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| Ilustração interna do álbum duplo The Wall |
Por Rita Foelker, para a Revista Universo Espírita, Edição nº 56 (2008)
No paradigma mecanicista da educação, aplicado por muitas escolas, a máquina é o modelo adotado para a compreensão do educando e de seu desenvolvimento. O cérebro é visto como um mecanismo biológico a ser programado e controlado externamente, submetido a fatores genéticos e ambientais. O educador, operando pela dinâmica de estímulo/resposta, cria condicionamentos que deverão ser adequados à vida adulta do educando, impostos de fora para dentro.
No entanto, não somos máquinas e nem nossos cérebros são programáveis. A cada instante, percebemos a inadequação dos meios em que se tenta moldar caracteres e que não levam em conta as qualidades individuais de cada ser.
A falência do sistema educacional baseado no paradigma mecanicista não é um problema do século 21. Há tempos que as coisas não vinham bem. Um clássico do rock dos anos 70, Another brick in the wall, de Pink Floyd, já expressava as dificuldades de um modelo insatisfatório e o impulso individual de romper com a massificação dos procedimentos de ensino para, depois, buscar a realização dos anseios de desenvolvimento peculiares de cada pessoa. Contudo, ainda é comum enxergar grupos de crianças e jovens como se fossem massas uniformes. Crianças de mesma faixa etária e mesmo nível sócio-econômico como se tivessem o mesmo perfil.
Esse equívoco leva a imaginar que ações dirigidas a grupos de crianças apresentarão respostas quase uniformes, o que não ocorre, um dos problemas enfrentados pela perspectiva mecanicista. E eis que o professor, mais dia, menos dia, depara-se com a realidade: cada um é um, cada criança tem um jeito, uma história pessoal e familiar, uma necessidade mais premente e um modo pessoal de demonstrar o que sente e pensa. Do ponto de vista espírita, considera-se ainda cada criança como um ser que resulta de uma história espiritual única, forjada nas inúmeras encarnações, revelando potenciais desenvolvidos e desafios a vencer.
Cada ser é único
É claro que, em se tratando de políticas públicas, um olhar voltado ao aspecto coletivo é adequado para viabilizar as ações. Mas não quando se fala de escolas, nem de turmas e salas.
Quanto mais próximo da realidade da criança, mais o educador percebe que cada ser é único. O professor é uma criatura privilegiada pela oportunidade de relacionar-se pessoalmente com cada criança, de ler cada caderno e de observar cada desenho. Só ele pode preencher, com observação e sensibilidade, o abismo entre as diretrizes públicas e as necessidades de cada menino e menina que se senta numa carteira e anseia por um futuro.
O professor a quem os alunos diriam "não precisamos de nenhuma educação / não precisamos de controle mental", como a letra da música, pensaria: "O que acontece se os meus alunos não se encaixam no modelo que eu aprendi?"Já o professor consciente do valor da individualidade e da expressão única de cada ser, pensaria: "Que modelo de educação é esse que não reconhece nem respeita a vocação e necessidade de cada criança?"
E o professor espírita pensaria: "O que cada uma dessas criaturas veio me ensinar, auxiliando em meu progresso enquanto Ser?" Três ângulos diferentes para apreciar um mesmo conjunto de fatos.
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| Cena do filme de animação lançado em 1982 |



