sábado, 31 de janeiro de 2009

Viver sem limites

A autora Ariana Pereira me entrevistou para esta matéria, por causa da que saiu na Universo Espírita 58 com o título Olhos fechados, coração aberto:


Vida
Viver sem limites
São José do Rio Preto, 21 de dezembro de 2008


Ariana Pereira


“No dia seguinte ninguém morreu. O fato, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, (...) basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, (...) de ter alguma vez ocorrido fenômeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, (...) sem que tivesse sucedido um falecimento”. Esse trecho do livro de José Saramago, “Intermitências da morte” (Companhia das Letras), mostra o estranhamento das pessoas quando os moradores de uma cidade deixam de morrer. Todos nascem sem saber o que vão ser quando crescer, se vão casar, ter filhos, ser bem-sucedidos na profissão que escolheram. Mas uma única certeza é compartilhada por todos os seres humanos: a vida é limitada e a morte é certa. Acreditar em uma existência pós-morte, no entanto, pode fazer toda a diferença quanto à qualidade da vida que uma pessoa tem, assim como viver cada dia como se fosse o último pode levar as pessoas a uma existência plena e cheia de significados.

“A consciência da morte põe em perspectiva alguns maus hábitos que todos temos. O péssimo hábito de dar muita importância para coisas sem importância, desperdiçar a vida com ocupações que, além de inúteis, trazem pouca alegria e poucos resultados que valem a pena. A falta de confiança em si mesmo, ou num Poder Superior, em Deus, é outro fator. A recusa em se relacionar com os outros, seja em regime de amizade ou namoro, por medo de rejeição e baixa auto-estima. A incapacidade de enxergar não apenas os problemas e desafios, como também as bênçãos espalhadas em torno de nós”, pontua a co-fundadora do grupo e projeto Filosofia Espírita para Crianças, Rita Foelker. Autores do livro “Um mês para viver” (Mundo Cristão), Kerry e Chris Shook dividem as experiências que tiveram com aqueles que descobrem que lhes restam poucos meses de vida. A intenção foi traçar um roteiro para que as pessoas aprendam a viver intensamente, tendo um mês ou décadas de vida restante.

“A partir do momento em que aceitamos o fato de que nosso tempo na Terra é limitado, podemos viver livremente, sem mais postergar a alegria e a paz advindas do cumprimento do propósito que nos foi concedido por Deus. Não importa quem você é, qual a sua idade, qual o grau de seu sucesso ou onde vive: a mortalidade continua sendo o grande nivelador. A cada tique-taque do relógio, um momento da vida fica para trás. Seus dias estão contados e cada um que passa vai embora para sempre. Estou convencido de que, em vez de nos inibir e forçar a viver na defensiva, aceitar que nosso tempo na Terra é limitado tem o incrível poder de nos libertar. Se soubéssemos que teríamos apenas um mês para viver, viveríamos de maneira diferente. Seríamos mais autênticos e teríamos mais ousadia na forma como gastamos o tempo. Mas essa reação contraditória levanta uma questão: o que nos impede de viver dessa maneira agora?”, questionam os autores de “Um mês para viver”.

Arrependimento
De acordo com Rita, quando descobrem que lhes resta pouco tempo de vida, as pessoas se arrependem de não ter aproveitado melhor a existência e as oportunidades de estar com quem amam, de terem adiado tanto a realização de seus sonhos, até o ponto em que eles se tornam impossíveis. Alguns se arrependem do que consideram faltas graves, mas o tempo restante às vezes ainda permite reparar algum eventual dano causado ou buscar reconciliação com pessoas de que se distanciaram. “Mirando o exemplo dessas pessoas, deveríamos aprender a dimensionar melhor nossos próprios problemas. Vemos muitas pessoas estressadas por questões tão pequenas, tão passageiras. Por quê? Por que ficar tão bravo se alguém passou à sua frente e pegou a sua vaga de estacionamento?

