O texto abaixo foi publicado do Diário Regional de São José do Rio Preto, no dia 31/05/09.
Pelos Caminhos
Um santo remédio
São José do Rio Preto, 31 de maio de 2009
Ariana Pereira
Estar bem consigo mesmo interiormente é algo tão essencial que a própria medicina admite, cada vez mais, que a saúde física está atrelada à saúde psíquica e emocional. Portanto, buscar uma vida mais interiorizada faz bem à saúde. Assim como conhecer-se pode fazer com que se chegue ao equilíbrio emocional capaz de levar à cura de males físicos, psíquicos e espirituais. Há os que defendem que saúde física e espiritual são inseparáveis. Entre esses estudiosos, Rita Foelker, escritora espírita e fundadora do projeto Filosofia Espírita para Crianças, afirma que as pessoas são espíritos e manifestam nesse planeta aquilo que são por intermédio do corpo físico. Para ela, a saúde física reflete o equilíbrio íntimo: emocional, mental, espiritual, além da escolha de hábitos de vida saudável na alimentação e nas demais atividades. A fim de que haja harmonia entre os componentes do ser humano, a professora de ioga e terapeuta corporal Lilian Cruz acredita que deve-se buscar, por meio do autoconhecimento, o autocontrole da consciência. “O ser humano está constituído ou envolvido basicamente pela dimensão física (corpo), emocional (pensamentos e emoções) e espiritual (além do pensamento). Esse tripé obedece a um princípio universal, em que a hierarquia funciona do espírito para a matéria. Quem deve comandar os pensamentos é a consciência ou dimensão espiritual mais sutil.
E os pensamentos geram emoções que determinam e interferem no corpo físico, o que pode gerar um estado de equilíbrio e saúde ou de desarmonia e doenças”, diz. Portanto, quanto maior o equilíbrio interior, menores as chances de o indivíduo desenvolver algum tipo de doença, seja ela psicológica ou física. Lilian explica que muitas pessoas estão fisicamente saudáveis, mas o desequilíbrio e a exteriorização da vida que têm rapidamente levam à manifestação de patologias. Isso porque o desequilíbrio mental tende a se manifestar no corpo. “Pessoas rejeitadas, mal-amadas, que guardam ressentimentos e mágoas podem não apresentar ainda nenhum sinal externo de que o interior não vai bem. Mas não vivem em um estado de contentamento e sim em conflito. Mágoas e ressentimentos podem, por exemplo, se somatizar em um câncer. Um estado de medo não se manifesta no plano físico, mas pode aparecer na forma de uma doença, como algum distúrbio digestivo.”
Perdão
O equilíbrio trazido por uma prática espiritual ou pelo autoconhecimento pode variar de caso para caso. Dessa forma, para Rita Foelker, a procura por um tratamento especializado não é substituível. Ela diz ainda que é preciso que a pessoa tratada tenha uma atitude íntima de aceitação e confiança na prática espiritual escolhida, o que é algo que não se fabrica artificialmente, mas pode ser incentivado. Os benefícios da meditação na melhoria de alguns problemas emocionais que têm reflexos na dimensão física são estudados pela ciência, com resultados promissores. Portanto, seria conveniente que o paciente procurasse ler e conhecer melhor a prática espiritual que lhe é proposta e não aderir à ela apenas por sugestão de terceiros, sem um grau de envolvimento próprio e sem fé em seus resultados.“Medicamentos agem de fora para dentro. Práticas espirituais levadas a sério e mudanças de atitude agem de dentro para fora. Ambas concorrem para o restabelecimento do equilíbrio físico, emocional e mental.”
Independente da prática espiritual, uma das atitudes mais benéficas à saúde do corpo e da mente é o hábito do perdão. Não remoer mágoas contra aqueles que causaram algum tipo de aborrecimento e, mais ainda, contra si mesmo, é uma das melhores formas de evitar possíveis desarranjos na sanidade do ser humano. Isso requer um certo distanciamento dos fatos. Lilian afirma que as pessoas são a consciência que existe por trás do corpo e da mente. Posicionar-se dessa forma torna o indivíduo capaz de testemunhar os processos e não ficar à mercê das polaridades da própria mente e das atitudes alheias.“O perdão é um estado de consciência que ultrapassa os limites da mente, portanto, dos estados polarizados dos pensamentos, crenças e julgamentos. Quando a consciência se expande, se ilumina e se pode ver com clareza. A prática do perdão pode causar a liberação do conflito, que causa o sofrimento e a dor psíquica que pode se transformar em doenças físicas como câncer, doenças digestivas, circulatórias, pulmonares e outras”, afirma a a professora de ioga e terapeuta corporal.
