quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Mais cartografia dos estados alterados


... aquilo que era, até aquele momento, uma investigação intrapsíquica profunda se transforma em uma experiência extrassensorial de vários aspectos do universo como um todo. Algumas pessoas que tiveram a experiência dessa peculiar transição do interno para o externo a compararam à arte gráfica do pintor holandês Maurits [sic] Escher, outras falaram sobre uma "fita experimental multidimensional de Moebius". Essas observações confirmam a doutrina básica de alguns sistemas esotéricos, como o tantra, a cabala ou a tradição hermética, segundo as quais cada um de nós é um microcosmo contendo, de forma misteriosa, todo o universo. (Stanislav Grof em Psicologia do futuro)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Conhecer coisas


Não há coisas isoladas.
Percepções são complexos de estímulos acrescidos de interpretações ligadas a experiências passadas. Um objeto só se destaca do pano de fundo porque nossa atenção o selecionou entre muitas possibilidades de agregação de dados perceptivos e conceitos preexistentes.
Essas percepções são processadas pelo pensamento conceitual, que trata aquilo que chama de "coisas" como objetos separados entre si e separados de nós, sujeitos.
O conjunto dessas coisas aparentemente isoladas forma o que denominamos realidade. A realidade, porém, não é algo "fora", ela é um todo perceptivo e somente desse modo se apresenta a nós.
A realidade é um complexo perceptivo e um estado de consciência que espelha, não um "agora" externo, mas os fatos exteriores que nos impressionam somados à condição de perceber e compreender estes fatos de uma forma específica.
Embora possa parecer, não é tudo construção da mente, pois existe algo além do que pensamos. Nosso pensamento no entanto tem limites e é preferencialmente linear, processando os complexos perceptivos como se se tratasse de uma sucessão no tempo. Q
uando esses complexos perceptivos são observados como fenõmenos separados do observador, elas são incompletas, não apenas porque não consideram a sua condição de perceber e compreender, mas porque criam uma cisão ilusória entre sujeito e objeto, dentro e fora. E a ciência que observa a realidade como mero fenômeno (objeto, fora) só pode ser uma ciência incompleta e autolimitante.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

"Mas que são coisas?"


Nada, como veremos abundantemente, senão grupos especiais de qualidades sensíveis, que acertam, prática ou esteticamente, de interessar-nos, para as quais, por isso mesmo, damos nomes substantivos, e que elevamos ao status exclusivo de independência e dignidade. (William James, citado por Ken Wilber em O espectro da consciência)