quinta-feira, 30 de julho de 2009

Razão e instinto segundo Kardec: fragmentos. Vermelhos, meus

O homem que julga infalível a sua razão está bem perto do erro. Mesmo aqueles, cujas idéias são as mais falsas, se apóiam na sua própria razão e é por isso que rejeitam tudo o que lhes parece impossível. Os que outrora repeliram as admiráveis descobertas de que a Humanidade se honra, todos endereçavam seus apelos a esse juiz, para repeli-las. O que se chama razão não é muitas vezes senão orgulho disfarçado e quem quer que se considere infalível apresenta-se como igual a Deus. Dirigimo-nos, pois, aos ponderados, que duvidam do que não viram, mas que, julgando do futuro pelo passado, não crêem que o homem haja chegado ao apogeu nem que a Natureza lhe tenha facultado ler a última página do seu livro. (Allan Kardec em O livro dos Espíritos)

A razão diz que um efeito inteligente há de ter como causa uma força inteligente e os fatos hão provado que essa força é capaz de entrar em comunicação com os homens por meio de sinais materiais. Interrogada acerca da sua natureza, essa força declarou pertencer ao mundo dos seres espirituais que se despojaram do invólucro corporal do homem. Assim é que foi revelada a Doutrina dos Espíritos. (O livro dos Espíritos, Prolegômenos)

LE - Questão 4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus? “Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”

A razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuir em grau supremo essas perfeições, porquanto, se uma Lhe faltasse, ou não fosse infinita, já Ele não seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus. (Resposta à questão 13 do LE)

LE - Questão 75. É acertado dizer-se que as faculdades instintivas diminuem à medida que crescem as intelectuais? “Não; o instinto existe sempre, mas o homem o despreza. O instinto também pode conduzir ao bem. Ele quase sempre nos guia e algumas vezes com mais segurança do que a razão. Nunca se transvia.”
a) - Por que nem sempre é guia infalível a razão? “Seria infalível, se não fosse falseada pela má educação, pelo orgulho e pelo egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite a escolha e dá ao homem o livre arbítrio.”
O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita, em que suas manifestações são quase sempre espontâneas, ao passo que as da inteligência resultam de uma combinação e de um ato deliberado. O instinto varia em suas manifestações, conforme às espécies e às suas necessidades. Nos seres que têm a consciência e a percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, isto é, à vontade e à liberdade.


Há muitas coisas que não compreendeis, porque tendes limitada a inteligência. Isso, porém, não é razão para que as repilais. O filho não compreende tudo o que a seu pai é compreensível, nem o ignorante tudo o que o sábio apreende. Dizemos que a existência dos Espíritos não tem fim. É tudo o que podemos, por agora, dizer.” (Resposta à questão 83 do LE)

Não temos visto a Ciência contraditar a forma do texto bíblico, no tocante à Criação e ao movimento da Terra? Não se dará o mesmo com algumas figuras de que se serviu o Cristo, que tinha de falar de acordo com os tempos e os lugares? Não é possível que ele haja dito conscientemente uma falsidade. Assim, pois, se nas suas palavras há coisas que parecem chocar a razão, é que não as compreendemos bem, ou as interpretamos mal. (Resposta à questão 131 do LE)

(...) tê-la-íamos repelido, mesmo que provindo dos Espíritos, se nos parecera contrária à razão, como
repelimos muitas outras, pois sabemos, por experiência, que não se deve aceitar cegamente tudo o que venha deles, da mesma forma que se não deve adotar às cegas tudo o que proceda dos homens
(Item 222 do LE)


Cabe-nos tudo julgar friamente e pesar-lhes as revelações na balança da razão. (Item 445 do LE)

À razão cabe distinguir as necessidades reais das factícias ou convencionais. (Resposta à questão 635 do LE)
LE - Questão 712. Com que fim pôs Deus atrativos no gozo dos bens materiais? “Para instigar o homem ao cumprimento da sua missão e para experimentá-lo por meio da tentação.”
a) - Qual o objetivo dessa tentação? “Desenvolver-lhe a razão, que deve preservá-lo dos excessos.”


O homem, que procura nos excessos de todo gênero o requinte do gozo, coloca-se abaixo do bruto, pois que este sabe deter-se, quando satisfeita a sua necessidade, Abdica da razão que Deus lhe deu por guia e quanto maiores forem seus excessos, tanto maior preponderância confere ele à sua natureza animal sobre a sua natureza espiritual. As doenças, são, ao mesmo tempo, o castigo à transgressão da lei de Deus. (Resposta à questão 714)

O homem, que procura nos excessos de todo gênero o requinte do gozo, coloca-se abaixo do bruto, pois que este sabe deter-se, quando satisfeita a sua necessidade. Abdica da razão que Deus lhe deu por guia e quanto maiores forem seus excessos, tanto maior preponderância confere ele à sua natureza animal sobre a sua natureza espiritual. As doenças, são, ao mesmo tempo, o castigo à transgressão da lei de Deus. (Resposta à questão 717 do LE)

LE - Questão 802. Visto que o Espiritismo tem que marcar um progresso da Humanidade, por
que não apressam os Espíritos esse progresso, por meio de manifestações tão generalizadas e patentes, que a convicção penetre até nos mais incrédulos? “Desejaríeis milagres; mas Deus os espalha a mancheias diante dos vossos passos e, no entanto, ainda há homens que o negam. Conseguiu, porventura, o próprio Cristo convencer os seus contemporâneos, mediante os prodígios que operou? Não conheceis presentemente alguns que negam os fatos mais patentes, ocorridos às suas vistas? Não há os que dizem que não acreditariam, mesmo que vissem? Não; não é por meio de prodígios que Deus quer encaminhar os homens. Em Sua bondade, Ele lhes deixa o mérito de se convencerem pela razão.”


