quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A grande credencial


Por Calunga/Rita Foelker, em 25/02/09
Títulos e cargos são coisas que as pessoas costumam prezar demais. São capazes de formar todo um perfil de um ser humano só de saber que o Fulano é médico ou advogado, ou conde.
Por causa disso, formalidades e rapapés são comuns no mundo em que ocêis vivem. Gente que se acha menos querendo estar perto de quem pensa que é mais, gente que quer tirar uma casquinha do status social do outro se aproximando dele...
Mas aqui, isso num conta não. Ocê ter sido um rei na Terra não quer dizer muita coisa do lado de cá. Então, é bobagem ocêis ficarem curiosos pra saber o que Dom Pedro I ou a Princesa Isabel tão fazendo por aqui, porque cada um deles é só mais um.
Aqui só tem uma coisa de valor, que serve de credencial na vida maior: é a capacidade de servir. É assim que ocê se destaca, mas se destaca para o serviço - não para as honras!! Ocê é reconhecido, sim, mas pelo amor e pelas obras.
Ocêis devia tentar. É claro que não tem espaço pra vagabundagem nesse sistema, nem pra auferir ganhos indevidos, duas coisas que o povo aí muitas vezes ainda aprecia e espera conseguir. Mas em compensação, nesse sistema, quando ocê cresce, cresce de verdade, e o que você conquista nunca ninguém em lugar nenhum vai poder tirar docê. Afinal, num vale mais a pena?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A vida sempre foi espiritual e material 2

Por Calunga/Rita Foelker, em 24/02/09
Os prejuízos da atitude egoísta foram muitos. É só olhar os males do que ocêis chamam de "civilização".
Os índios não enfrentam isso. Não porque são "atrasados" (como muitos dizem), mas porque não perderam o contato com a verdadeira natureza da vida, não como ocêis perderam.
A escala dos valores é outra pra eles. E eles são livres no mundo deles, que é a grande Criação Perfeita do Cosmo, enquanto que aqueles que pensavam poder deixar a espiritualidade de fora, o que fizeram mesmo foi se trancar numa prisão: a prisão da vida só material.
Ocêis que, por um lado, se acham donos do mundo, por outro, também se sentem presos. Limitados. Alguma coisa falta na vida docêis, que não sabem o que é.
Eu vou dizer o que é: falta vida!! Vida verdadeira, não corrida por dinheiro, corrida por afeto, corrida por poder, que é o que a vida docêis virou quando perdeu o contato com o espiritual.
Ocêis que fizeram essa escolha eram livres pra fazer, e os Espíritos não podiam se intrometer sem agir contra a Lei. E os Espíritos entenderam que só podiam aguardar um outro tempo, onde suas palavras fossem mais bem-vindas.
Quando a prisão ficou insuportável, teve aqueles que se acomodaram e tentaram viver nos limites dela, achando que a prisão era toda a verdade que existe. Mas teve aqueles que tentaram sair de qualquer jeito, sair pela porta dos fundos, pelo túnel escavado no chão, pelo vão da grade, sair pela via das drogas, das bebedeiras, do sexo compulsivo...
Só que, se ninguém precisa ficar preso, ninguém precisa fugir como um bandido! Porque a chave da porta está aqui: a vida sempre foi espiritual e material e só você pode juntar as duas dentro do seu coração e das suas ações, do seu entendimento e da sua fé. A prisão tá na sua forma de entender as coisas, e você pode modificar isso, abrindo a porta, juntando as duas e saindo pra respirar o ar da liberdade.
Quando nós ensinamos os homens a ampliar a consciência usando métodos diversos, era para o encontro com a verdade, a verdade de si mesmos e a verdade da Criação, já que as duas são a mesma coisa. Quem sabia, e realmente queria, teve esse encontro com as mais profundas realidades. E muito do que ocêis estudam hoje como revelações dos chamados "grandes mestres" veio desses estados.
Mas quando seu propósito é o de fugir, fugir da realidade, fugir de si mesmo, sem reconhecimento do lado espiritual, aí não tem aprendizado, só alienação. Essa procura é grande, veja a estatística do consumo de todo tipo de droga e de compulsão.
E isso é fácil de entender: quando uma alma resolve que é tempo de fazer um esforço consciente de evolução, aqueles mais adiantados vêem em seu auxílio, eles são muitos e já estão nessa corrente que se ajuda reciprocamente a caminhar. Então, o esforço do aprendiz é contemplado com a presença do mestre. Quando, porém, o ser procura somente as fugas, ele só fica perdido em si mesmo, cuidado como um doente mental no hospital do Universo. Um estado temporário que depende exclusivamente de cada um querer sair.
Taí, a civilização e suas mazelas... Tá certo: ocêis tavam experimentando os benefícios do progresso intelectual. Agora, conhecem os males do progresso intelectual sem o contraponto da moral.
E só o conhecimento espiritual dá base firme pra moral, pra escolha dos comportamentos melhores. Então tá na hora de entender que os dois - moral e intelectual - precisam andar juntos, como as duas asas da figura proposta por Emmanuel, pra que se possa realmente sair da gaiola e alçar grandes vôos.
Agora, ocêis já podem reconhecer que têm o que aprender também com os índios e que eles vão ensinar ocêis com todo o amor que já tá na alma deles. Eles sempre viveram essas duas vidas, a espiritual e a material, como se fosse um só, o que ocêis a maior parte das vezes não sabem fazer.
Se ocêis caminharam muito na intelectualiadade, são ainda tão crianças na compreensão das grandes verdades! Mas não precisam continuar vivendo uma vida parcial, numa compreensão somente parcial de si mesmos. Então, tá na hora de se por um pouco mais humildes e, sem abandonar o que já conhecem, perceber o muito que ainda falta aprender, com os simples e sábios.
Tá aí também uma grande lição, ocêis já queriam ser alunos diretos de um grande mestre, de um Buda, de um Krishna, de um Jesus? Num é bem assim, não. Primeiro têm de aprender a lição dos índios, daqueles que ocêis desprezaram e chamaram de ignorantes. Eis porque em muitos casos as pessoas estão se voltando para os xamãs, redescobrindo a conexão consigo mesmos e com o Universo pelas danças e o uso das ervas. Se esse é o caminho que se mostra para você, não resista, resistência é orgulho. O xamanismo pode ser um caminho de grande aprendizado e o proveito vai depender do caminhante.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A vida sempre foi espiritual e material

