Este texto inédito vai fazer parte do livro
Famílias Espiritualmente Inteligentes, a sair em breve.
Por Rita Foelker
Crianças cada
vez mais novinhas vêm se interessando pelos dispositivos móveis (tablets e smartphones), uma nova forma de brinquedo tecnológico repleto de
possibilidades interessantes para elas, principalmente, recreativas.
Os pais têm
utilizado esse amplo interesse para distrair os filhos, papel que anteriormente
foi ocupado pela televisão, nos lares, e com vantagens, pois os mobiles também andam dentro do carro e
vão a toda parte.
Embora às vezes
se fale do seu potencial educativo, ao contrário do que pode parecer, eles são bastante limitados quanto ao tipo de aprendizado que oferecem, em geral, mecânico
e repetitivo, para os pequenos.
Mas se estiver pensando
em dar um dispositivo desses de presente, lembre-se de que eles são caros e
frágeis, como brinquedos e, portanto prepare-se para não enlouquecer se a
criança perdê-lo ou derrubá-lo.
Uma das
alegações comuns de certos pais para oferecerem esses objetos – até aos bebês
–, é de que os filhos precisam aprender a conviver desde cedo com a tecnologia
que estará presente no seu futuro. Parece ser um meio de torná-los mais
competitivos, a médio e longo prazo. Será real, essa expectativa?...
Penso que nós
não podemos ter certeza sobre como será o mundo no qual nossas crianças irão
viver, porque as mudanças tecnológicas e sociais se aceleram e, mesmo nós,
adultos na atualidade, dificilmente imaginamos anteriormente o modo como
vivemos hoje. Quem de nós realmente previu que estaria onde está hoje, fazendo
o que faz, da forma como faz?
O que notamos no
meio social urbano é que os mais adaptáveis vêm sendo os sobreviventes. Os que
não alcançam a velocidade das mudanças, nem aprendem a conviver harmonicamente
com ela, desenvolvem neuroses, psicoses, distúrbios de comportamento diversos
ou até se extinguem, numa analogia com a teoria darwiniana da seleção das
espécies.
Diante desse
quadro, creio que ajudaríamos mais aos nossos filhos oferecendo-lhe ferramentas
psicológicas (incentivando ao uso da criatividade, flexibilidade, determinação,
respeito, iniciativa) que presenteando com objetos que tornam-se obsoletos em
menos de um ano.
Além do mais, se a meta é preparar para o
futuro, não é o caso de orientá-los também para o uso consciente da água, para
a reciclagem e o descarte adequado dos produtos que não serão mais usados?
Não lhes
propiciaríamos, desse modo um conhecimento mais importante?
Não é o caso também
de pensarmos seriamente em exemplificar bons valores e condutas éticas, para
que eles possam aprender e aplicar, em suas vidas, na resolução dos seus
problemas, na sua profissão e vida familiar?
Ideias práticas para pais
Uma das dúvidas
paternas e maternas é sobre se passar muito tempo com mobiles pode ser prejudicial à saúde física e psicológica. Os especialistas
têm opiniões distintas, mas, falando em termos de realidade cotidiana e de bom
senso, parece-me que é uma questão de frequência, visto que todo exagero é
ruim. Com a TV já era desse jeito.
Observemos se o
dispositivo não se torna a principal atividade diária da criança, porque também
é importante que haja tempo disponível para brincadeiras mais ativas, com mais
movimento e maior uso da imaginação. É fundamental que ela não se veja alienada
da família e dos amiguinhos em função das muitas horas que passa nas distrações
virtuais.
Outro aspecto essencial
da questão é que a oportunidade de acesso à internet, sem supervisão adulta,
cria condições para o estabelecimento de relacionamentos eventualmente
perigosos e percepção de conteúdos inadequados para a idade. Portanto, acompanhamento
de um adulto para as suas atividades se torna importantíssimo e questões de
segurança precisam se tornar tema de conversa com os filhos.
Oriente as
crianças maiorzinhas, que já estão fazendo seus próprios mergulhos na rede, para
protegerem a si mesmas, a família, os amigos, resguardando as informações que
não devem ser compartilhadas. Para não compartilharem informações de cuja
procedência não têm certeza. Para não promoverem, participarem de e nem
incentivarem bullying digital. Oriente-as
para desligarem seus mobiles em
momentos como refeições, aulas e outras situações de convivência social em que
utilizá-los se torne inconveniente.
Ah! E dê o
exemplo!