Sem o livre-arbítrio, o homem não teria nem culpa por praticar o mal, nem mérito em praticar o bem. E isto a tal ponto está reconhecido que, no mundo, a censura ou o elogio são feitos à intenção, isto é, à vontade. Ora, quem diz vontade diz liberdade. Nenhuma desculpa poderá, portanto, o homem buscar, para os seus delitos, na sua organização física, sem abdicar da razão e da sua condição de ser humano, para se equiparar ao bruto. (Item 872 do LE)

A idéia do nada tem qualquer coisa que repugna à razão. O homem que mais despreocupado seja durante a vida, em chegando o momento supremo, pergunta a si mesmo o que vai ser dele e, sem o querer, espera. (Resposta à questão 959 do LE)

Ensinando-nos que a alma é um ser todo espiritual, a razão, mais esclarecida, nos diz, por isso mesmo, que ela não pode ser atingida pelas impressões que apenas sobre a matéria atuam. (Resposta à questão 973)

Limitada tendes, é certo, a vossa razão humana, porém, tal como a tendes, ela é uma dádiva de Deus e, com auxílio dessa razão, nenhum homem de boa-fé haverá que de outra forma compreenda a eternidade dos castigos. (Platão, em comentário à questão 1009 do LE)

“Oh! Em verdade vos digo, cessai, cessai de pôr em paralelo, na sua eternidade, o Bem, essência do Criador, com o Mal, essência da criatura. Fora criar uma penalidade injustificável. Afirmai, ao contrário, o abrandamento gradual dos castigos e das penas pelas transgressões e consagrareis a unidade divina, tendo unidos o sentimento e a razão.” (PAULO, apóstolo, em comentário à mesma questão)

Racionalmente, pois, não se pode admitir a ressurreição da carne, senão como uma figura simbólica do fenômeno da reencarnação. E, então, nada mais há que aberre da razão, que esteja em contradição com os dados da Ciência. (Resposta à questão 1011 do LE)

O Espiritismo é o mais terrível antagonista do materialismo. Não é, pois, de admirar que tenha por adversários os materialistas. Mas, como o materialismo é uma doutrina cujos adeptos mal ousam confessar que o são (prova de que não se consideram muito fortes e têm a dominá-los a consciência), eles se acobertam com o manto da razão e da ciência. E, coisa estranha, os mais cépticos chegam a falar em nome da religião, que não conhecem e não compreendem melhor que ao Espiritismo. Por ponto de mira tomam o maravilhoso e o sobrenatural, que não admitem. Ora, dizem, pois que o Espiritismo se funda no maravilhoso, não pode deixar de ser uma suposição ridícula. (LE, Conclusão)

Duas doutrinas se defrontam: uma, que nega o futuro; outra, que lhe proclama e prova a existência; uma, que nada explica, outra, que explica tudo e que, por isso mesmo, se dirige à razão; uma, que é a sanção do egoísmo; outra, que oferece base à justiça, à caridade e ao amor do próximo. A primeira somente mostra o presente e aniquila toda esperança; a segunda consola e desvenda o vasto campo do futuro. Qual a mais preciosa? (LE, idem)

O Espiritismo é forte porque assenta sobre as próprias bases da religião; Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras; sobretudo, porque mostra que essas penas e recompensas são corolários naturais da vida terrestre e, ainda, porque, no quadro que apresenta do futuro, nada há que a razão mais exigente possa recusar. (LE, ibid.)

Falsíssima idéia formaria do Espiritismo quem julgasse que a sua força lhe vem da prática das manifestações materiais e que, portanto, obstando-se a tais manifestações, se lhe terá minado a base. Sua força está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom senso. (...) Fala uma linguagem clara, sem ambigüidades.
Nada há nele de místico, nada de alegorias susceptíveis de falsas interpretações. Quer ser por todos compreendido, porque chegados são os tempos de fazer-se que os homens conheçam a verdade. Longe de se opor à difusão da luz, deseja-a para todo o mundo. Não reclama crença cega; quer que o homem saiba por que crê. Apoiando-se na razão, será sempre mais forte do que os que se apóiam no nada. (LE, Ibid.)



Do ponto de vista religioso, a fé consiste na crença em dogmas especiais, que constituem as diferentes religiões. Todas elas têm seus artigos de fé. Sob esse aspecto, pode a fé ser raciocinada ou cega. Nada examinando, a fé cega aceita, sem verificação, assim o verdadeiro como o falso, e a cada passo se choca com a evidência e a razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Em assentando no erro, cedo ou tarde desmorona; somente a fé que se baseia na verdade garante o futuro, porque nada tem a temer do progresso das luzes, dado que o que é verdadeiro na obscuridade, também o é à luz meridiana. Cada religião pretende ter a posse exclusiva da verdade; preconizar alguém a fé cega sobre um ponto de crença é confessar-se impotente para demonstrar que está com a razão. (O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. 19, item 6)

Em certas pessoas, a fé parece de algum modo inata; uma centelha basta para desenvolvê-la. Essa facilidade de assimilar as verdades espirituais é sinal evidente de anterior progresso. Em outras pessoas, ao contrário, elas dificilmente penetram, sinal não menos evidente de naturezas retardatárias. As primeiras já creram e compreenderam; trazem, ao renascerem, a intuição do que souberam: estão com a educação feita; as segundas tudo têm de aprender: estão com a educação por fazer. Ela, entretanto, se fará e, se não ficar concluída nesta existência, ficará em outra.
A resistência do incrédulo, devemos convir, muitas vezes provém menos dele do que da maneira por que lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega já não é deste século (1), tanto assim que precisamente o dogma da fé cega é que produz hoje o maior número dos incrédulos, porque ela pretende impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio. É principalmente contra essa fé que se levanta o incrédulo, e dela é que se pode, com verdade, dizer que não se prescreve. Não admitindo provas, ela deixa no espírito alguma coisa de vago, que dá nascimento à dúvida. A fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa. A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu. Eis por que não se dobra. Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.
A esse resultado conduz o Espiritismo, pelo que triunfa da incredulidade, sempre que não encontra oposição sistemática e interessada. (EV - Cap. 19, item 7)

