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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Um santo remédio

O texto abaixo foi publicado do Diário Regional de São José do Rio Preto, no dia 31/05/09.

Pelos Caminhos
Um santo remédio
São José do Rio Preto, 31 de maio de 2009

Ariana Pereira


Estar bem consigo mesmo interiormente é algo tão essencial que a própria medicina admite, cada vez mais, que a saúde física está atrelada à saúde psíquica e emocional. Portanto, buscar uma vida mais interiorizada faz bem à saúde. Assim como conhecer-se pode fazer com que se chegue ao equilíbrio emocional capaz de levar à cura de males físicos, psíquicos e espirituais. Há os que defendem que saúde física e espiritual são inseparáveis. Entre esses estudiosos, Rita Foelker, escritora espírita e fundadora do projeto Filosofia Espírita para Crianças, afirma que as pessoas são espíritos e manifestam nesse planeta aquilo que são por intermédio do corpo físico. Para ela, a saúde física reflete o equilíbrio íntimo: emocional, mental, espiritual, além da escolha de hábitos de vida saudável na alimentação e nas demais atividades. A fim de que haja harmonia entre os componentes do ser humano, a professora de ioga e terapeuta corporal Lilian Cruz acredita que deve-se buscar, por meio do autoconhecimento, o autocontrole da consciência. “O ser humano está constituído ou envolvido basicamente pela dimensão física (corpo), emocional (pensamentos e emoções) e espiritual (além do pensamento). Esse tripé obedece a um princípio universal, em que a hierarquia funciona do espírito para a matéria. Quem deve comandar os pensamentos é a consciência ou dimensão espiritual mais sutil.
E os pensamentos geram emoções que determinam e interferem no corpo físico, o que pode gerar um estado de equilíbrio e saúde ou de desarmonia e doenças”, diz. Portanto, quanto maior o equilíbrio interior, menores as chances de o indivíduo desenvolver algum tipo de doença, seja ela psicológica ou física. Lilian explica que muitas pessoas estão fisicamente saudáveis, mas o desequilíbrio e a exteriorização da vida que têm rapidamente levam à manifestação de patologias. Isso porque o desequilíbrio mental tende a se manifestar no corpo. “Pessoas rejeitadas, mal-amadas, que guardam ressentimentos e mágoas podem não apresentar ainda nenhum sinal externo de que o interior não vai bem. Mas não vivem em um estado de contentamento e sim em conflito. Mágoas e ressentimentos podem, por exemplo, se somatizar em um câncer. Um estado de medo não se manifesta no plano físico, mas pode aparecer na forma de uma doença, como algum distúrbio digestivo.”

Perdão
O equilíbrio trazido por uma prática espiritual ou pelo autoconhecimento pode variar de caso para caso. Dessa forma, para Rita Foelker, a procura por um tratamento especializado não é substituível. Ela diz ainda que é preciso que a pessoa tratada tenha uma atitude íntima de aceitação e confiança na prática espiritual escolhida, o que é algo que não se fabrica artificialmente, mas pode ser incentivado. Os benefícios da meditação na melhoria de alguns problemas emocionais que têm reflexos na dimensão física são estudados pela ciência, com resultados promissores. Portanto, seria conveniente que o paciente procurasse ler e conhecer melhor a prática espiritual que lhe é proposta e não aderir à ela apenas por sugestão de terceiros, sem um grau de envolvimento próprio e sem fé em seus resultados.“Medicamentos agem de fora para dentro. Práticas espirituais levadas a sério e mudanças de atitude agem de dentro para fora. Ambas concorrem para o restabelecimento do equilíbrio físico, emocional e mental.”

Independente da prática espiritual, uma das atitudes mais benéficas à saúde do corpo e da mente é o hábito do perdão. Não remoer mágoas contra aqueles que causaram algum tipo de aborrecimento e, mais ainda, contra si mesmo, é uma das melhores formas de evitar possíveis desarranjos na sanidade do ser humano. Isso requer um certo distanciamento dos fatos. Lilian afirma que as pessoas são a consciência que existe por trás do corpo e da mente. Posicionar-se dessa forma torna o indivíduo capaz de testemunhar os processos e não ficar à mercê das polaridades da própria mente e das atitudes alheias.“O perdão é um estado de consciência que ultrapassa os limites da mente, portanto, dos estados polarizados dos pensamentos, crenças e julgamentos. Quando a consciência se expande, se ilumina e se pode ver com clareza. A prática do perdão pode causar a liberação do conflito, que causa o sofrimento e a dor psíquica que pode se transformar em doenças físicas como câncer, doenças digestivas, circulatórias, pulmonares e outras”, afirma a a professora de ioga e terapeuta corporal.


