quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Somos de fato melhores que os bichos?

Ao ato de pensar, à cogitação, oponho a plenitude.
A frase é da protagonista de Elizabeth Costello, um romance filosófico de J. M. Coetzee. (Não, Beto, romance filosófico não é fazer amor na caverna do Platão – rsrs – mas vc me fez rir - vlw.) Assisti a uma conferência sobre ele, ontem, adorei os trechos q ouvi e queria saber mais. Alguém leu?
O livro faz pensar acerca do que dá ao ser humano o direito de dispor dos animais como se fossem objetos. No inglês se usa she ou he pras pessoas, mas it pros bichos, como fossem coisas como lápis e xícaras.
Costello entende que um dos pressupostos desse direito auto-atribuído, de fazer com a Natureza o que se queira, está na metafísica escolástica. Na filosofia de Tomás de Aquino, seu principal pensador, a essência de Deus é a razão e só o homem participa dessa essência divina, colocando-se em situação privilegiada perante as outras criaturas e com direitos sobre elas.
Outro pressuposto é o pensamento de Descartes... Bem, era uma conferência pra candidatos a filósofos, lembram?
Aonde essa filosofia td tem nos levado é algo a se considerar.
Mas a questão que o livro suscita tem profundas implicações éticas: a "Razão", aquilo que dizem que nos distingue dos animais, torna-nos realmente superiores? Na prática ou na essência?
Será que na prática estamos nos saindo melhor no mundo que eles? Pergunto isso porque, como espírita, preciso discordar de Tomás nesse aspecto da essência. Pois sei que somos todos feitos da mesma essência espiritual em diferentes momentos evolutivos, não somos nem piores, nem melhores, somos irmãos como bem ensinou Francisco de Assis.

Fico pensando. Pensentindo, porque só pensar sobre isso não basta. A filosofia, segundo Elizabeth, não tem nos levado a um lugar melhor até o momento. Ela diz que devíamos tentar o caminho da poesia.

3 comentários:

Beto Samu disse...

tá... eu faço o coment. Então acho q a pergunta poderia ser: São os animais de fato melhores q os homens? Acho q sim,pois se tirarmos muitas das espécies do planeta, veremos q e desequilibrio se instaura, como é o caso da abelha q poliniza os alimentos... mas, se tirarmos o homem... quem vai sentir falta? Além do que as vacas, baby berefs, galinhas, porcos e foie gras vão fazer festa...

LudeusA disse...

O Homem faz parte da natureza, vã filosofia pensar que ele é MAIS. À medida que o homem se sente superior ele se afasta e se perde cada vez mais...Ah! essa MENTE...como ela mente...

Lucia Fontes disse...

Ritoca, você como filósofa prestes a se formar, concorda com o que a Elizabeth fala, que a filosofia não tem nos levado a um lugar melhor até o momento? Você sabe que eu tenho aquela 'filosofia' prática, de fazer no lugar de ficar lendo e escrevendo teoria, mas não seria capaz de fazer a afirmação que ela faz. De qualquer forma, concordo com você quando discorda (risos!) de Tomás de Aquino, não temos o direito de dispor dos animais da forma que quisermos, não temos direitos sobre eles. Penso que não somos racionais. Ou, talvez, sejamos racionais, mas razão sozinha não serve de nada. O negócio é o que você fala: pensentir. Talvez a filosofia não tenha nos levado a um lugar melhor até o momento porque só pensa, não sente. Falei bobagem? Inteligência sem sentimento é como uma caixa de presente sem nada dentro...