O irracional na produção do conhecimento científico

O filósofo Gilles Gaston Granger encarou o desafio de compreender o papel do irracional na produção do conhecimento científico. Em O irracional (Ed. Unesp), ele se propõe a considerar a sua presença fundamental em certas "criações maiores" do espírito humano, e suas consequências.
Para ele, há três casos possíveis:
1. aceitá-lo como um obstáculo a ser transposto;
2. aceitá-lo como um recurso, abandonando deliberadamente as regras da racionalidade;
3. renunciar ao racional, dando vazão à fantasia.
Granger reconhece um irracional epistêmico, aquele que aparece no próprio processo de conhecimento, quando esse processo encontra inesperadamente uma propriedade de seu objeto que impede de prosseguir esse processo tal qual. Seria o caso narrado em Uma estranha realidade, em que o autor não consegue compreender nem explicar a queda das folhas do sicômoro.
- Seu problema é que quer entender tudo, e isso não é possível. Se insiste em entender, não está considerando todo seu destino como ser humano. - Diz o xamã.
(Os cientistas em geral não estão considerando nosso destino espiritual infinito...)
- Você está acorrentado - exclamou Dom Juan. - Está acorrentado à sua razão.
Ao lado do irracional epistêmico, porém, de acordo com o filósofo, temos também o irracional técnico e o axiológico. O primeiro se refere a processos mais eficazes e econômicos que surgem quando falta o conhecimento científico suficiente. O segundo se refere à falta de coerência com um sistema de valores.

O irracional pode ser sentido, não como uma oposição ao racional - segundo Granger - mas antes como uma abertura para um mundo oculto ao mesmo tempo que o signo precursor, ainda indistinto, de uma ciência futura.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Tudo que andei publicando na Revista Universo Espírita

Comecei na Universo Espírita na edição nº 5, escrevendo para a seção Filosofia Espírita para Crianças, e continuo até hoje. Nesse espaço, já foram publicados:


Ed. nº 5 - “Como tudo começou” – Os princípios espíritas para as crianças
Ed. nº 6 - “Aprender a pensar” – Disciplinar o pensamento é estimular o discernimento para as coisas que nos cercam.
Ed. nº 7 - “Um espaço para pensar e trocar”– A importância de um ambiente que incentive o pensamento e o diálogo.
Ed. nº 8 - “Um ensino com mais participação”
Ed. nº 9 - “Uma proposta de ensino filosófico”
Ed. nº 10 - “Criando pontes entre o pensar e o sentir”– Como praticar filosofia
Ed. nº 11 - “O valor da capacitação”– O desafio de ensinar e a motivação para aprender
Ed. nº 12 - “Heranças de Sócrates e Platão”– Instruções para uma atitude racional
Ed. nº 13 – “Espiritualidade, amor e filosofia”– Aprendendo a aplicar a reflexão e o diálogo
Ed. nº 14 - “Perguntas que incentivam ao diálogo” – Aprenda como perguntar
Ed. nº 15 - “Qual a melhor forma de educar?”

Ed. nº 16 - “Planejar com liberdade” – O papel do educador no ensino filosófico
Ed. nº 17 - “Verdadeiros interesses”– Aprender por aprender é estupidez. Somente os idiotas aprendem coisas para as quais eles não têm uso
Ed. nº 18 - “Como a casa espírita compreende e trata o educando?”
Ed. nº 19 - “Conquistas evolutivas” – Algumas práticas educacionais do meio espírita contradizem os princípios filosóficos do Espiritismo
Ed. nº 20 - “Aprender é natural” – Frequentemente, o educador nada contra a corrente, quando poderia ir a favor
Ed. nº 21 - “Resistência à aprendizagem” – Quais as causas do desinteresse dos alunos pelo que a escola ensina
Ed. nº 22 - “A verdadeira educação e sua função social” –Educando homens de bem, constrói-se uma sociedade melhor
Ed. nº 23 - “Verdades para buscar a verdade” – Para que o educando aprenda sobre a sua verdade interior – quem é, de onde veio, para onde vai -, primeiro é preciso que o educador a reconheça
Ed. nº 24 - “Níveis de comunicação” – Um conhecimento realmente transformador é aquele que se comunica com os sentimentos e influencia as ações na vida.
Ed. nº 25 - “Pensentir” – Pensar e sentir para buscar o verdadeiro conhecimento
Ed. nº 26 - “Valores verdadeiros” – Será que sabemos realmente o que importa na vida? Se sim, transformamos esses bens em algo prático para utilização em nosso cotidiano?
Ed. nº 27 - “O educador perante a sociedade” – Dizendo que a educação transforma a sociedade, o Espiritismo converte o educador num agente de transformação social
Ed. nº 28 - “Vencendo o medo de se expor” – Estratégias que incentivam a comunicação dos membros mais tímidos e receosos do grupo
Ed. nº 29 - “Ambiente material e espiritual” – Os espaços de trabalho , de casa, do cotidiano enfim, influenciam a saúde emocional, o humor e a predisposição para aprendizagem
Ed. nº 30 - “Do conhecimento como elaboração coletiva” – O verdadeiro aprendizado ocorre pela troca de experiências, pelo diálogo fraterno e pela compreensão, e manifesta-se com a transformação do ser
Ed. nº 31 - “O pacote inerte e a alternativa da filosofia” – Muitas formas de ensino não geram um saber íntimo, transformador; contudo, outras oferecem diálogo, reflexão, discernimento e liberdade
Ed. nº 32 - “Pensar-se” – Você já pensou o porquê de ser quem é? Se é possível modificar seus valores, enraizados desde a infância e também adquiridos em vidas anteriores? A filosofia e a razão podem auxiliar neste processo íntimo e reflexivo
Ed. nº 33 - “Em busca de significados” – Os passos do ser humano na Terra ocorrem todos em função de perguntas que necessitam de respostas e de problemas que necessitam de soluções
Ed. nº 34 - “A filosofia no colégio” – Filosofia e sociologia voltam a ser obrigatórias no ensino médio, mas se não for levado em conta o método de ensino, as novas disciplinas não farão grande diferença
Ed. nº 35 - “O que é educação espírita?” – Ensinar Espiritismo não é fazer catecismo, não é impor conhecimento, é partir da compreensão de que somos Espíritos imortais
Ed. nº 37 - “Diferencial do ensino espírita para crianças” – O aprendizado dos conceitos doutrinários só pode ser feito de uma maneira: por meio da lógica e razão
Ed. nº 38 - “Um projeto chamado família” – Problemas familiares, quem não os tem? Muitos tampam o sol com a peneira, exaltam os bons relacionamentos e ignoram os maus; contudo, o melhor, para toda a família, é enfrentar o problema de frente
Ed. nº 39 - “Construção do diálogo” – Estamos habituando as crianças ao debate e ao diálogo no dia-a-dia?
Ed. nº 40 - “Ensino filosófico e ensino religioso” - O ensino do Espiritismo para crianças, jovens e adultos não poderá se revestir das características do ensino religioso, nem com este ser confundido, mas tem muito pontos em comum com o ensino filosófico