Por Calunga/Rita Foelker, em 23/02/09

Os Espíritos do bem sempre tentaram ajudar a Humanidade, porque a vida sempre foi espiritual e material, sempre foi...

Em outros tempos e lugares, não se via separação. Ocê tava aí e aqui, cada hora num lugar, e as fronteiras eram muito leves.

A gente queria ajudar, e tinha também os que queriam atrapalhar, o que no fundo também é ajudar de um jeito desagradáver.

Mas desde o começo os Espíritos viram as criaturas encarnadas lidando com as adversidades do mundo, precisando de orientação, precisando de cura. E assim, eles resolveram colaborar, simplesmente pela bondade que já tinham no seu coração e pelo conhecimento das encarnações que tinham vivido. Em geral, eram os antepassados de cada povo, de cada tribo, reconhecendo ali seus descendentes, sua família, seus amigos carecendo de instrução e tratamento pra saúde.

E o Criador permitia, quando o impulso desses seres era o amor verdadeiro.

Vivemos assim por muito tempo. Os Espíritos ensinaram aqueles que tinham capacidade natural de os perceber a usarem o que aprendiam com eles para o bem do povo. Na África, na América, na Oceania, na Ásia e na Europa, de acordo com o que crescia em cada região, ensinaram a usar as ervas, que eram os recursos que eles tinham, pra cuidar das doenças de toda sorte. Ensinaram as plantas que facilitavam o contato com o astrar, e o seu preparo, tudo na intenção da melhoria de cada ser. Nesse tempo e lugar, os mundos material e espiritual viviam em harmonia e interação, num estado perfeitamente natural.

Mas a civilização evoluiu, mecanizou-se, distanciou-se da Natureza (que é também a própria natureza de cada um de nós). E os homens fecharam a porta entre nós, fecharam do lado daí. Chamaram o povo que acreditava em nóis de "primitivo", a fé na espiritualidade de "crendice ignorante".

Construíram um mundo egoísta pra viver só eles, onde não tinha espaço pra nóis. Porque os homens de repente viraram um seres muito espaçosos (risos). Foram assumindo a posse de tudo e confiando na posse, em lugar de confiar na vida. Uns assumiram que só eles tinham a chave do Reino de Deus, e que ocê precisava deles pra alcançar o bem e a felicidade, o contato com as forças espirituais, os santos e anjos.

Os primeiros, aqueles que acreditavam em nós desde o princípio, eram diferentes, não tinham sede de possuir, sentiam-se possuídos pelo bem espalhado na Natureza e tocavam suas existências. E os amigos espirituais eram apenas parte disso tudo. Foi pra eles que ensinamos o contato conosco, para seu desenvolvimento e aprendizado.

Quando você chama a crença nos Espíritos de "crendice", está apenas reproduzindo um preconceito de "séculos seculorum" (risos), nascido do egoísmo. Quando você chama a esperança de contato com eles de ingenuidade, você está apenas assumindo a arrogância daqueles que um dia fecharam a porta e sonharam esconder a chave.

O que eles não sabem é que o mundo espiritual tem infinitas portas. E que todos são convidados, como no banquete da parábola. Uns aceitam, outros não.

