sexta-feira, 31 de maio de 2013

Desconfiança

Por Rita Foelker


Ando desconfiando das palavras. Acho que elas são armadilhas.

Elas parecem falar de algo, mas o algo não está lá: fomos nós que inventamos. 

Antes das palavras, era diferente. Era uma experiência.

Inventamos uma palavra para “pedra”, outra, para “areia”. Por quê? Porque nos convinha. Mas, a rigor, não há uma verdadeira distinção qualitativa entre pedra e areia...

Resolvemos chamar algo de “ar” e algo de “vento”, mas é a mesma coisa... Novamente, a conveniência. 

Chamamos algo de “mar” e algo de “onda”... Quem diz onde termina a onda e começa o mar?

Estamos viciados nisso, em acreditar que as palavras significam.

Mas elas só significam o que pensamos que significam.

Acho que entendo por que os que buscam sabedoria se afastam. Eles não se afastam somente do barulho, da agitação, das pessoas. Eles se afastam da prisão das palavras.

Eles vão atrás do não dito, do não reconhecido por não ter recebido nome. Eles vão atrás da experiência pura. "Into the wild." A floresta é assim, por isso eu a amo. Ela não me despeja palavras, ela me assombra, me envolve e me encanta. Nada dizendo, ela tudo sussurra ou grita. Eu silencio e ouço. S.. i... l... e... n... c...



quinta-feira, 9 de maio de 2013

Eternidades

Foto por Babak Tafreshi, "Petroglifos de Teimareh e trilhas de estrelas", no Irã.


Por Rita Foelker

Muitas estrelas
que acendem nossas noites
não mais existem.
Deixamos nossas marcas
no planeta por milênios.
O momento presente
é uma interseção de eternidades.
A tua e a minha presença,
têm motivo e propósito.
A tua história
se une à minha neste solo
em que pousam meus pés e os teus.
Aquilo que pensamos,
desejamos,
dizemos e fazemos,
se expande em ondas
que nos encontram
além do tempo,
em linhas eternas que se entrecruzam,
em movimentos circulares
que nos encontram
onde estivermos.
Nos encontram.