Relatos observacionais, resultados experimentais e enunciados “factuais” ou contêm pressupostos teóricos ou os afirmam pela maneira em que são usados. (...) Assim, nosso costume de dizer que “a mesa é marrom” quando a contemplamos em circunstâncias normais, com nossos sentidos em boas condições, mas “a mesa parece marrom” quando as condições de iluminação são deficientes ou quando nos sentimos inseguros a respeito de nossa capacidade de observação, expressa a crença em que há circunstâncias familiares nas quais nossos sentidos são capazes de ver o mundo “como ele realmente é”, e outras circunstâncias, igualmente familiares, em que eles são enganados. Expressa a crença de que algumas de nossas percepções sensoriais são verídicas, ao passo que outras não. (Paul Feyerabend, em Contra o Método)
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Encarada do ângulo da vida sem couraça (Reich já intuia a "objetividade entre parênteses" do Maturana), a teoria científica é um ponto de apoio no caos dos fenômenos vivos (biologia do conhecer, Reich idem). Serve, por isso, ao objetivo de uma proteção psíquica. Não há muito perigo de que se seja tragado por esse caos, quando se classificaram nitidamente, se catalogaram, se descreveram - e por isso se pensa haver compreendido (grifo meu) - esses fenômenos. Dessa maneira, é até mesmo possível dominar cer(como se deseja isso, em ciência!) certa porção desse caos. Isso me trazia um consolo muito pequeno (a mim tb). (W. Reich, em A função do orgasmo; parênteses vermelhos por Rita)
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