Por Rita Foelker
Isso de um pensamento acender dentro da minha cabeça no
corredor de um supermercado aconteceu novamente. Significa que a vida não está
esperando a gente se sentar de pernas cruzadas e fazer “pranayama” pra dizer o
que tem a dizer – embora isso ajude, muitas vezes!
Alguém muito querido disse que não sabe por que eu gosto tanto de
mercado, mas o fato é que não gosto. Vou lá em média uma vez por semana, porque
não sei resolver o que vou fazer durante o mês. Minha mente funciona por dia e
por grupos de sete dias... O restante, anoto em agendas.
Enfim! Eu ia andando com o carrinho pelo corredor e já tinha
algumas coisas dentro dele. E foi ali, ao desviar de alguém, que a luz se fez!
Foi quando eu percebi que um carrinho de supermercado representava muito bem o
que eu sou: um espaço vazio.
Uma estrutura feita para carregar coisas durante suas
andanças evolutivas. Para preencher-se do que lhe dá satisfação e nutre. Para
ser esvaziada de excessos, de apegos e outras coisas desnecessárias. Mas, no
fundo, em essência, eu era apenas essa estrutura.
Uma estrutura que retém coisas que penso e invento, coisas
de que rio e lamento, coisas que escolho guardar e depois me desfaço... que
considero importantes, até que descarto... E outras que vão ficando...
Um oco. Meu oco rsrsrs. Enfim, eu.
Tudo o que eu fui colocando ali dentro era o que de fato
tornava meu carrinho diferente do carrinho ao lado, porque originalmente, tudo
é carrinho vazio enfileirado na entrada da loja. O meu, o seu e todos os outros.
Sabe o que isso significou, naquele momento? Alívio. Alívio
de tudo o que não preciso mais e posso devolver pra prateleira. Alívio de poder
deixá-lo mais leve. Alívio de saber que aquilo tudo que seja peso ou incômodo
não pertence a mim, apenas está ali. E pode ser tirado ou modificado.
Sobra alguma coisa lá? Sobra: o aprendizado e o amor
aprendido. O suco da experiência.
Bom, isso é só uma metáfora, não tem a pretensão de ser
perfeita. Mas serviu pra eu entender muita coisa.
