ter raiva de vc?" - Perguntei.
As pessoas reagem à frustração de maneiras diferentes: umas xingam, outras se entristecem, outras aceitam e tocam adiante... Ela fica ligando porque não quer cortar a ligação, mas ele não quer manter a ligação com ela e qdo disse isso claramente, deve ter sido horrível dentro dela.

A questão é o lado emocional dela. O meu amigo e a mensagem são apenas focos para onde ela dirige suas reações, qdo a coisa toda é com ela mesma, o que faz diante daquilo que pra ela não deu certo, não funcionou conforme o planejado.
Contei isso porque tem a ver com o tema que estou trabalhando desde o Ano Novo:
Tudo é sobre lidar conosco mesmos.
Convivemos no mundo com pessoas que puxam de dentro de nós o nosso melhor ou o nosso pior. Elas podem fazer isso deliberadamente ou não, mas o fato é que trazem à tona emoções com que temos de lidar.
Por que isso acontece? Porque fazemos parte de um Universo que conspira para nossa evolução. Que não nos quer estacionados.
E como evoluímos? Enfrentando nossos fantasmas e nossas sombras. Trazendo à luz o que está oculto, compreendendo e transformando. (Pelo menos, é assim que vejo - rs.) O que me leva de volta a O Último Samurai.
Quem era o verdadeiro oponente de Nathan Algren (Tom Cruise)? Um homem que é contratado pelo imperador do Japão para combater numa guerra que não é sua, que tem sérios problemas interiores, inclusive alcoolismo, com que conviver, mas que também tem qualidades que não reconhece. O novo cenário e as novas pessoas vão tecendo situações extremas em que aquilo que ele tem realmente dentro de si é mobilizado e colocado em ação. E conforme ele encara os novos desafios, ele se transforma no melhor que pode ser, naquele momento.
Qual é o desafio que estou enfrentando, aqui agora? Como ele mexe nas minhas entranhas, me deixa pensando, me faz sentir coisas? E qual vai ser minha resposta a ele, com td o que já vivi e já conheci até hj?
As vitórias contra os outros podem ser vazias ou até mesmo frustrantes. Posso estabelecer que minha meta, por exemplo, é tirar uma nota melhor que o melhor aluno da sala. Mas isso me deixará satisfeito? Se sim, por quanto tempo? Como sei que ele está na sua melhor condição física e psicológica para ser um oponente à altura? E depois que eu conseguir, o que de fato terei conquistado?



I'll face myself,
To cross out what
I've become.
Erase myself,
And let go of what I've done.
(What I've done, Linkin Park)

sábado, 3 de janeiro de 2009

Tudo é sobre lidar conosco mesmos


Pessoas de corpo pequeno devem saber tudo sobre o que há de grande no espírito, e pessoas de corpo grande devem conhecer bem as pequenas coisas do espírito. Tanto aquele de corpo grande como o de corpo pequeno devem ter o espírito reto, mantê-lo imparcial em relação a si próprio. (O livro dos cinco anéis, M. Musashi; vermelho por Rita)
Eu sempre soube que o espelho nunca mente. (Eyes of a stranger, Queensrÿche)
Palavras não vão me fazer cair. (Beautiful, Christina Aguilera)

O livro dos cinco anéis, que já mencionei aqui antes, do ronin Musashi é, sem dúvida, sobre combate e sobre vencer. Mas... o que combater? Quem vencer?
Estou certa de que é um livro muito procurado porque se imagina encontrar ali maneiras de vencer numa competição, vencer nos negócios, vencer inimigos... numa palavra, vencer um outro. Mas esta é só a primeira metade da biografia de Musashi, a narrativa de suas vitórias contra os outros.
Quando escreve Go Rin No Sho (O livro dos cinco anéis), sua vida havia adquirido outro sentido, outra prioridade, pela percepção na própria experiência de que não adianta apenas treinar o corpo e vencer o outro, se o espírito não é disciplinado, se não houve vitória sobre si mesmo.
Embora pensem ser vencidas pelos outros ou por circunstâncias, o mais comum hoje em dia é as pessoas serem vencidas por sua própria insegurança, por excesso de atenção a comentários alheios desfavoráveis, por verem seus planos frustrados, por perspectivas derrotistas, por se acharem feias, pouco atraentes, incompetentes ou inadeqüadas. Se não resolverem isso tudo dentro de si, como podem pensar em resolver fora?
Isso tb fica muito nítido num de meus filmes preferidos, O Último Samurai. Ali se vê claramente: antes de entrar no combate, o samurai já o viveu inteiro dentro de si mesmo.
Para trabalhar estes conceitos com as crianças, tem um livro excelente que tb já citei aqui: Heróis e guerreiras, quase tudo o que você queria saber, de Heloísa Prieto. Um dos contos fala de Miyamoto Musashi.
"Why am I here? And for how long?" Um verso de Eyes of a Stranger, som que vc ouve num tributo do Black Art ao Queenrÿche, clicando aí embaixo. Why am I here? Para meu combate comigo mesma. Estudando a mim mesma, para saber como agir e vencer. And for how long? Enquanto não encontrar meu verdadeiro oponente e enfrentá-lo.



