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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O pobre rico de Assis*


Em 2008 celebramos 800 anos de Franciscanismo.

Francisco de Assis é uma das figuras centrais na minha vida, desde a pré-adolescência. Mesmo não sendo mais oficialmente católica a partir dos 12/13 anos, sua vida e sua prece me acompanham desde mto cedo.

As razões para isso?

Primeira, ele pertencia a uma das famílias mais ricas (materialmente) de Assis. Ele podia ter o que quisesse - roupas, jóias, conforto, mulheres. No entanto, ele um dia percebe que em seu coração falta uma coisa que não encontra em nada disso, e faz uma escolha para resolver essa falta. Sua opção por uma vida simples, sem posses materiais, foi isso mesmo, uma livre opção. Uma opção do sentimento, embora talvez não totalmente desvinculada da razão.

Segunda razão, ele não optou pela pobreza como um sacrifício (talvez para alcançar o céu), mas como um prazer. E dá pra saber que ele foi feliz assim, exceto quando os homens o entristeciam com suas bobagens, críticas e perseguições. Apesar de tudo, ele estava em paz com sua decisão, tanto que nunca pensou em voltar atrás.

Terceira, pq sua alma era tão rica de bons sentimentos que ele não podia fazer mais nada exceto distribuí-los entre todos os seres que encontrava, de pessoas a passarinhos, do sol à lua, estendendo-o a tudo que existe.

Isso tudo nos leva à quarta razão, que encontrei anos mais tarde lendo Thoreau: "Um homem é rico em proporção ao nº de coisas de que pode prescindir."

As coisas realmente importantes na vida não são palpáveis e os sábios têm certeza disso. Nós aprendizes ainda vacilamos algumas vezes, mas, pensando bem, daria pra ser mais rico que o poverello?

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*Emprestei o título de um livro lindo da Dora Incontri.

sábado, 4 de outubro de 2008

Sobre a prece de Francisco de Assis


A prece de Francisco de Assis é uma companheira muito antiga. Eu a repeti nos momentos mais difíceis da adolescência e obtive a paz e a compreensão necessária para prosseguir serena e confiante. E ela, a partir de então, nunca mais me abandonou, como eu nunca mais a abandonei. Eu a pronunciei perante meus amigos, cantei sua versão musical em eventos emocionantes e nunca, ao terminar, sentia-me igual me encontrava antes de começar.
Um dia, com a ajuda de um Amigo com “A” maiúsculo, entendi porque isso acontecia.
Bem, como podemos nos tornar “instrumentos de vossa paz”? Analisando superficialmente, alguém dirá que é falando de paz aos outros, evitando conflitos, adotando o perdão como atitude cotidiana, convidando à fé. Não discordarei disso. Porém...
Olhando melhor, vemos que não há nada a realizar no mundo que não se inicie, primeiramente, em nosso íntimo. O primeiro lugar onde levar a luz (e o perdão, e a fé, e a verdade, e o amor...) não é outro senão dentro de nós mesmos.
“A” me disse que um dia eu levaria, sim, todos esses valores a todos os lugares. Mas vai acontecer somente quando eles estiverem plantados em meu coração com raízes suficientemente firmes.
Enquanto essa realização íntima não se concretiza firmemente, no momento ele e eu ainda nos encontramos no binômio “dúvida” e “fé”. Quando digo “onde houver dúvida, que eu leve a fé”, estou falando, atualmente, das minhas próprias dúvidas, incertezas, inseguranças e medos. E de nada mais que isso, por hora. Não falo das dúvidas e inseguranças do mundo ou da sociedade – não poderia!
Muitas vezes, tenho tido que desembaraçar o novelo das dúvidas para encontrar o fio da fé que me liga diretamente ao amor presente em tudo. E constato que este fio tem estado sempre lá, pronto pra ser encontrado. Como era de se esperar.