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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Escrita mediúnica

A vontade de escrever somente não é o bastante, ela precisa vir acompanhada de pensamentos. De preferência, pensamentos revestidos por palavras ou frases.
Na mediunidade, contudo, só se tem a vontade. Algo a que se assente ou não.
E desde que concordemos, as palavras começam a surgir, lépidas, diligentes, com vida própria. Com maior ou menor possibilidade de controle da mão.
De roldão.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ufa! Ainda bem...

Médico pela manhã, sono à tarde. Há muito tempo não tenho um dia assim.
Tanta coisa pra fazer, pensar num jeito legal de comemorar nosso "um mês", trabalho da revista atrasado. E eu sem conseguir focar em nada disso, só quieta, sonolenta, ora com febre, ora suando em bicas...
Há tempos, eu tinha resolvido que ficar doente é um luxo ao qual não posso me dar o direito. Primeiro, porque não tenho tempo pra ficar doente - rs. Segundo, porque meus filhos dependem de mim. Mas - ora, ora - quem resolve essas coisas?
Bem, parece que não sou eu.
Se eu fiz um exame há meses que podia identificar o problema, mas o retorno à médica é só semana que vem, esta não é uma circunstância sob o meu controle. O sistema público de saúde funciona desse jeito. (E felizmente, morando aqui, podemos ser atendidos, pois a situação é muito mais precária em outras localidades do país.)
O fato é que me vi diante de minha fragilidade, de como é tênue essa ligação com o meu corpo que eu levo pra lá e pra cá na superfície do mundo. E é meio assustador, por um lado. Mas reconfortante, por outro.
Ainda bem que nem tudo depende de mim, nessa vida!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Está valendo a pena?


Uma das coisas que me inspira na escrita de Thoreau, em Walden, ou a vida nos bosques é a ausência de qualquer artificialismo. É um olhar cuidadoso e carinhoso para as coisas mais simples da vida, uma planta, um gato, um céu estrelado. É o abandonar-se a uma experiência sensorial intensa, porém não vazia de sentido, já que faz refletir, produz pensamentos, emoções e atitudes.
É comum ver-se (especialmente e infelizmente) pessoas muito jovens anestesiando o pensamento e a reflexão por meio de som alto demais, bebida forte demais, comida demais, chocolate demais, estímulo sexual demais, jogos eletrônicos demais. Uma hipótese para explicar essa overdose de estímulos é a carência de sensações agradáveis legítimas na vida comum. Busca-se, talvez, recuperar, através do excesso, algo da experiência cotidiana que deveria emergir da sensibilidade, mas que ficou embotado, perdido, esquecido aos poucos pela vida.
Também inventamos uma parafernália tecnológica para viver melhor e tentar ser felizes, que não nos deu realmente, nem uma coisa, nem outra. Temos algumas facilidades, sim, nestes dias que correm. E o que faço aqui é fruto de uma delas: colocar pensentimentos num blog, deixar alguém do outro lado do planeta ler o que escrevi, daqui a alguns minutos. É ótimo poder fazer isso. Mas trocaria este fazer por outros fazeres. Trocaria estar diante do PC por uma caminhada, por um bom papo, por um suco de melancia ou abacaxi - exceto se tivesse texto para escrever com prazo para entregar, que é parte do meu ofício e de minha rotina de estudante.
A questão é de escolha.
Viver é escolher; escolher também é abrir mão. Já pensou que, às vezes, abrimos mão das coisas que nos farão mais falta?
Por estranho que pareça, nem sempre a melhor escolha precisa ser a da maioria, a que todos considerariam a mais inteligente.Do que vc abriu mão ultimamente, e em nome de quê? Seguindo idéias de quem? Está valendo a pena?