Discover Black Art!



sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Agora, "Enter Sandman" (o original)

Cat.: Safe (best!) music
Gên.: Heavy Metal
Artista: Metallica
Música: Enter Sandman

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Ouvir esses caras é quase como sexo. Feliz Natal!

Cat.: Safe (best!) music
Gên.: Symphonic Metal
Artista: Apocalyptica
Música: Enter Sandman

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A fonte da verdadeira moral


Acabo voltando a este assunto, a educação moral. Estou sempre falando dele porque me parece ser o cerne da questão educacional e da nossa própria vivência em sociedade.
Sexta-feira a caminho da rádio, Cristina, Paulo Henrique e eu discutíamos a tese do Paulo sobre a possibilidade de uma abordagem científica da moral.
Não se trata, claro, de uma abordagem sociológica nem antropológica, como já se tentou. Não vou expô-la aqui, porque é dele e vai estar no livro dele, quando chegar o momento.
Eu, no entanto, dizia que entender a moral cientificamente era o único meio de compreender a evolução do Espírito como um fato científico, já que evoluir é sobretudo evoluir moralmente. Quer dizer, se a evolução espiritual é um fato passível de apreciação por alguma ciência, ela deve envolver elementos, dados observáveis e mensuráveis objetivamente que se relacionam à mudança moral.
Para que tal concepção faça sentido, vai depender de nossa forma de entender a moral. Pois não se trata mais de seguir prescrições de conduta, de acatar regras impostas de fora simplesmente, mas de uma compreensão das finalidades da ação e das forma de agir, nascida da maturidade do sentimento e da razão.
Importância dos mandamentos
Um código de condutas (como as tábuas de Moisés) pode ser uma boa orientação para um grupo de pessoas ainda sem padrões morais próprios, desenvolvidos de forma autônoma. Mas como fonte principal de ações éticas e morais, individualmente consideradas, o que conta é o grau de evolução alcançado. Ordenações e mandamentos são respeitáveis, mas particulamente não acredito neles como resposta a questões cruciais que envolvem atitudes. Nos momentos mais difíceis, é a maturidade moral que conta e, não, os preceitos.
Fui "católica" até os 12 anos, nada até os 17, e espírita depois disso. Enquanto fui "nada", eu não deixei de fazer o que achava certo, continuei cumprindo o que considerava meus deveres comigo mesma, com minha família, amigos, escola e sociedade. Não era a religião que me orientava, era eu, aquilo que eu trazia como valores adquiridos nas encarnações.
O Espiritismo hoje em dia me ajuda a avaliar minhas escolhas com base numa compreensão profunda e ampla das leis universais. Ele não me convida a simplesmente seguir tais ou quais regras. Este é para mim seu grande valor, do ponto de vista da educação: é o pensamento filosófico-moral mais consistente que encontrei até agora para ajudar-me na melhoria de mim mesma.
Religiões e mudança moral
Não desprezo nenhuma religião em princípio, mas creio que uma religião tem o valor objetivo da ética que ensina e que incentiva a praticar. E tem um valor subjetivo, que é o do significado daquele corpo de crenças para quem as professa.
Muitas pessoas confundem o valor objetivo com o subjetivo e querem que a moral se imponha por força da crença. Que a conduta provenha da obediência.
Bem, muitas vezes agimos por obediência, mas não é esta a fonte principal de nossa conduta moral, é apenas um ponto de apoio.
Religião é opinião (doxa) e, como tal deve ser entedida. As decisões morais, por outro lado, estão além da religião e são existenciais. Elas fazem de nós Espíritos mais ou menos adiantados e, quando transformadas em padrões de comportamento, expressam aquilo que somos espiritualmente perante os outros seres. Como conseqüência, elas estabelecem as afinidades que permitem conviver com criaturas em condições espirituais semelhantes à nossa. Este é um dado objetivamente apreciável da evolução moral, que um dia vai receber atenção da ciência e ajudar a entender tantos processos humanos a que a psicologia e a sociologia hoje não podem ter acesso.
A religião tem seu valor e pode ser entendida como um meio de aprendizado, de convivência social e assimilação de hábitos, mas não é a fonte da moral segundo a compreensão espírita do significado da moralidade. A moral segundo o Espiritismo é modo de agir resultante do grau de desenvolvimento da razão e do sentimento.




