domingo, 12 de outubro de 2008

Trair o próximo como a si mesmo

Vc tem medo do prazer ou da raiva que sente? Ou não admite que sente nada disso?
Negar impulsos de prazer e raiva tb cria o mesmo tipo de couraça de que eu falei antes, no post Relaxar e Gozar. Tô falando das vezes que, numa festa, vc quis mto dancar mas não foi por medo do ridículo, ou do quanto se esforçou pra não brigar com alguém e passou meses xingando a pessoa internamente, agindo como se tudo estivesse normal.
Como a gente vive numa comunidade de seres que idolatram o intelecto e freqüentemente negam o corpo, parece que não tem problema algum "socar" (como diria o Calunga) tudo lá pra dentro e fazer de conta que não existe. Posar de pessoa normal e centrada, só que com algumas "manias" esquisitas, inofensivas ou nem tanto.

Aprendi mto sobre td isso no Formare, conversando com a Sandra e fazendo os exercícios. O Formare funcionava assim: a gente dispunha (digamos) de 3 horas pra tratar de metolodogia. Metade ou, às vezes, mais da metade desse tempo era usada pra ajudar as pessoas a se soltarem, se mexerem, se tocarem, se observarem, sentirem a si mesmas. Isso podia acontecer por meio de um jogo de expressão corporal, uma dança, qqer coisa que fizesse mudar o registro da experiência, sair do racional e entrar mais em vc ao mm tempo que sente mais o outro e o meio.
Quando se permitem (nada é obrigatório), as pessoas nessa dinâmica se percebem rígidas e contidas. E a partir daí, soltar-se é uma vivência mto intensa, pois equivale e uma nova percepção de si. Reconhecer-se um ser inteiro e, não somente uma "ervilha chacoalhando dentro de uma vagem", como diz a Costello.
Segurar-se é desconfiar de si mesmo. É tratar-se como um bicho a ser confinado. Se fazemos isso conosco, que problema tem fazer o mesmo com as galinhas de granja e as vacas de leite?
Negar-se é trair-se. E pra quem trai a si mesmo, qual o problema de trair o próximo?

Um comentário:

Anônimo disse...

A alguns anos atrás, eu abandonei futebol, exercicio fisico, para ler, ler e ler.
O entusiasmdo com a doutrina espirita era tão grande que me transformei num cerebro ambulante, sem corpo, sem pés, sem coração.
Apenas um intelecto arrotando cultura, enfeitado, como árvore de natal, com conhecimento e saber.
Um dia, não mais que de repente, ouvi um som de bola pulando atrás de um muro. Algo, também pulou dentro de mim. E uma dor se pronunciou.
Fiquei profundamente triste, ou melhor, descobri aquela tristeza que esta escondida desde o dia que decidiu ser espirita.
Como fui tolo!
Como fui ingênuo!
Só agora, assim como vc, consegui entender que sou um "espirito", e não um "cérebro" apenas. E o espirito não está confinado na cabeça, nunca esteve, embora eu o tenha trancado por lá, durante algum tempo.
É muito bom voltar a se sujar de lama, suar até cansar, cair no chão, arranhar o joelho e gritar para todo mundo: """estou inteiro novamente, voltei a ser um ser completo""".