Isso é só um exemplo. Vivemos nesse planeta para aprender coisas que nos tornem melhores. Para aprender a amar, ser feliz. Para realizar tarefas que consideramos importantes e que alimentam nossa alma de realização íntima. Isso é o principal. Pense: você realmente aproveita o tempo que tem com sua família ou com a pessoa amada? Ou fica sempre reclamando, de cara fechada, estragando momentos que podiam ser tão melhores ou até memoráveis?”, indaga a co-fundadora do grupo e projeto Filosofia Espírita para Crianças. Os autores de “Um mês para viver” acreditam que as pessoas não deveriam esperar passar por uma crise para avaliar o modo como vivem e decidir viver de maneira plena. Para eles, viver com intensidade deve ser uma iniciativa que começa agora, no presente.

“A maioria não pode dar-se o luxo de largar o emprego do dia para a noite, dizer o tempo todo o que realmente está sentindo ou agir de acordo com toda idéia espontânea que venha à cabeça. Esse estilo de vida seria egoísta e altamente irresponsável, podendo indicar que tal pessoa não acredita que exista alguma coisa além do que vemos aqui. Mesmo assim, precisamos lembrar que a vida é mais que aquilo que conhecemos na Terra. Se formos verdadeiramente honestos, perceberemos que deve haver mais para nossa existência do que este mundo pode oferecer”, afirmam os autores Kerry e Chris Shook.

Eterno
Segundo o livro, a única maneira de viver para a eternidade é abraçar cada dia como um presente de Deus. Deve-se viver no pequeno ponto entre o cotidiano e o eterno, mantendo o foco naquilo que é mais importante na transitoriedade da vida. “Quando paramos para pensar, vemos que não temos controle sobre muitas coisas na vida. Não decidimos onde iríamos nascer, quem seriam nossos pais ou em qual período histórico ou cultural viveríamos. Tampouco decidimos as datas colocadas em nossa lápide. Não sabemos quando nosso tempo aqui acabará. Pode ser na semana que vem, no próximo ano ou daqui a muitas décadas. Somente Deus sabe. Nossa vida está nas mãos Dele, mas há uma coisa sobre a qual temos bastante controle. Precisamos decidir como vamos usar o traço que separa nossa data de nascimento do dia da nossa morte.”

Para Rita, a crença de que a vida ultrapassa as décadas que se vivem sobre a Terra traz conforto espiritual diante da realidade da morte de uma pessoa próxima ou do fato inevitável de que um dia todos irão morrer. Não quer dizer que não se vai sentir saudade daquele que partiu, continua Rita, mas que se tem plena convicção de que sua vida continua em outro lugar e que um dia haverá um reencontro. “Falo como alguém de antigas e sedimentadas crenças espirituais. A vida ganha novo sentido quando vista perante a imortalidade, afinal não se trata de ser feliz apenas agora, mas pela eternidade. Então precisamos procurar coisas que acrescentem valores e bem-estar à nossa alma, em vez de coisas consumíveis para uma vida passageira na Terra.

E essa procura vale muito a pena”, assegura a co-fundadora do grupo e projeto Filosofia Espírita para Crianças. Cuidar da alimentação e da saúde, conhecer e amar as pessoas, aprender a apreciar as maravilhas da natureza e descobrir as belezas da arte e da poesia são algumas das maneiras que as pessoas podem aproveitar a vida e passar por ela de uma forma mais intensa, na opinião de Rita. “Além disso, ajudar o próximo, aprender a não guardar mágoas nem culpas, escolher um trabalho em que sinta prazer. Ter a mente aberta, livrar-se de preconceitos e buscar conhecimento espiritual bem fundamentado são fatores que levam as pessoas a aproveitarem o máximo possível da existência nessa Terra.”