Ainda que a ciência não comprove o poder milagroso da fé, há situações inexplicáveis de curas e melhora de quadros clínicos considerados impossíveis. Isso porque, de acordo com Rita Foelker, o corpo físico é uma representação de estados interiores. Ela acredita que a cegueira e outras doenças não surgem apenas por causas materiais. “Há sempre uma necessidade espiritual envolvida em cada fato, que não é fortuito nem acidental desde que consideremos a justiça e a bondade presentes nas leis de Deus. Ao cessar a necessidade, ao cumprir-se o aprendizado envolvido naquela condição, o espírito não mais necessita dela, que poderá ser curada de muitas maneiras. A fé, potencializando nossa força vital, pode em muitos casos levar à reconquista do equilíbrio e à saúde.” Quem já leu alguns dos Evangelhos deve ter se deparado com a famosa frase proferida por Jesus Cristo, após curas físicas: ‘vai, a tua fé te curou’. Para Lilian Cruz, a fé é também um estado de consciência e de um enorme poder psíquico de pessoas que estão em um estado vibracional muito sutil e equilibrado nas dimensões física, emocional e espiritual. “A fé é o motor que vive, dá poder e cura, remove montanhas. Mas a pessoa tem de ter consciência, sabedoria e disciplina para fazer correções e seguir um caminho mais ordenado e coerente com o estado de saúde.”

A cura por meio das mãos
Quer científica, quer espiritualmente, o uso das mãos é imprescindível. Desde o manejo de delicados instrumentos cirúrgicos até a imposição carinhosa sobre alguém que necessita de ajuda, a utilização das mãos é um meio poderoso de cura. A escritora espírita Rita Foelker afirma que uma das explicações para a utilização das mãos nos atos de cura em algumas formas de espiritualidade vem do exemplo dado por Jesus Cristo, uma vez que ele orientava os discípulos a imporem as mãos para curar os doentes. Os magnetizadores no século 18, continua Rita, a utilizavam também, a exemplo do médico Franz Anton Mesmer que deixou subsídios teóricos e uma prática que ficou conhecida como Magnetismo Animal. “Antes deles, Paracelso e Robert Fludd já estudavam a força vital que um ser humano podia ‘induzir’ a se manifestar no doente, promovendo a cura. E, há milhares de anos, os egípcios já impunham as mãos com a finalidade de curar. É importante salientar, porém, que, de fato, o que cura é a fé e a intenção, não o gesto.”

Como instrumento muito utilizado pelo ser humano, o espaço ocupado pelas funções manuais no cérebro é bastante privilegiado, de acordo com a professora de ioga e terapeuta corporal Lilian Cruz. Além disso, ela diz ainda que existem centros de energia nas mãos. Mas a potência de cura não é propriedade manual e sim da intensão mais profunda daquele que impõe as mãos sobre um doente. “Vem do coração, do chacra cardíaco, de uma intensão mais profunda que passa pela mão. Eu uso as mãos e os pés, quando exerço trabalhos de cura na ioga ou em massagens. Muito se usam as mãos e os dedos e podemos expressar uma energia amorosa por meio desses instrumentos. Mas para que essa intenção de amor proporcione uma cura é preciso ter disciplina e saber utilizar elementos corporais e naturais como solo, água. Isso tudo aliado a uma alimentação saudável e exercícios físicos por parte de quem quer ser curado. A mente pode fornecer essa ajuda amorosa de um outro ser humano, mas sempre parte de um centro muito mais profundo que eu entendo vir do amor. A verdadeira cura acontece por meio do amor”, explica Lilian.

Esta é uma resposta que não foi utilizada na confecção do texto final.

Qual o poder do perdão para a saúde física e mental?