Ed. nº 41 - “Espaços de debate” – Filosofar no colégio é mais que ensinar filosofia ou ler textos clássicos
Ed. nº 42 - “Um projeto chamado família” (Publicado novamente, por deliberação do editor)
Ed. nº 43 - “Investir para ser capaz” – A qualidade dificilmente existirá enquanto tratarmos a educação infanto-juvenil espírita como uma simples questão de amor ao próximo e boa vontade!
Ed. nº 44 - “Agosto, mês dos pais” – Será que datas comemorativas refletem nossos verdadeiros sentimentos?
Ed. nº 45 - “Reflexos do Pan” – Os diferentes aspectos da prática esportiva na infância e adolescência
Ed. nº 46 - “Alô, futuro!” – Conceitos equivocados impedem a renovação das ideias e métodos no trabalho educacional das instituições
Ed. nº 47 - “Por um ensino mais atraente” – Todos agimos em função de motivos, e na aprendizagem a motivação é fundamental
Ed. nº 48 - “O que é ser um mestre” – A conduta cristã não é passiva nem subserviente
Ed. nº 49 - “Aprendendo por meio da filosofia” – Uma das formas interessantes de começar a filosofar, especialmente com as crianças, é encontrar um caminho promissor e explorá-lo juntos
Ed. nº 50 - “Oportunidades para pensar”– Conheça uma atividade, simples de fazer, para estimular o raciocínio, a imaginação e a expressão de pontos de vista das crianças
Ed. nº 51 - “Ensinamentos sobre a imortalidade da alma” – A realidade da reencarnação e da existência do espírito há muito foi aclamada pelos filósofos, conceitos que hoje são menosprezados pela maioria dos acadêmicos
Ed. nº 52 - “Um estudo com efeitos práticos” – Todas as pessoas que leram sobre o Espiritismo ou participam de casas espíritas provavelmente ouviram falar em fluidos. Mas o que são fluidos?

Ed. nº 53 - “Refletir sobre imagens” – Saiba como as tradições antigas utilizavam as imagens para servir de ferramentas filosóficas
Ed. nº 54 - “Olhar, ver, filosofar” – Como e por que todos os sentidos podem ser utilizados nas reflexões filosóficas
Ed. nº 55 - “Como planejar com liberdade” – É possível conciliar planejamento de tarefas com liberdade de pensar, falar e agir (este tema também foi tratado anteriormente, na Ed. 16)
Ed. nº 56 - “Professor, deixe-nos em paz!” – A insatisfação dos alunos tem razão e tem culpados; afinal, ninguém quer ser um número, todos querem ser só si mesmos e exigem esse reconhecimento
Ed. nº 57 - “Páginas de Vida” – Aprendemos de fato aquilo tudo que anotamos em nossos cadernos escolares, pela vida afora?
Ed. nº 58 - “Deus, um tema e seu desafio” – Uma prática efetivamente educacional requer do educador constante reestudo e reflexão sobre os temas de que trata
Ed. nº 59 - “Produção de Texto x Redação” - Como as escolas vêm encarando o desenvolvimento da escrita?
Ed. nº 60 - “Atitudes perante o conhecimento” – Qual o sentido de nossa procura por conhecimento, quando os valores do Espírito entram em jogo?
Ed. nº 61 - “Liberdade de todos, consciência de cada um” – Ser livre é a lei divina para todos os Espíritos, mas saber usar bem a liberdade é algo que se aprende em ambiente de diálogo, vivências e análise das próprias opções e consequências
Ed. nº 62 - “O lugar da educação segundo o Espiritismo” – Pestalozzi pode ser considerado uma importante referencia de valores educacionais que a Doutrina Espirita nos propõe e oferece importantes contribuições para efetivar sua prática
Ed. nº 63 - “Coerência não é rigidez” – O limite entre ser coerente e recusar-se a rever opiniões e conceitos é muito tênue. Compreender a diferença pode ser fator decisivo na atuação do educador
Ed. nº 64 - “Essa tal liberdade...” - Como ajudar uma criança a se sentir livre e a usar bem a liberdade?
Ed. nº 65 - “O ponto de partida” - Ao abraçar a tarefa educacional, confiemos na força transformadora do amor
Ed. nº 66 - “Viver, sentir, refletir” – Vamos entender as leis da vida para aplicar na educação do Espírito
Ed. nº 67 – “Religião e moral”
Ed. nº 68 – “Observar para educar”


Outros textos publicados em diversas seções:

Ed. nº 13 – Filosofia – “A obra de Calunga”
Ed. nº 15 – Filosofia – “O nascimento da virtude”
Ed. nº 19 – Resenha – Psicologia do futuro – S
tanislav Grof
Em Universo Literário nº 2: “Venda Proibida”, entrevista a Léia Tavares
Ed. nº 20 – Filosofia – “O verdadeiro eu” – Somos três: aquilo que somos para os outros, aquilo que somos para nós e aquilo que realmente somos
Em Universo Literário nº 3: Eu recomendo O espírito e o tempo, de Herculano Pires
Ed. nº 21 – Maiêutica - “O jardim da Educação” – Entrevista por Léia Tavares
Ed. nº 22 - Especial I – “Em busca dos Evangelhos proibidos” – Existem verdades no livro O Código da Vinci? Será que o autor explicitou significados ocultos guardados por organizações secretas há mais de dois mil anos?
Ed. nº 24