Serviço:
Livro “Um mês para viver”
Autores: Kerry e Chris Shook
Editora: Mundo Cristão

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A postagem original está em
http://www.diarioweb.com.br/noticias/corpo_noticia2.asp?idcategoria=195&idnoticia=116731

domingo, 18 de janeiro de 2009

Música maravilhosa & origami

É o clipe de Corinne Bailey Rae para Like a Star. Confira:

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sobre tatuagens

O que leva um espírita a assumir uma idéia sem antes analisar, se Kardec nos pediu fé racional? Fé racional é aquela que se baseia na compreensão racional daquilo em que se crê...
Estou falando das idéias sobre tatuagens que andam espalhadas em muitas cabeças que se consideram espíritas.
Seria a desinformação sobre fatos como a constituição do perispírito e as causas de suas alterações?
Os preconceitos? Essas marcas culturais difíceis de se perceber e de se abandonar...
Gosto pessoal?
O aumento da credibilidade de um relato, pelo fato de ser mediúnico? Refiro-me ao livro Mais além do meu olhar, de Luiz Sérgio.
Encontrei aqui um texto e um diálogo bem interessantes sobre o assunto.
http://claudiatostes13.blogspot.com/2007/07/o-vale-dos-tatuados.html
Qual a maior causa dessas idéias preconcebidas?

sábado, 10 de janeiro de 2009

Por que não vejo o Espiritismo como religião

Religião é uma palavra definida de muitas maneiras: culto prestado a uma divindade; crença na existência de um ente supremo como causa, fim ou lei universal; conjunto de dogmas e práticas próprias de uma confissão religiosa; a manifestação desse tipo de crença por meio de doutrinas e rituais próprios; crença, devoção, piedade; reverência às coisas sagradas (segundo o Houaiss). Sentidos que se confundem e, embora eu pudesse até aceitar a idéia de "crença na existência de um ente supremo como causa" como adequada ao Espiritismo, certamente "conjunto de dogmas e práticas próprias" não se aplica.
Entendo que o Espiritismo não é religião porque não precisamos de nada pra nos ligar a Deus. Nenhum grupo, nenhum culto, nem mesmo livros ou textos.
Livros e textos, cultos e grupos são apoios para nos fortalecer, para nos ajudar a renovar nossa boa vontade e nossa sensação de sermos unos com a harmonia do Universo.
Mas não são eles que nos ligam a essa harmonia ou a Deus.
Tanto, que muitas pessoas vão a igrejas ou centros como se fossem ao supermercado - lembrando o texto do Rubem Alves... Crêem que seguem uma religião e são bons adeptos, quando nada mais fazem que cumprir prescrições formais.
O livro dos Espíritos é fantástico, mas só pra quem ler e se aprofundar no seu conteúdo. Ele não tem o poder de nos ligar a Deus.
A ligação que eu chamo de sentimento religioso ou religiosidade é direta, sai do coração, sem intermediários. Ela ocorre em toda parte ou em lugar algum. Se eu tiver Deus no coração, sentirei isso mesmo que, como diz o Salmo 23, me encontre no"vale das sombras da morte". Mas se Deus não estiver comigo, posso estar no melhor templo ou na mais linda paisagem natural do mundo e não sentir nada.
Contudo, eu sinto essa ligação quando brinco com um cachorro que vem me cheirar na rua, quando ganho um pedaço de bolo caseiro, quando meu antúrio ou minha gloxínia solta um botão... bem, eu sinto isso dessa forma e não estou impondo que deva ser igual pra todos..
Então, espero que aqueles que estão estranhando que eu afirme isso, que o Espiritismo não é religião, mas pode conduzir à religião e aprimorar o sentimento religioso, dependendo do papel que lhe damos em nossas vidas, espero que eles percebam que não sou contrária a nos reunirmos para fazer preces, estudar, ou para algo semelhante. Mas isso não constitui a religião espírita. As práticas dos centros também não constituem a religião espírita, pois muitas delas sequer seriam aceitas por Kardec, se ele vivesse nos dias de hj.
Não estou escrevendo pra fazer ninguém mudar de opinião, mas use um tempinho para tentar captar o significado do que estou dizendo.
E se pensar no caso e quiser compatilhar seus pensamentos, deixe um comentário, ok?