"Eles o ensinaram corretamente e no que acreditar
Como viver pelas regras
Todos reprimiram seu coração faminto"
(Against the world, Nocturnal Rites)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Nas garras de uma águia






By Rita Foelker, after Rammstein





Frases me capturam como águias.
Sinto suas garras afundando
nos meus ombros,
para o alto me levando .
Já fui capturada por frases inescapáveis,
versos de músicas,

frases musicais de Jimmy Page...

A verdade é um coro de ventos.
Um coro é formado de vozes
e vozes dizem coisas.
Falam, gemem, protestam.
Movimento da Natureza em harmonia,
que se sente e se ouve,
difícil de descrever.

A verdade pode ser intensa
como um soco no estômago,
um tapa na cara,
pode ser suave como água morna,
assovio de passarinho,
banho na alma.
Tapa na cara, água morna,
a verdade dói e acalma.

É inevitável.
Como garras de águia, inescapável.
Que amor é fundamental na vida, É verdade,
que saudade dói, É verdade,

que medo não protege ninguém de nada, É verdade ,
que há tanto que aprender...

É tudo verdade!

Ninguém precisa provar nada disso, eu apenas sei.

Há verdade em poesias,
em olhares fundos e firmes,
E ainda, para os mais destemidos,
existe a árdua jornada para dentro de si mesmo,
mas cuidado com as armadilhas,
pois há outra direção,
onde os ventos silenciam e grita a ilusão.
Ninguém, ninguém mesmo, está imune.
Ninguém está imune.
Ninguém.

É inevitável.
Como garras de águia, inescapável.
Que amor é fundamental na vida, É verdade,
que saudade dói, É verdade,
que medo não protege ninguém de nada, É verdade ,

que há tanto que aprender...
É tudo verdade!

Ninguém precisa provar nada disso, eu apenas sei.


É tudo verdade!
Não precisa provar,
eu apenas sei.

Die Wahrheit ist ein Chor aus Wind


Frases me capturam como águias, algumas vezes. Sinto suas garras afundando nos meus ombros e me levando para o alto. Já fui capturada por frases de Fernando Pessoa, de Hermann Hesse, de Thoreau... Inescapáveis.
Sou algumas vezes capturada por versos de músicas, como o de Zé Ramalho que dá título ao meu blog.
Já fui capturada por frases musicais de Jimmy Page...
Agora quero viajar com uma de Der Meister, do Rammstein, a que dá o título a este post e que poderia ser traduzida como "a verdade é um coro de ventos".
A imagem do coro de ventos soa muito forte para mim. Primeiro, porque um coro é formado de vozes e vozes dizem coisas. Falam, gemem, protestam. Segundo, porque ela revela o movimento da Natureza em harmonia, algo que se sente e se ouve mas é difícil de descrever exceto em termos de intensidade. A verdade pode ser intensa como um soco no estômago ou um tapa na cara, mas pode ser suave como água morna ou assovio de passarinho. Embora seja sempre verdade, aquilo que É, inevitável. Inescapável como garras de águia.
É verdade que amor é fundamental na vida, É verdade que saudade dói, É verdade que medo não protege ninguém de nada, É verdade que há tanto que aprender... Ninguém precisa me provar nada disso, eu apenas sei.

Há tempos que a filosofia das academias diz ter abandonado a busca da verdade. Hoje, estou inclinada a pensar que a verdade não é e nem pode ser a meta da filosofia, pois não se tem acesso à verdade mediante pensamentos conceituais e palavras. A filosofia pode muito, mas não tudo.
Depois de conhecer o pensamento de J. M. Coetzee em Elizabeth Costello, creio que a verdade, assim como a experiência de ser um morcego ou de ser Beatriz, é possível para quem consegue exercitar sua imaginação simpatizante, submergindo em poesia, ou então para quem não tem medo de olhar fundo e firme nos olhos de alguém, só olhar, e ver o que há por lá. Falando agora sobre isso, uma das versões da capa do álbum Herzeleid (="dor no coração"?) não deixa de ser sugestiva (veja acima, à esquerda)...
Há ainda, para os mais destemidos, a árdua jornada para dentro de si mesmo. Mas, cuidado com as armadilhas, pois a autocondescendência pode sempre levar o desavisado para outra direção, onde os ventos silenciam e grita a ilusão. Ninguém, ninguém mesmo, está imune.

domingo, 23 de novembro de 2008

Lágrimas do dragão

Cat.: Safe (best!) music
Gên.: Metal
Artista: Bruce Dickinson

Música: Tears of the dragon