O mundo espiritual preexiste e sobrevive a tudo isso, enquanto os preconceitos um dia acabam. Agora, ocê pensa: quer se fechar num preconceito medieval ou positivista, ou quer se atualizar um pouco, entendendo a realidade atemporal que circunda todos nós desde antes desse mundo ser mundo? Como em tantas outras coisas, a escolha é sua.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

A energia da solução


Por Calunga/Rita Foelker, em 22/02/09

A raiva é um bicho que mora dentro docê. E a raiva trancada muito tempo é um bicho medonho. Ocê às vezes vai achar ele feio, vai brigar com ele, mas não vai adiantar: ele é seu e mora aí dentro.
Ele não era pra ser feio. Era um animal de luta, de ação. A força de reação imediata, a energia da solução.
Mas em vez de reagir, de resolver o que incomoda, de falar do que sente, de agir conforme a necessidade da situação, se ocê num faz nada, o bicho engaiolado vai ficando feroz... Vai se transformando numa fera que mora dentro da sua casa, contida. Urrando no porão do inconsciente. Sem ser ouvida. Te devora por dentro. E um dia te bota doente...
O que ocê vai fazer com esse bicho feroz?
Brigar com ele num adianta. Ele ganha força com a raiva que ocê sente e cresce mais ainda. Vai virar uma coisa intoleráver.
Rir dele melhora, mas cuidado, não subestime o poder dele se regenerar em novas situações e de reaparecer no cenário do seu cotidiano.
Ignorar é devolver ele pro porão. Volta tudo a ser o que era.
Sabe o que ocê tem de fazer com um bicho brabo que mora na sua casa e que já amolou o suficiente? Abrir mão dele. Soltar na mata. Se ocê abrir a porta e deixar ele sair, e se não botar mais comida pra ele, ele vai embora e num vorta mais. Mas ocê tem de querer fazer isso, ter a coragem de abrir mão da falsa impressão de força e poder que um bicho desse em casa dá, pra afugentar os intrusos.
Afinar de contas, eu num tô falando de sortar o bicho em cima dos outros... Pare de usar ele pra evitar fazer o que é serviço seu, ponha ordem no seu canto!
A força que você precisa é a da paz em si. A paz de portas firmes e janelas abertas, e onde só entra o amor, o bem e a luz, pela sintonia com os poderes maiores do Universo.
Então, não deixe a raiva deitar moradia dentro docê. Ela existe pra ser passageira. Resolva cada coisa a seu tempo. Não guarde, não protele, não finja. Ative a energia da solução e viva serenamente os desafios da jornada terrena.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Unsafe Music: Diga que me ama

Cat.: Unsafe music
Gên.: MPB
Artista: Vania Abreu
Música: Diga que me ama

(Pra lembrar...)

sábado, 14 de fevereiro de 2009




Outra hora eu falo dela...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Para viver um grande amor


Vinicius de Moraes

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavaleiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.

_____
Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O genial Newton de William Blake


Domingo descobri na internet o Newton (1795) de William Blake.
Ontem voltei a buscá-lo pra mostrar pro Paulo Henrique e a imagem do quadro se estampou na minha mente. Logo de cara, não enxerguei nada além de um homem nu desenhando no chão com um compasso e me perguntei por que representar Isaac Newton dessa forma.
Pouco tempo depois, porém, estava voltando de Sampa para Jundiaí, olhando a paisagem pela janela do trem, quando uma enxurrada de idéias engoliu meus pensamentos. E em instantes, era como se eu entendesse tudo.
Eram símbolos!!!
A nudez - A autenticidade de ser si mesmo e mostrar-se como é, sem subterfúgios.
O corpo curvado para o chão - A atitude do estudioso humilde que se curva perante a sabedoria insondável manifesta do Universo.
O compasso - A capacidade humana de medir e conhecer o Universo, talvez seja ele a razão, talvez o intelecto, talvez o próprio conhecimento.
O pé direito à frente do esquerdo - O andar reto, seguir pelo bom caminho tanto da moral, quanto da razão.
O desenhar sobre o chão - O conhecimento deve firmar-se sobre a base mais sólida e segura que existe, buscando apoio na experiência e na razão.
O triângulo equilátero formado pelo compasso e a linha traçada no papel - O equilíbrio perfeito de forças presentes no Universo: pode ser Deus, unidade e diversidade; ou Deus, espírito e matéria, ou...
Obs.: Notar que o mesmo triângulo está voltado para cima - A ciência que Newton propõe busca elevar o homem, fazê-lo atingir o seu melhor constantemente, ela aponta para o alto.
O rolo de tecido imitando a coluna jônica, numa referência à arquitetura - Nossos esforços de aprendizado se desenham sobre a perfeita arquitetura das leis universais.
O dedo apontando para a base do triângulo - sem base sólida não há construção segura de conhecimento. Este é o ponto de partida, o chão, e sobre ele se apóiam a ponta seca do compasso e a que desenha; o chão coincide com a linha do desenho que é a base do triângulo, porque o conhecimento deve ter como base a verdade e só a verdade.
Que viagem!