Por Rita Foelker
Ando desconfiando das palavras. Acho que elas são armadilhas.
Elas parecem falar de algo, mas o algo não está lá: fomos nós que inventamos.
Antes das palavras, era diferente. Era uma experiência.
Inventamos uma palavra para “pedra”, outra, para “areia”. Por quê? Porque nos convinha. Mas, a rigor, não há uma verdadeira distinção qualitativa entre pedra e areia...
Resolvemos chamar algo de “ar” e algo de “vento”, mas é a mesma coisa... Novamente, a conveniência.
Chamamos algo de “mar” e algo de “onda”... Quem diz onde termina a onda e começa o mar?
Estamos viciados nisso, em acreditar que as palavras significam.
Mas elas só significam o que pensamos que significam.
Acho que entendo por que os que buscam sabedoria se afastam. Eles não se afastam somente do barulho, da agitação, das pessoas. Eles se afastam da prisão das palavras.
Eles vão atrás do não dito, do não reconhecido por não ter recebido nome. Eles vão atrás da experiência pura. "Into the wild." A floresta é assim, por isso eu a amo. Ela não me despeja palavras, ela me assombra, me envolve e me encanta. Nada dizendo, ela tudo sussurra ou grita. Eu silencio e ouço. S.. i... l... e... n... c...
Vídeo - Espiritismo e Educação
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