quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Presentes

Por Rita Foelker

Qual é o melhor presente?
O mais caro?
O mais raro e difícil de conseguir? Nada!
O melhor presente é aquele que faz seu coração pular de alegria.
O melhor presente é aquele que entende o seu jeito.
O melhor presente é aquele que vem de uma sincera afeição.
Seja ele visível, ou não!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Alívio

Por Rita Foelker

Sorrisos são importantes. Em situações difíceis, uma dose de humor faz diferença. Dilui tensões, abre possibilidades que estão vetadas, com cara amarrada.

E a vida providencia outros alívios para nossas dores: uma canção querida, um abraço com ombro amigo incluso, uma cadeira de frente para o jardim, gelo para as contusões físicas, companhia ou quietude para contusões emocionais.

E ainda bem que é assim, porque a coisa toda poderia ser muito pior sem o alívio que se experimenta desse modo.

O que não dá é pra gente se viciar no que alivia, sem buscar resolver a questão. Continuar com a droga que ameniza a dor, sem descobrir o que faz doer e se curar, a não ser que a coisa toda tenha atingido um ponto tal, em que só se pode aplicar aquelas doses de morfina que fazem a vida doer menos, enquanto se espera morrer...

Talvez grande parte das ações e comportamentos humanos, nessa sociedade urbana em que vivemos, já seja feita de tentativas de aliviar, de contornar o problema, em lugar de resolver. Comprar demais, comer demais, beber demais, jogar videogames demais, transar demais, trabalhar demais...

Talvez a gente esteja se habituando a viver com o que incomoda, usando um jeito de enganar o sofrimento (enganar-se a si mesmo), em lugar de realmente mudar o que é preciso.

Mas desejo que a gente ainda tenha canções, sorrisos, ombros, cadeiras no jardim e todas essas preciosas bênçãos que nos fazem aguentar, até a mudança fundamental - nosso crescimento espiritual - começar a fazer efeito.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Crianças e tecnologia













Este texto inédito vai fazer parte do livro Famílias Espiritualmente Inteligentes, a sair em breve.

Por Rita Foelker


Crianças cada vez mais novinhas vêm se interessando pelos dispositivos móveis (tablets e smartphones), uma nova forma de brinquedo tecnológico repleto de possibilidades interessantes para elas, principalmente, recreativas.  

Os pais têm utilizado esse amplo interesse para distrair os filhos, papel que anteriormente foi ocupado pela televisão, nos lares, e com vantagens, pois os mobiles também andam dentro do carro e vão a toda parte.

Embora às vezes se fale do seu potencial educativo, ao contrário do que pode parecer, eles são bastante limitados quanto ao tipo de aprendizado que oferecem, em geral, mecânico e repetitivo, para os pequenos.

Mas se estiver pensando em dar um dispositivo desses de presente, lembre-se de que eles são caros e frágeis, como brinquedos e, portanto prepare-se para não enlouquecer se a criança perdê-lo ou derrubá-lo.

Uma das alegações comuns de certos pais para oferecerem esses objetos – até aos bebês –, é de que os filhos precisam aprender a conviver desde cedo com a tecnologia que estará presente no seu futuro. Parece ser um meio de torná-los mais competitivos, a médio e longo prazo. Será real, essa expectativa?...

Penso que nós não podemos ter certeza sobre como será o mundo no qual nossas crianças irão viver, porque as mudanças tecnológicas e sociais se aceleram e, mesmo nós, adultos na atualidade, dificilmente imaginamos anteriormente o modo como vivemos hoje. Quem de nós realmente previu que estaria onde está hoje, fazendo o que faz, da forma como faz?

O que notamos no meio social urbano é que os mais adaptáveis vêm sendo os sobreviventes. Os que não alcançam a velocidade das mudanças, nem aprendem a conviver harmonicamente com ela, desenvolvem neuroses, psicoses, distúrbios de comportamento diversos ou até se extinguem, numa analogia com a teoria darwiniana da seleção das espécies.

Diante desse quadro, creio que ajudaríamos mais aos nossos filhos oferecendo-lhe ferramentas psicológicas (incentivando ao uso da criatividade, flexibilidade, determinação, respeito, iniciativa) que presenteando com objetos que tornam-se obsoletos em menos de um ano.

Além do mais, se a meta é preparar para o futuro, não é o caso de orientá-los também para o uso consciente da água, para a reciclagem e o descarte adequado dos produtos que não serão mais usados?

Não lhes propiciaríamos, desse modo um conhecimento mais importante?

Não é o caso também de pensarmos seriamente em exemplificar bons valores e condutas éticas, para que eles possam aprender e aplicar, em suas vidas, na resolução dos seus problemas, na sua profissão e vida familiar?

Ideias práticas para pais

Uma das dúvidas paternas e maternas é sobre se passar muito tempo com mobiles pode ser prejudicial à saúde física e psicológica. Os especialistas têm opiniões distintas, mas, falando em termos de realidade cotidiana e de bom senso, parece-me que é uma questão de frequência, visto que todo exagero é ruim. Com a TV já era desse jeito.

Observemos se o dispositivo não se torna a principal atividade diária da criança, porque também é importante que haja tempo disponível para brincadeiras mais ativas, com mais movimento e maior uso da imaginação. É fundamental que ela não se veja alienada da família e dos amiguinhos em função das muitas horas que passa nas distrações virtuais.

Outro aspecto essencial da questão é que a oportunidade de acesso à internet, sem supervisão adulta, cria condições para o estabelecimento de relacionamentos eventualmente perigosos e percepção de conteúdos inadequados para a idade. Portanto, acompanhamento de um adulto para as suas atividades se torna importantíssimo e questões de segurança precisam se tornar tema de conversa com os filhos.

Oriente as crianças maiorzinhas, que já estão fazendo seus próprios mergulhos na rede, para protegerem a si mesmas, a família, os amigos, resguardando as informações que não devem ser compartilhadas. Para não compartilharem informações de cuja procedência não têm certeza. Para não promoverem, participarem de e nem incentivarem bullying digital. Oriente-as para desligarem seus mobiles em momentos como refeições, aulas e outras situações de convivência social em que utilizá-los se torne inconveniente.

Ah! E dê o exemplo!