domingo, 26 de outubro de 2008

Educação alternativa?

Ontem participei de um encontro em torno da Pedagogia Waldorf. Um grupo de mães se encontrou para conversar sobre a possibilidade de criar um jardim Waldorf em Jundiaí, numa casa simplesmente deliciosa, e fomos lá, o Beto e eu.
Gostei
Uma das primeiras coisas de q gostei foi o conceito de começar na casa de uma professora ou de uma mãe, pq um dos grandes, mas talvez não o principal, empecilho para a concretização da proposta da escola espírita em Jundiaí esbarrou no (ou se abalroou com o) problema do espaço físico em si ou do seu custo de manutenção.
Bem, um sonho pra acontecer no mundo precisa de um onde e um quando, né? Só q talvez estejamos tão apegados a uma visão de um "onde" como sendo um prédio próprio, q não estamos enxergando outros caminhos. Eu diria q a escolha de cooperar com o trabalho já desenvolvido no
Lar Anália Franco pode ter sido um dos possíveis caminhos, embora à distância eu não possa falar com mais propriedade sobre isso. Alugar a casa onde funciona o Espaço Amor em Ação, onde tb funciona a Academia de Crianças, pode ter sido outro.
Pensenti
Mas tem uma questão anterior que me deixou pensando e tava conversando com o Beto sobre isso. É ouvir as próprias pessoas falarem da sua proposta pedagógica deixando escapar frases que mostram o quanto elas se sentem "alternativas" em seus projetos.
Bem... tradicional, Waldorf, espírita, seja qual for a pedagogia escolhida, ela pode ser vista como uma alternativa entre várias equivalentes. E não é esse o sentido de que quero falar.

Quero falar sobre enxergar "o outro" como "principal" e o seu como "alternativo". O fundamento pra isso não é lógico, é psicológico. A meu ver, é um medo de não seguir a maioria e das consequências.
Em outros mundos possíveis, porém, aquilo que a pedagogia espírita propõe, por exemplo, pode ser aceito pela maioria, enquanto o que se pratica hoje, uma educação voltada para o intelecto e o mercado de trabalho, poderia ser a alternativa. E consigo pensar em mundos assim como bem reais.
Pense: o que se quer dizer quando, ampliando o leque, advoga-se uma terapia alternativa, uma medicina alternativa ou uma educação alternativa? Escolha uma das alternativas - rs:
( ) - Olha, nós somos pessoas que acreditam em algo diferente do que está por aí e estão se propondo a provar que pode funcionar. Estamos pedindo ao mundo uma chance.
( ) - Nós temos excelentes razões para acreditar que nossa visão e nosso trabalho são tão bons quanto qualquer outro - até melhor em muitos aspectos -, e apenas estamos em menor número no momento. Nós temos lido outros livros, diferentes do que a maioria lê. Temos nos reunido pra conversar. Temos experimentado e obtido resultados. E temos certeza do caminho que escolhemos. Não estamos tentando provar nada, pois já estamos suficientemente certos do que pensamos e queremos.
Perguntei ao Beto se o que ocorre às vezes não é o receio de abandonar um pensamento da maioria em favor daquilo em que realmente acreditamos como uma visão de educação tão profunda, séria, responsável e fundamentada quanto a outra.

Metodologia
E seguindo o raciocínio, pergunto agora se também não se teme fazer essa educação espírita que revoluciona um paradigma sem seguir os métodos e procedimentos da educação tradicional. Porque não vamos fazer isso no the old-fashioned way. Isso posso garantir. E se eu tinha alguma dúvida, o Formare mostrou que não. Os depoimentos de participantes e os reflexos que observaram em suas práticas foram nossa melhor recompensa.
A educação do jeito antigo chama de "probleminha" uma situação de uma criança que de fato precisa ser melhor vista e compreendida como Espírito inteligente apegado a certos condicionamentos existenciais dos quais só se livrará se for encarado nos olhos com afeto verdadeiro, por um mestre consciente de sua função.
Não por um educador tradicional que acredita em espírito e reencarnação mas não vivencia as implicações dessa crença em seu trabalho.
A educação espírita, ou faz diferença, ou não faz sentido.

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