Fatos passados algumas vezes geraram raiva passageira, porque depois de reavaliarmos situação percebemos que não havia motivo real para ela, ou porque utilizamos a raiva para reagir construtivamente e ela cessou de funcionar em nosso sistema. Mágoa e ressentimento são emoções que, ao permanecerem no nosso sistema, por apego a fatos passados que geraram raiva e não foram satisfatoriamente solucionados, transformam-se numa energia que afeta negativamente nossa saúde geral. Perdoar significa que aquilo tudo perdeu a importância, que abrimos mão da necessidade de cobrar do outro providências ou de revidar por aquilo que consideramos que nos prejudicou. Significa que nos reconhecemos falíveis e nos dispomos a superar querelas do passado, vivendo o presente e nos libertando da energia da raiva que nos adoece. O que perde a importância para nós, perde sua força sobrenós. Este é, em sínte se, o poder curativo do perdão.

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A postagem original está em http://www.diarioweb.com.br/noticias/corpo_noticia.asp?IdCategoria=195&IdNoticia=122054

sábado, 31 de janeiro de 2009

Viver sem limites

A autora Ariana Pereira me entrevistou para esta matéria, por causa da que saiu na Universo Espírita 58 com o título Olhos fechados, coração aberto:


Vida
Viver sem limites
São José do Rio Preto, 21 de dezembro de 2008


Ariana Pereira


“No dia seguinte ninguém morreu. O fato, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, (...) basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, (...) de ter alguma vez ocorrido fenômeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, (...) sem que tivesse sucedido um falecimento”. Esse trecho do livro de José Saramago, “Intermitências da morte” (Companhia das Letras), mostra o estranhamento das pessoas quando os moradores de uma cidade deixam de morrer. Todos nascem sem saber o que vão ser quando crescer, se vão casar, ter filhos, ser bem-sucedidos na profissão que escolheram. Mas uma única certeza é compartilhada por todos os seres humanos: a vida é limitada e a morte é certa. Acreditar em uma existência pós-morte, no entanto, pode fazer toda a diferença quanto à qualidade da vida que uma pessoa tem, assim como viver cada dia como se fosse o último pode levar as pessoas a uma existência plena e cheia de significados.

“A consciência da morte põe em perspectiva alguns maus hábitos que todos temos. O péssimo hábito de dar muita importância para coisas sem importância, desperdiçar a vida com ocupações que, além de inúteis, trazem pouca alegria e poucos resultados que valem a pena. A falta de confiança em si mesmo, ou num Poder Superior, em Deus, é outro fator. A recusa em se relacionar com os outros, seja em regime de amizade ou namoro, por medo de rejeição e baixa auto-estima. A incapacidade de enxergar não apenas os problemas e desafios, como também as bênçãos espalhadas em torno de nós”, pontua a co-fundadora do grupo e projeto Filosofia Espírita para Crianças, Rita Foelker. Autores do livro “Um mês para viver” (Mundo Cristão), Kerry e Chris Shook dividem as experiências que tiveram com aqueles que descobrem que lhes restam poucos meses de vida. A intenção foi traçar um roteiro para que as pessoas aprendam a viver intensamente, tendo um mês ou décadas de vida restante.

“A partir do momento em que aceitamos o fato de que nosso tempo na Terra é limitado, podemos viver livremente, sem mais postergar a alegria e a paz advindas do cumprimento do propósito que nos foi concedido por Deus. Não importa quem você é, qual a sua idade, qual o grau de seu sucesso ou onde vive: a mortalidade continua sendo o grande nivelador. A cada tique-taque do relógio, um momento da vida fica para trás. Seus dias estão contados e cada um que passa vai embora para sempre. Estou convencido de que, em vez de nos inibir e forçar a viver na defensiva, aceitar que nosso tempo na Terra é limitado tem o incrível poder de nos libertar. Se soubéssemos que teríamos apenas um mês para viver, viveríamos de maneira diferente. Seríamos mais autênticos e teríamos mais ousadia na forma como gastamos o tempo. Mas essa reação contraditória levanta uma questão: o que nos impede de viver dessa maneira agora?”, questionam os autores de “Um mês para viver”.

Arrependimento
De acordo com Rita, quando descobrem que lhes resta pouco tempo de vida, as pessoas se arrependem de não ter aproveitado melhor a existência e as oportunidades de estar com quem amam, de terem adiado tanto a realização de seus sonhos, até o ponto em que eles se tornam impossíveis. Alguns se arrependem do que consideram faltas graves, mas o tempo restante às vezes ainda permite reparar algum eventual dano causado ou buscar reconciliação com pessoas de que se distanciaram. “Mirando o exemplo dessas pessoas, deveríamos aprender a dimensionar melhor nossos próprios problemas. Vemos muitas pessoas estressadas por questões tão pequenas, tão passageiras. Por quê? Por que ficar tão bravo se alguém passou à sua frente e pegou a sua vaga de estacionamento?

