segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O lugar da educação segundo o Espiritismo


O professor de pedagogia pode estar muito distante de ser um professor pedagógico. (...) A distinção insuficiente entre capacidade teórica e prática em matéria educativa , representa um papel essencial no problema da preparação do mestre. [grifos nossos] (...) Alcançamos isso ao falar de Pestalozzi como educador do povo. Então pensamos (...) no educador ativo, que por sua capacidade especial não faz senão consagrar sua vida à ação pedagógica. Assim, encontramos na própria natureza do educador como na do homem que, não somente influi no ser de seus semelhantes ou sucessores, criando neles determinados valores culturais, como também possui, ainda, uma certa inclinação de sentido prático para mantê-los em atividade. Talvez pudéssemos pensar em encontrar a imagem pura da alma do educador, levando a cabo uma análise da incomparável personalidade de Pestalozzi, sua vida e suas obras. (Trecho de A alma do educador e o problema da formação do professor, de Georg Kerschensteiner)


Kerschenteiner, um dos autores citados por Herculano Pires em seu Pedagogia Espírita, foi um discípulo de Pestalozzi que muito compreendeu de seu pensamento.

Não se duvida d q a educação precisa de teoria e prática, e personalidades mais inclinadas a um ou outro tipo de atuação. Ultimamente, por exemplo, tô me sentindo mais teórica, o q não quer dizer q amanhã não comece a colocar em prática, entre educadores ou entre crianças e adolescentes, o q tenho escrito.

Mas na mistura de coisas q creio importantes de serem compartilhadas aqui, uma delas é q o perfil do educador espírita não carece de diplomas universitários nem de distinções acadêmicas, como pode muitas vezes parecer. Quem precisa desses títulos é esse mundo do presente, que queremos ver um dia dar lugar ao mundo do futuro, onde os princípios pedagógicos e morais exemplificados por Jesus de fato aconteçam. Pestalozzi não cursou a universidade.

A formação do educador espírita, primeiro, precisaria obedecer à sua vocação. É muito triste ver um professor que não tem nada a ver com crianças ou idéias pedagógicas dando aulas só pelo salário, triste para ele e para os alunos. Por outro lado, tenho encontrado pessoas q depois de se dedicarem por muito tempo a uma profissão burocrática ou ao comércio, revelam uma profunda compreensão dos problemas e caminhos para uma educação melhor e mais efetiva, e começam a trabalhar nisso como voluntários. Não fizeram faculdades, no entanto disponibilizam sua cabeça, seu coração e suas mãos, e parecem saber naturalmente o que fazer.

Não estou menosprezando a universidade. O Espiritismo pode ter um lugar na universidade? Claro, por que não?! Mas ele precisa necessariamente desse lugar? Duvido.

A universidade representa um modelo antigo de fazer educação, com resultados questionáveis. Representa o triunfo da teoria sobre a prática. Representa freqüentemente aquilo q nós espíritas queremos ver superado por outras formas de prática pedagógica, por uma educação ativa, afetiva, natural, que leve em conta intelecto, sentimento e habilidades. Querer fazer pedagogia espírita na universidade, como ela está configurada hj, é o mesmo q querer fazer medicina espírita num hospital convencional. Ora, a medicina espírita não precisa de bisturis, suturas, medicamentos, equipamentos hospitalares e pode ser praticada onde haja vocação, conhecimento e boa-vontade. O mesmo se aplica à educação segundo o Espiritismo.

3 comentários:

Lucia Fontes disse...

Bravo! Mas ainda fico sentindo a necessidade de tirar rótulos. Se tirarmos a palavra 'espírita' de todos esses conceitos, abriremos um guarda-chuva ainda maior, que beneficiará toda e qualquer pessoa, independente de suas crenças religiosas. Por que destinar os benefícios de uma educação cabeça, coração e mãos apenas aos espíritas? Não estamos aplicando um certo preconceito? Se vamos nos propor a educar, do latim ex (para fora) e ducere (conduzir), que tal começarmos pelo exemplo da não-separação entre espíritas e o 'resto do mundo'? Vejo essa educação de uma maneira global. Não é negar a filosofia espírita, mas dar chance para que as crianças sejam estimuladas a pensar por si próprias antes de apresentar a elas uma ou outra doutrina. É confiar que, a partir dessa educação, elas possam decidir por elas mesmas o que seguir, de acordo com seus corações, suas cabeças e suas mãos.

rita disse...

Concordo com o que vc diz, sobre evitar chocar-se com idéias preconcebidas acerca do Espiritismo. Mas tb me pergunto se o fato de ser "segundo o Espiritismo" não é uma identidade, algo que nos filia a uma concepção do educando e da metolologia adotada. Estou pensentindo... Brigaduu.

Junara disse...

Ois. Pessoalmente questiono um pouco essa questão de escola espírita, universidade espírita, colégio espírita. O Espiritismo é uma opção, não é uma padronização. Uma educação mais espiritualizada, aí é outra coisa, você abrange mais como Lux disse. O Espírita é um cidadão com outro qualquer que tém a sua crença ou filosofia de vida como quiserem, ou até sua religião interior, o Espírita vive no mundo sem impor sua fé, mas infuencia pelo exemplo, muito mais prática do que teoria. Acredito que todo espírita é um educador no dia-a-dia. Mas deixemos o papel da teoria acadêmica aos acadêmicos.