Em Universo Literário nº 7: Resenha - Mesmer, a ciência negada e os textos escondidos, de Paulo Henrique de Figueiredo
Ed. nº 26 - Conto – “Uma dádiva para todos os Natais”– Um conto de Natal, em sua singeleza e honestidade, é um dos marcos da literatura universal de todos os tempos.
Ed. nº 28 - Especial – “Crianças índigo não existem” – por Paulo Henrique de Figueiredo e Rita Foelker – Uma criação do mercado de auto-ajuda norte-americano confunde pais e professores misturando misticismo e educação.
Ed. nº 29 - Filosofia – “Caçadores de mitos e fraudes” – Tanto o ceticismo ferrenho quanto a crença cega são prejudiciais para a compreensão de qualquer conceito.
Ed. nº 31 - Especial – “Terapia do Riso” – Inspirados nos ideais do Dr. Patch Adams, um grupo de palhaços-voluntários leva a alegria para os hospitais e transforma o cotidiano e a vida de pacientes e profissionais da saúde
Ed. nº 36 - Entrevista – “Lembranças de outras vidas” – Por Léia Tavares – “Escritora com mais de 40 títulos publicados, Rita Foelker lança seu primeiro romance, que trata de imortalidade, vidas passadas e comunicação com Espíritos”.
Ed. nº 38 - Filosofia – “A dúvida como caminho para a certeza” – Filósofo conhecido pela célebre frase “penso, logo existo”, René Descartes, deixou vasta obra, produzida, sobretudo, por meio de suas investigações íntimas e suas experiências ao longo da vida; suas conclusões levaram-no a muitos conceitos comuns aos espíritas”
Ed. nº 43 - Capa – “Quando é preciso colocar um ponto final” – Recente pesquisa realizada pelo DataFolha informou que 93% dos espíritas são a favor do divórcio, o índice mais alto entre as outras religiões analisadas, com média de 65%. Contudo, na realidade, ao vivenciarem uma situação de possível separação, muitos adeptos se perguntam se não estariam indo contra os programas de vida que eles mesmos fizeram antes de reencarnar. Os Espíritos Superiores foram bem claros sobre a questão. Ao ler esta matéria você vai saber por quê.
Ed. nº 45 - Ciência – “Afinal, pode-se falar numa Ciência Espírita?” – Por Rita Foelker, colaboração de Silvio Seno Chibeni – “Muito do que se diz do Espiritismo é preconceito e o preconceito nada tem de científico. É preciso conhecer para poder julgar”.
Em Universo Literário nº 28: Resenha – Quando o impossível acontece - Conceituado psiquiatra mostra como e por que a realidade espiritual desafia os limites da ciência materialista
Ed. nº 47 - Filosofia – “Um relógio para o mundo” – “O que é o tempo? Será criação do homem ou existe à parte dele? Diferentes perspectivas de muitos pensadores e cientistas mostram como se modificam as concepções humanas sobre passado, presente e futuro no decorrer da história
Ed. nº 48 - Conto infantil – “O primeiro Natal” – Escrito sob a inspiração das comemorações natalinas, este conto revive a noite do nascimento de Jesus, por meio do diálogo entre dois Espíritos que são espectadores e comentaristas do grande acontecimento. Afinal, qual é a origem do Natal? Qual a melhor forma de rememorá-lo e de celebrá-lo, nos dias atuais?
Ed. nº 48 - De olho na mídia – “O que nossos filhos aprendem nos livros” – Matérias em revistas de circulação nacional alertam para o problema da ideologia escondida sob a forma de conteúdos didáticos, e, não se engane, em livros infantis espíritas isso também acontece
Ed. nº 52 - Filosofia – “Como a aristocracia intelecto-moral governará o mundo?” – No século 19, Allan Kardec previu uma revolução na organização política do mundo, um futuro glorioso, pleno de igualdade. Nosso planeta está caminhando para sua regeneração, quando ela chegar daremos, então, os verdadeiros passos para que a fraternidade seja nossa única lei
Ed. nº 53 – Maiêutica - Entrevista
com Wagner Borges: “Observar para comprovar”
Ed. nº 53 – Resenha – “A verdade é uma só” – Flama espiritual é o novo livro do espiritualista Wagner Borges, que exemplifica sua visão universalista ao encontrar as mesmas leis em diferentes doutrinas filosóficas e religiosas
Ed. nº 54 - Ciência – “A ciência espírita está desatualizada?” – Allan Kardec deixou claro que uma ciência que pretende sobreviver ao tempo precisa acompanhar a marcha do progresso. Mas, antes de impor uma revisão da ciência espírita, é preciso compreender suas intenções, ao afirmar isso
Ed. nº 55 – Capa – “Causa e Efeito: Os mecanismos secretos da evolução espiritual” – Já há muitos séculos os seres humanos pensam sobre a responsabilidade espiritual, encontrando diversas explicações sobre como suas ações geram consequências boas ou ruins para si mesmos. No Espiritismo, fala-se em lei de ação e reação. No entanto, até que ponto esta lei é bem compreendida? Até que ponto sabemos escolher, com base no conhecimento que já possuímos?
Ed. nº 56 - Capa – “Almas Gêmeas: o sonho de encontrar a outra metade” – Os ideais românticos embalaram poeta e músicos. A busca do parceiro ideal, a possibilidade de uma harmonia perfeita no relacionamento com um ser predestinado leva muitas pessoas a projetarem seus sonhos de felicidade na união a dois. Será que existe em algum lugar do Universo esse ser que nos completa, uma alma gêmea? Todos nós teríamos a “outra metade”? Conheça o que o Espiritismo pode nos dizer seguramente a esse respeito, a partir de seus fundamentos filosóficos
Ed. nº 58 - De Olho na Mídia – “Olhos fechados, coração aberto”– Sem a perspectiva da sobrevivência do Espírito, pessoas e instituições se vêm despreparadas para lidar com a morte como fato natural. Ficção e um relato verídico apresentam a condição do paciente terminal e seus instrumentos para enfrentar o anúncio de uma partida antes do esperado
Ed. nº 59 – Maiêutica - Entrevista com Ada May – “Informação e formação pelos livros” – A literatura espírita voltada para crianças e adolescentes pode contribuir para a construção de cidadãos moralmente evoluídos, socialmente justos e solidários. Mas como os jovens assimilam os conceitos doutrinários incutidos nessas obras? Convidamos três pré-adolescentes para conversar com a autora de um livro juvenil espírita e desvendar essa questão (Ada May é autora de Nina e o Mistério do Casarão)
Ed. nº 59 – Ciência – “O materialismo deve comandar as escolhas da ciência?” – A perspectiva materialista tem impedido a ciência de apreciar as concepções espiritualistas do Universo. Mas a história demonstra que nem sempre as visões predominantes num determinado período acabam prevalecendo com o passar do tempo
Ed. nº 60 - Guia Visual – “Jesus na Arte” – Artistas de diferentes épocas e lugares retrataram Jesus de diversas maneiras, segundo idéias, interesses e cultura de seu tempo. Siga este caminho por 500 anos de história da arte. Ele começa no nascimento e termina no testemunho de sua imortalidade
Ed. nº 60 - Bastidores da Obra – “Livro de cabeceira” – Por Rita Foelker e Vivian Palmeira – O Evangelho segundo o Espiritismo é um campeão de vendas e uma das obras mais lidas e conhecidas entre espíritas e simpatizantes da Doutrina. Passados 150 anos do seu lançamento, o conteúdo mantém sua atualidade e fala direto aos corações que buscam orientação espiritual segura. Qual o segredo desse sucesso?
Ed. nº 61 - Filosofia – “A alma dos animais nas margens da filosofia” – Quando o homem imagina que o animal não tem alma, justifica o desrespeito e as maiores atrocidades com as outras espécies. Conheça a visão espírita sobre os animais e por que devemos agir com benevolência e caridade para com todos eles
Ed. nº 62 - Espíritos da Codificação - “William Channing antecipou idéias espíritas” – Vida espiritual, pluralidade dos mundos habitados e mediunidade aparecem no discurso de um pastor estadunidense quando as manifestações e idéias espíritas sequer haviam surgido entre nós
Ed. nº 63 – Capa - Texto integrante do dossiê sobre Aborto: “Quando pessoas se tornam descartáveis” Responder ‘sim’ ou ‘não’ à descriminalização do aborto só é possível quando se respondeu para si mesmo uma outra pergunta crucial: Qual o significado da vida?
Ed. nº 63 – Psicologia – “BBB, o que não se vê” – O reality show, que mobiliza telespectadores e polariza opiniões, também traz à tona os padrões vigentes na nossa sociedade e desvenda uma característica psicológica que já trazemos conosco há vinte séculos
Ed. nº 63 – Suíte – “Uma alternativa ética para as células-tronco” – Pesquisas desenvolvidas no Brasil solucionam problemas éticos relacionados às terapias com células-tronco embrionárias
Ed. nº 65 – Maiêutica - Entrevista com Dr. Marcus Zulian Teixeira – “Homeopatia, pratica médica vitalista” – O ser humano é Espírito, corpo e força vital. Desde o século 18, esta é a visão da medicina homeopática, e com ela concordam a filosofia espírita e a ciência do Magnetismo Animal. Nosso entrevistado responde o que é doença, saúde, cura, num universo onde semelhante cura semelhante