Isso é só um exemplo. Vivemos nesse planeta para aprender coisas que nos tornem melhores. Para aprender a amar, ser feliz. Para realizar tarefas que consideramos importantes e que alimentam nossa alma de realização íntima. Isso é o principal. Pense: você realmente aproveita o tempo que tem com sua família ou com a pessoa amada? Ou fica sempre reclamando, de cara fechada, estragando momentos que podiam ser tão melhores ou até memoráveis?”, indaga a co-fundadora do grupo e projeto Filosofia Espírita para Crianças. Os autores de “Um mês para viver” acreditam que as pessoas não deveriam esperar passar por uma crise para avaliar o modo como vivem e decidir viver de maneira plena. Para eles, viver com intensidade deve ser uma iniciativa que começa agora, no presente.

“A maioria não pode dar-se o luxo de largar o emprego do dia para a noite, dizer o tempo todo o que realmente está sentindo ou agir de acordo com toda idéia espontânea que venha à cabeça. Esse estilo de vida seria egoísta e altamente irresponsável, podendo indicar que tal pessoa não acredita que exista alguma coisa além do que vemos aqui. Mesmo assim, precisamos lembrar que a vida é mais que aquilo que conhecemos na Terra. Se formos verdadeiramente honestos, perceberemos que deve haver mais para nossa existência do que este mundo pode oferecer”, afirmam os autores Kerry e Chris Shook.

Eterno
Segundo o livro, a única maneira de viver para a eternidade é abraçar cada dia como um presente de Deus. Deve-se viver no pequeno ponto entre o cotidiano e o eterno, mantendo o foco naquilo que é mais importante na transitoriedade da vida. “Quando paramos para pensar, vemos que não temos controle sobre muitas coisas na vida. Não decidimos onde iríamos nascer, quem seriam nossos pais ou em qual período histórico ou cultural viveríamos. Tampouco decidimos as datas colocadas em nossa lápide. Não sabemos quando nosso tempo aqui acabará. Pode ser na semana que vem, no próximo ano ou daqui a muitas décadas. Somente Deus sabe. Nossa vida está nas mãos Dele, mas há uma coisa sobre a qual temos bastante controle. Precisamos decidir como vamos usar o traço que separa nossa data de nascimento do dia da nossa morte.”

Para Rita, a crença de que a vida ultrapassa as décadas que se vivem sobre a Terra traz conforto espiritual diante da realidade da morte de uma pessoa próxima ou do fato inevitável de que um dia todos irão morrer. Não quer dizer que não se vai sentir saudade daquele que partiu, continua Rita, mas que se tem plena convicção de que sua vida continua em outro lugar e que um dia haverá um reencontro. “Falo como alguém de antigas e sedimentadas crenças espirituais. A vida ganha novo sentido quando vista perante a imortalidade, afinal não se trata de ser feliz apenas agora, mas pela eternidade. Então precisamos procurar coisas que acrescentem valores e bem-estar à nossa alma, em vez de coisas consumíveis para uma vida passageira na Terra.

E essa procura vale muito a pena”, assegura a co-fundadora do grupo e projeto Filosofia Espírita para Crianças. Cuidar da alimentação e da saúde, conhecer e amar as pessoas, aprender a apreciar as maravilhas da natureza e descobrir as belezas da arte e da poesia são algumas das maneiras que as pessoas podem aproveitar a vida e passar por ela de uma forma mais intensa, na opinião de Rita. “Além disso, ajudar o próximo, aprender a não guardar mágoas nem culpas, escolher um trabalho em que sinta prazer. Ter a mente aberta, livrar-se de preconceitos e buscar conhecimento espiritual bem fundamentado são fatores que levam as pessoas a aproveitarem o máximo possível da existência nessa Terra.”

Serviço:
Livro “Um mês para viver”
Autores: Kerry e Chris Shook
Editora: Mundo Cristão

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A postagem original está em
http://www.diarioweb.com.br/noticias/corpo_noticia2.asp?idcategoria=195&idnoticia=116731