Fé
Ainda que a ciência não comprove o poder milagroso da fé, há situações inexplicáveis de curas e melhora de quadros clínicos considerados impossíveis. Isso porque, de acordo com Rita Foelker, o corpo físico é uma representação de estados interiores. Ela acredita que a cegueira e outras doenças não surgem apenas por causas materiais. “Há sempre uma necessidade espiritual envolvida em cada fato, que não é fortuito nem acidental desde que consideremos a justiça e a bondade presentes nas leis de Deus. Ao cessar a necessidade, ao cumprir-se o aprendizado envolvido naquela condição, o espírito não mais necessita dela, que poderá ser curada de muitas maneiras. A fé, potencializando nossa força vital, pode em muitos casos levar à reconquista do equilíbrio e à saúde.” Quem já leu alguns dos Evangelhos deve ter se deparado com a famosa frase proferida por Jesus Cristo, após curas físicas: ‘vai, a tua fé te curou’. Para Lilian Cruz, a fé é também um estado de consciência e de um enorme poder psíquico de pessoas que estão em um estado vibracional muito sutil e equilibrado nas dimensões física, emocional e espiritual. “A fé é o motor que vive, dá poder e cura, remove montanhas. Mas a pessoa tem de ter consciência, sabedoria e disciplina para fazer correções e seguir um caminho mais ordenado e coerente com o estado de saúde.”
A cura por meio das mãos
Quer científica, quer espiritualmente, o uso das mãos é imprescindível. Desde o manejo de delicados instrumentos cirúrgicos até a imposição carinhosa sobre alguém que necessita de ajuda, a utilização das mãos é um meio poderoso de cura. A escritora espírita Rita Foelker afirma que uma das explicações para a utilização das mãos nos atos de cura em algumas formas de espiritualidade vem do exemplo dado por Jesus Cristo, uma vez que ele orientava os discípulos a imporem as mãos para curar os doentes. Os magnetizadores no século 18, continua Rita, a utilizavam também, a exemplo do médico Franz Anton Mesmer que deixou subsídios teóricos e uma prática que ficou conhecida como Magnetismo Animal. “Antes deles, Paracelso e Robert Fludd já estudavam a força vital que um ser humano podia ‘induzir’ a se manifestar no doente, promovendo a cura. E, há milhares de anos, os egípcios já impunham as mãos com a finalidade de curar. É importante salientar, porém, que, de fato, o que cura é a fé e a intenção, não o gesto.”
Como instrumento muito utilizado pelo ser humano, o espaço ocupado pelas funções manuais no cérebro é bastante privilegiado, de acordo com a professora de ioga e terapeuta corporal Lilian Cruz. Além disso, ela diz ainda que existem centros de energia nas mãos. Mas a potência de cura não é propriedade manual e sim da intensão mais profunda daquele que impõe as mãos sobre um doente. “Vem do coração, do chacra cardíaco, de uma intensão mais profunda que passa pela mão. Eu uso as mãos e os pés, quando exerço trabalhos de cura na ioga ou em massagens. Muito se usam as mãos e os dedos e podemos expressar uma energia amorosa por meio desses instrumentos. Mas para que essa intenção de amor proporcione uma cura é preciso ter disciplina e saber utilizar elementos corporais e naturais como solo, água. Isso tudo aliado a uma alimentação saudável e exercícios físicos por parte de quem quer ser curado. A mente pode fornecer essa ajuda amorosa de um outro ser humano, mas sempre parte de um centro muito mais profundo que eu entendo vir do amor. A verdadeira cura acontece por meio do amor”, explica Lilian.
Esta é uma resposta que não foi utilizada na confecção do texto final.
Qual o poder do perdão para a saúde física e mental?
Fatos passados algumas vezes geraram raiva passageira, porque depois de reavaliarmos situação percebemos que não havia motivo real para ela, ou porque utilizamos a raiva para reagir construtivamente e ela cessou de funcionar em nosso sistema. Mágoa e ressentimento são emoções que, ao permanecerem no nosso sistema, por apego a fatos passados que geraram raiva e não foram satisfatoriamente solucionados, transformam-se numa energia que afeta negativamente nossa saúde geral. Perdoar significa que aquilo tudo perdeu a importância, que abrimos mão da necessidade de cobrar do outro providências ou de revidar por aquilo que consideramos que nos prejudicou. Significa que nos reconhecemos falíveis e nos dispomos a superar querelas do passado, vivendo o presente e nos libertando da energia da raiva que nos adoece. O que perde a importância para nós, perde sua força sobrenós. Este é, em sínte se, o poder curativo do perdão.
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A postagem original está em http://www.diarioweb.com.br/noticias/corpo_noticia.asp?IdCategoria=195&IdNoticia=122054
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