Ed. nº 65 – Questione: “Tatuagens marcam o perispírito?”
Ed. nº 65 – Capa – “Como posso saber se sou médium?” Médiuns iniciantes não sabem se recebem pensamentos dos Espíritos ou se têm apenas idéias próprias. Conheça algumas dicas que podem acabar com as suas duvidas. Por Paulo Henrique de Figueiredo e Rita Foelker
Ed. nº 66 - Maiêutica - Entrevista com Astrid Sayegh – “Eu filosofo, nós filosofamos” – Filosofia não é apenas para alguns. As grandes questões da vida, que valem a pena investigar e aprofundar, conduziram Astrid Sayegh por caminhos que você vai conhecer e querer trilhar também
Ed. nº 66 - Capa – “Como ‘adestrar’ seu filho” – A educação não se faz de soluções fáceis e fórmulas mágicas. O seu caminho passa pela atenção, respeito e diálogo entre pais e filhos. Por Rita Foelker – “Educação como desenvolvimento do Espírito” – Elaborar sistemas educacionais coerentes com a concepção espírita da evolução humana é uma tarefa essencial na criação de uma nova sociedade. Por Paulo Henrique de Figueiredo Ed. nº 66 - Filosofia – “Justiça dos homens” – Tudo o que é justo é bom. Tudo o que é bom vem de Deus. Portanto, tudo o que é justo vem de Deus
Ed. nº 66 - Guia Visual – “Exposição interativa Médicos Sem Fronteiras” – A organização médico-humanitária independente é comprometida em ajudar vítimas de catástrofes, conflitos, epidemias e exclusão social, em mais de 60 países. Por Rita Foelker e George De Marco

Ed. nº 67 – Questione: “Quando atingimos a perfeição, perdemos nossa individualidade?”
Ed. nº 67 – Capa - “O segredo da ajuda espiritual”, por Rita Foelker e Paulo Henrique de Figueiredo
Ed. nº 67 – Ciência - “Sabedoria dos Xamãs” - Ciência desvenda estados alterados de consciência
Ed. nº 68 – Maiêutica - “Autoridade do argumento” - Junto com Cristina Helena Sarraf, entrevista com Pedro Camilo (ainda vai sair)
Ed. nº 68 – Capa - “O Espiritismo explica os milagres de Jesus” (ainda vai sair)

Ilustrações:

64 - Caricatura de Monteiro Lobato para Caso Real – “Espíritos em garrafas”
68 - Caricatura de Chico Xavier para Jornal Chico Xavier nº 5

Obs.: Durante um período, fiz ilustrações para a seção Filosofia Espírita para Crianças.

