
Em 2008 celebramos 800 anos de Franciscanismo.
Francisco de Assis é uma das figuras centrais na minha vida, desde a pré-adolescência. Mesmo não sendo mais oficialmente católica a partir dos 12/13 anos, sua vida e sua prece me acompanham desde mto cedo.
As razões para isso?
Primeira, ele pertencia a uma das famílias mais ricas (materialmente) de Assis. Ele podia ter o que quisesse - roupas, jóias, conforto, mulheres. No entanto, ele um dia percebe que em seu coração falta uma coisa que não encontra em nada disso, e faz uma escolha para resolver essa falta. Sua opção por uma vida simples, sem posses materiais, foi isso mesmo, uma livre opção. Uma opção do sentimento, embora talvez não totalmente desvinculada da razão.
Segunda razão, ele não optou pela pobreza como um sacrifício (talvez para alcançar o céu), mas como um prazer. E dá pra saber que ele foi feliz assim, exceto quando os homens o entristeciam com suas bobagens, críticas e perseguições. Apesar de tudo, ele estava em paz com sua decisão, tanto que nunca pensou em voltar atrás.
Terceira, pq sua alma era tão rica de bons sentimentos que ele não podia fazer mais nada exceto distribuí-los entre todos os seres que encontrava, de pessoas a passarinhos, do sol à lua, estendendo-o a tudo que existe.
Isso tudo nos leva à quarta razão, que encontrei anos mais tarde lendo Thoreau: "Um homem é rico em proporção ao nº de coisas de que pode prescindir."
As coisas realmente importantes na vida não são palpáveis e os sábios têm certeza disso. Nós aprendizes ainda vacilamos algumas vezes, mas, pensando bem, daria pra ser mais rico que o poverello?
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*Emprestei o título de um livro lindo da Dora Incontri.