domingo, 19 de outubro de 2008

"Foi bom pra vcs?"


A frase da Rosana, dirigida ao público, após a minha palestra hj cedo na Seara Bendita em Sampa, tava bem no espírito do post Eu sou foda?. Pensei que não ia curtir fazer, porque não ando mais mto a fim de falar de "crianças índigo". Sinto que já disse td que queria sobre isso. Mas o debate acabou sendo mto legal e eu curti, especialmente porque não fui lá pra ser dona da verdade, mas para apresentar informações e expor meu ponto de vista, colocá-lo em discussão.

Foi bom pra mim, e a partir daí tô pensentindo a falta de gozo na vida. Tô pensentindo o que aprendemos sobre prazer que nos afasta dele.

Essa semana foi pesadona pra mim, mas não sem prazer. A matéria de capa da Universo Espírita 59 teve todos os indícios de ser uma encomenda dos Espíritos. Tô acostumada a lidar com isso no meu trabalho de escritora e, se o assunto até me deixou meio mal, por um lado, por outro lado AMEI ter participado dela. Tô exatamente agora ouvindo uma música maravilhosa, do Apocalyptica, o que multiplica meu tesão de escrever.

Tô pensentindo que o apego a estereótipos desconecta a gente do prazer de viver. Por exemplo, por que não posso ter um orgasmo fazendo uma palestra, dançando uma música ou vendo um pôr-do-sol? Acredito que a gente se programa pra certos prazeres esperados e anunciados na mídia, na cultura, e fica impermeável a outros porque não se permite penetrar no momento apenas, sem pensar, sem esperar, apenas sentindo.

Até na sedução e no sexo, mto se perde do tesão. Tem um lance com as pessoas que não abre espaço pra trazer de dentro o que sentem meeesmo vontade de fazer com o parceiro, e faz atender a modelos em lugar de ser si mesmas. Então ficam fazendo gestos de carinho que são vazios, ou caras e bocas sexies, pra dizer que tão querendo a outra pessoa. Mas isso vem de fora na maioria das vezes e é viver um modelo aprendido culturamente em lugar de ir buscar no fundo da gente o que se sente e deseja.

E vc, o que sente?

8 comentários:

LudeusA disse...

Nooossa!!!...caras e bocas sexies, pra dizer que tão querendo a outra pessoa...Essa atingiu o âmago...Ai!

Anônimo disse...

no ciooo??? agora vai hem ta chegando a hora

rita disse...

Oi, ludeusa.
Valeu pelo comment.
Sabe que tem dois jeitos de negar o prazer de viver a sexualidade? Um deles é esconder, viver como se não existisse ou não fizesse falta. O outro é transformar tudo em malícia, dar duplo sentido a todas as frases, dar uma de "garanhão"... Eu pergunto, entre esses dois extremos, onde fica a faixa da naturalidade?
ivani, qual hora tá chegando mm? Devo ter perdido algum pedaço do raciocínio...

Lucia Fontes disse...

Uma pessoa vive, durante muitos anos, reprimindo algo dentro dela. Quando se dá conta que andou "presa de si própria" resolve soltar a franga e parte para o outro extremo. Isso é algo muito comum, atinge a todos sem restrição de sexo, idade, nível escolar e nível social. A faixa da naturalidade é atingida quando a pessoa consegue lidar bem com os dois extremos. Penso que é preciso ter vivido os dois extremos para saber alcançar o equilíbrio, e isso só vem com o tempo...

rita disse...

Então, Lúcia, concordo com vc. Mas tô na situação do passageiro do trem de que falei no post "Coisas que eu sei...". Não sei se tô andando ou parada. Não sei se tô no extremo ou no meio. Tô curtindo ler Reich e isso tem a ver. Bj.

Anônimo disse...

todos nós passamos um tempo "no cio" muito natural e você deve saber que está e também como quer e é ótimo tudo isso, a "naturalidade" não precisa dessa fase do "cio ou desejo absurdo" simplesmente vc tem sexo porque faz parte do seu cotidiano, da sua escolha, ou do vínculo que construiu e do quanto desejou que fosse exatamente assim.

rita disse...

Obrigada por pensar mais comprido, Ivani.
Pra mim, a questão aqui é que a energia sexual é também a energia vital num modo específico. Meu interesse em estudar Reich vem daí, de como viver com mais qualidade e mais saúde.
Agora, a vida tem fases diferentes, inclusive com respeito ao desejo sexual, mas o importante é não negar que sexo é vida e que vida é vida, em nome de um falso conceito de moralidade e santidade. Abs.

Anônimo disse...

Novo livro da Ermance Dufaux, PRAZER DE VIVER.

Pode esclarecer algumas coisas sobre isso. Os efeitos colaterais de um talento enterrado. Pessoas viciadas em sexo, pensam que o problema é de falta de sexo mas na verdade a pseudonecessidade por sexo é nada mais do que uma valvula de escape pela vocação repimrida.