Energia e consciência


O caminho do conhecimento é um caminho forçado. A fim de aprender, temos de ser empurrados. No caminho do conhecimento, estamos sempre lutando contra alguma coisa, evitando alguma coisa, preparados para alguma coisa; e essa coisa é sempre inexplicável, maior, mais poderosa que nós. (Carlos Castaneda em Uma estranha realidade)

Um dia, diante de Dom Juan, eu pude sentir como as coisas importavam pouco, afinal. Disse a ele que devíamos agradecer-lhe pelo esforço de registrar todos os seus conhecimentos e histórias, pois era importante que a tradição dos xamãs de sua linhagem não perecesse, que tivéssemos testemunhos escritos. Sua presença inspirava grande respeito mas, ao mesmo tempo, deixava transparecer uma certa displicência por si próprio. Fiquei bastante emocionada por estar ali, mas ele me fez ver que o que tinha feito de importante, de fato, era praticamente nada: simplesmente estar sentado numa parada de ônibus, um certo dia, quando um jovem veio puxar conversa, interessado em saber coisas sobre plantas.
A vida não deixa seus propósitos sempre claros, porque faz parte do aprendizado o empenho em descobrir.
Acho que naquele dia eu entendi também o que ele quis dizer sobre a morte não ser nada - porque não existe um evento específico geral que podemos chamar de morte, existe apenas o momento singular em que suas sensações físicas amortecem e você continua o que estava fazendo, percebendo de pronto o que houve ou não.
De novo, o seu nominalismo transpareceu, na compreensão da importância das coisas que são percebidas de uma certa forma apenas por quem as vivencia, e pronto. Não vale a pena falar sobre elas. Quando um homem aprende a ver, não prevalece nenhuma única coisa que ele conheça. Nenhuma única. - Disse Dom Juan em Uma estranha realidade. A consciência é apenas ver. Ver sabendo que aquilo é. Ver conforme se expressa na energia.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Talvez a cena mais quente do cinema





Burt Lancaster e Deborah Kerr em A um passo da eternidade

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Dor e prazer como percepções do cognoscente


Se a energia flui de uma certa maneira, seguir o fluxo da energia é, para eles, ser funcional. Função é, portanto, o denominador comum através do qual os xamãs encaram os fatos energéticos de seu mundo cognitivo. Eu já citei este trecho de A erva do diabo em outra postagem.
O mundo cognitivo dos xamãs do México Antigo registra unidades que são os fatos energéticos. Percebidos, são eles que dão informações sobre a realidade. Elaborados, eles permitem teorizar e generalizar, criando uma ciência do mundo invisível que pode predizer e explicar fenômenos, permitindo que eles se orientem funcionalmente na existência.
A função pedagógica da dor e do prazer
Dor e prazer são fatos energéticos, antes de serem sensações humanas. John Pierrakos diz que a dor sinaliza a fragmentação da integridade do ser humano. Acontece quando o fluxo de energia é bloqueado dentro do organismo (...). Quando a corrente flui sem impedimentos, produz a sensação e a experiência do prazer. A dor é produzida por uma rigidez, bloqueio ou contração que interrompe ou inibe o fluxo de energia.
Se o intento do universo é aumentar a consciência, a função da dor e do prazer é despertá-la. A percepção subjetiva e objetiva da dor e do prazer, aliada à certeza de que eles começam e terminam em nós mesmos, nos ensinam sobre nossa forma de fluir ou não na realidade, bem como sobre a melhor forma de funcionarmos. Lembro de Calunga dizendo "Se está doendo, é porque está errado."
Pierrakos não exagera ao afirmar que Reich é o precursor de uma nova era em que poderemos esperar construir uma síntese universal do conhecimento. (Energética da essência, p. 51) Uma epistemologia dos estados alterados que leva a uma epistemologia dos fatos energéticos.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Além da mente conceitual


O Fer gosta muito de buscar coisas interessantes na internet, e ele encontra muitas.
Passeando num site que ele tinha achado, encontrei a arte de Pablo Amaringo e na arte deste peruano uma imagem que me impressionou muito: um curandeiro de cuja boca saiam cobras brancas enquanto tratava uma mulher doente. Está em um dos quadros que postei anteontem, detalhe ao lado.
Ela me impressionou por uma razão muito simples: repetidas vezes nos rituais xamânicos de que participei, eu vi cobras, dezenas delas, negras e brilhantes, saindo de mim. E se espalhavam rapidamente pelo chão, geralmente em torno da fogueira. Os Espíritos que conversavam comigo me mostraram que elas “destruíam” resíduos de energias que tinham ficado no ambiente. Estavam relacionadas à cura.
Corroborando o que eles me disseram, o livro Ayahuasca visions, explica que as cobras na pintura estão extraindo do corpo da mulher os espinhos de uma planta que está causando a doença.
O quadro fala de algo que já vivi, sem saber que alguém tinha visto e registrado antes de mim.
O que isto me mostra, sobre o conhecimento? Que ele está além do raciocínio, além do árduo palmilhar da mente conceitual. Como escreveu John Pierrakos em Energética da essência: "Freud observou a Thornton Wilder que a intuição criativa faz muitas descobertas produtivas, a que a pesquisa científica só chega muito tempo depois. Essas descobertas científicas vêm muito atrasadas (...)."
Isso, porém, não diminui o valor da ciência. Nem da mente conceitual, que ainda é nossa rede de proteção quando damos aquilo que Einstein e João da Cruz chamam de "saltos de compreensão". O problema da rede é nos apegarmos a ela como se fosse tudo o que existe. Certo, Hans?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Kardequinho na capa!

A caricatura de Kardec foi feita como proposta de ilustração de capa para o livro O Evangelho segundo o Espiritismo para jovens , da Laura Bergallo. Foi aprovada e com a programação visual do Fred Aguiar, diretor de arte da Universo das Letras, o resultado ficou excelente! Que acha?

terça-feira, 21 de julho de 2009

Visões de Pablo Amaringo








As telas de autoria do artista Pablo Amaringo (1943) são parte integrante do livro Ayahuasca visions, the religious iconography of a peruvian shaman, de Pablo Amaringo e Luis Eduardo Luna (North Atlantic Books). Mais sobre o livro aqui.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

terça-feira, 14 de julho de 2009

"Condição predatória" do universo, segundo Dom Juan


Estamos sendo continuamente puxados, empurrados e testados pelo próprio universo. Para eles [os xamãs do México antigo] era um fato energético que o universo em geral é predatório ao máximo. (...) A condição predatória do universo significava que o intentar do universo é estar continuamente testando a consciência. (...) Exercendo pressão sobre todos esses seres [orgânicos e inorgânicos], o universo os força a expandir a própria consciência deles, e dessa forma o universo se esforça para se tornar mais consciente de si próprio. No mundo cognitivo dos xamãs, portanto, a consciência é o resultado final. (Carlos Castaneda, em A erva do diabo)

É a segunda vez que transcrevo o trecho acima, que assumiu um outro significado a partir da recente leitura de O caminho da autotransformação.
O "universo autoconsciente" - como o denomina Goswami - não pode evitar ser mais consciente. A consciência não pode evitar de se expandir, é de sua própria natureza a curiosidade e o aprendizado. Por isso, querer fechar-se em sistemas perfeitos é uma ilusão, imaginar que se atingiu o ápice da compreensão das coisas, em nosso momento evolutivo, é uma ilusão.
É mais sábio e conforme a natureza da consciência aceitar a própria expansibilidade, a impermanência dos conceitos e idéias, a eventual derrocada das certezas. Todo conhecimento em nosso momento evolutivo precisa ser encarado como provisório e descartável.
Citando John Pierrakos, em Energética da essência: As grandes inovações na Terra foram feitas através da intuição. (...) Os brilhantes saltos de compreensão, para usar uma expressão registrada por gênios tão díspares quanto o místico cristão João da Cruz e o físico Albert Einstein, originam-se na Essência. (...) Cada um de nós tem aquilo que alguns chamam de percepção intuitiva ou momentos de verdade, ou rasgos de percepção cuja origem não percebemos, mas cuja realidade profunda nos inunda de convicção.

domingo, 12 de julho de 2009

terça-feira, 7 de julho de 2009

Mente oriental




Mandala





Yin Yang

Mente renascentista






Integra Naturae Speculum Artisque Imago (1617), desenho de Robert Fludd

sábado, 4 de julho de 2009

O que mais cabe num círculo (na sua mente)?




Girassol





Cerâmica de Iznik, Turquia (aprox. 1550)




Placa de trânsito




Vega - Haromszor (1971), de Victor Vasarèly

quinta-feira, 2 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O que cabe num círculo (na sua mente)?




Limite do Círculo III (1959), gravura de M. C. Escher





Teto do Templo de Adinatha (Séc. XV), em Ranakpur, Índia

Apontamentos epistemológicos a partir de Castaneda e do Guia de Eva Pierrakos

A única coisa que é comum a todos nós é que Mescalito revela seus segredos em particular a cada homem.


- Claro que não consegue compreender - falou. - Você está tentando pensar a respeito, e o que eu disse não se coaduna com seus pensamentos.
- Estou tentando pensar a respeito, porque esse é o único meio pelo qual eu, pessoalmente, consigo entender alguma coisa.


(Trechos de Uma estranha realidade, de Carlos Castaneda)


Sua mente é limitada apenas por causa do seu próprio conceito da sua limitação.


Diga a você mesmo que apenas mantém crenças limitadas, em vez de tomá-las como definitivas.


(Trechos de palestras do Guia de Eva Pierrakos em O caminho da autotransformação)


Um esquema visual como esse aí pode ajudar a conceber coisas abstratas.
A idéia da evolução como espiral não é nova. Ela explicita a ampliação do entendimento da verdade durante o processo evolutivo que se inicia nos reinos inferiores, atravessa a fase humana e continua indefinidamente.
Amplia-se a compreensão espiritual das leis e processos inerentes à vida, e também a possibilidade de ação.
Um dos instrumentos importantes para essa ampliação é a mente, nossa ferramenta de apreensão de conceitos. Na fase humana, pensando primeiro o concreto e depois o abstrato, desenvolvemos noções de coerência, lógica, memória e raciocínio, que se tornam importantes no aprendizado e no estabelecimento de critérios para nossos juízos e escolhas.
A natureza eminentemente expansiva da mente garante que o processo não venha a cessar.
Ela, contudo, tem no presente o alcance dos conceitos que somos capazes de apreender. Seu 'tamanho' tende a ampliar-se, mas ao mesmo tempo é muito tentador confiar exclusivamente nas suas ferramentas (ou naquilo que ela contém atualmente) para nos pautarmos na vida. Note-se contudo que o apego a idéias e raciocínios presentes pode tornar-se impeditivo da apreensão de novas idéias e raciocínios que se aplicam além de nosso entendimento limitado.
É natural, então, que tenhamos certos conceitos sobre as coisas e os tomemos como definitivos, conceitos como felicidade, conforto, paz, segurança etc., que servem e se encaixam perfeitamente no esquema de uma mente limitada (representada pelo círculo pontilhado). Mas aquilo que hoje entendemos por felicidade é a felicidade, de fato? Ou podemos sair da rigidez de nossos limites presentes e abrir a mente para novas possibilidades? Se aquilo que tenho como segurança pressupõe as condições da vida material que tenho, seria impensável uma outra idéia de segurança que nascesse de uma percepção maior das leis universais e da potencialidade de nosso futuro como Espíritos?
Um exemplo de fatos que estão além da compreensão racional é a própria sincronicidade, e ela vive acontecendo, do mesmo modo que aconteceu anteontem. Eu não tinha nenhuma necessidade, nem um motivo racional, para terminar o livro da Pierrakos e pegar o do Castaneda no ponto que havia parado há quase um mês. Não tinha, mas acabei fazendo, o que levou a ler páginas onde os trechos acima me chamaram a atenção.
Eles falam de teoria do conhecimento, meu interesse principal em filosofia. De como conhecemos as coisas e de como somos privados de conhecer mais pelas próprias limitações. Limitações provisórias, do nosso estado presente de desenvolvimento mental.
Aquilo sobre o que consegue pensar é um limite para Castaneda, pois ele considera esse o único meio de entender algo. Contudo, a mente é limitada pelo próprio conceito de limitação, diz o Guia. Esta é a limitação do materialista, pode ser também a do espiritualista, é a limitação do filósofo e do cientista que se fecham em suas amarras conceituais. Por isso, Mescalito só pode falar em particular a cada um, com as imagens e palavras de cada um...
Qual a saída, para não ficar fechado na compreensão presente? Flexibilizar. Entender que nossos conceitos são provisórios.
Fico pensando, então, como propôs Hans (um amigo espiritual), que a trama dos raciocínios e coerências têm uma função importante, sim. Uma função de rede, não da rede que prende e impede o movimento, mas da rede que se estende sob o trapézio e que garante a segurança ao trapezista para suas evoluções. Sem tolher movimentos.