domingo, 4 de janeiro de 2009

Só um jeito de colocar emoções pra fora


Conversava com um amigo mto querido que me contava sobre as peripécias da ex-namorada. Ela o tem procurado algumas vezes depois que romperam e, qdo ele respondeu pelo msn "pena que não deu certo, pois eu gostava muito de você", ela ficou furiosa e disse que não foi atrás dele pra receber essa msg. E ele disse que era exatamente o que queria dizer, que tinha sido sincero.
Bom, não sou psicóloga, mas disse a ele que essa reação exagerada não era contra ele, era pela dificuldade de aceitar que as coisas não tinham sido do jeito que ela queria. Pelo menos, é assim que vejo.
"Se vc foi sincero, tratou-a bem e não quis enganá-la, por que ter raiva de vc?" - Perguntei.
As pessoas reagem à frustração de maneiras diferentes: umas xingam, outras se entristecem, outras aceitam e tocam adiante... Ela fica ligando porque não quer cortar a ligação, mas ele não quer manter a ligação com ela e qdo disse isso claramente, deve ter sido horrível dentro dela.

A questão é o lado emocional dela. O meu amigo e a mensagem são apenas focos para onde ela dirige suas reações, qdo a coisa toda é com ela mesma, o que faz diante daquilo que pra ela não deu certo, não funcionou conforme o planejado.
Contei isso porque tem a ver com o tema que estou trabalhando desde o Ano Novo:
Tudo é sobre lidar conosco mesmos.
Convivemos no mundo com pessoas que puxam de dentro de nós o nosso melhor ou o nosso pior. Elas podem fazer isso deliberadamente ou não, mas o fato é que trazem à tona emoções com que temos de lidar.
Por que isso acontece? Porque fazemos parte de um Universo que conspira para nossa evolução. Que não nos quer estacionados.
E como evoluímos? Enfrentando nossos fantasmas e nossas sombras. Trazendo à luz o que está oculto, compreendendo e transformando. (Pelo menos, é assim que vejo - rs.) O que me leva de volta a O Último Samurai.
Quem era o verdadeiro oponente de Nathan Algren (Tom Cruise)? Um homem que é contratado pelo imperador do Japão para combater numa guerra que não é sua, que tem sérios problemas interiores, inclusive alcoolismo, com que conviver, mas que também tem qualidades que não reconhece. O novo cenário e as novas pessoas vão tecendo situações extremas em que aquilo que ele tem realmente dentro de si é mobilizado e colocado em ação. E conforme ele encara os novos desafios, ele se transforma no melhor que pode ser, naquele momento.
Qual é o desafio que estou enfrentando, aqui agora? Como ele mexe nas minhas entranhas, me deixa pensando, me faz sentir coisas? E qual vai ser minha resposta a ele, com td o que já vivi e já conheci até hj?
As vitórias contra os outros podem ser vazias ou até mesmo frustrantes. Posso estabelecer que minha meta, por exemplo, é tirar uma nota melhor que o melhor aluno da sala. Mas isso me deixará satisfeito? Se sim, por quanto tempo? Como sei que ele está na sua melhor condição física e psicológica para ser um oponente à altura? E depois que eu conseguir, o que de fato terei conquistado?



I'll face myself,
To cross out what
I've become.
Erase myself,
And let go of what I've done.
(What I've done, Linkin Park)

sábado, 3 de janeiro de 2009

Tudo é sobre lidar conosco mesmos


Pessoas de corpo pequeno devem saber tudo sobre o que há de grande no espírito, e pessoas de corpo grande devem conhecer bem as pequenas coisas do espírito. Tanto aquele de corpo grande como o de corpo pequeno devem ter o espírito reto, mantê-lo imparcial em relação a si próprio. (O livro dos cinco anéis, M. Musashi; vermelho por Rita)
Eu sempre soube que o espelho nunca mente. (Eyes of a stranger, Queensrÿche)
Palavras não vão me fazer cair. (Beautiful, Christina Aguilera)

O livro dos cinco anéis, que já mencionei aqui antes, do ronin Musashi é, sem dúvida, sobre combate e sobre vencer. Mas... o que combater? Quem vencer?
Estou certa de que é um livro muito procurado porque se imagina encontrar ali maneiras de vencer numa competição, vencer nos negócios, vencer inimigos... numa palavra, vencer um outro. Mas esta é só a primeira metade da biografia de Musashi, a narrativa de suas vitórias contra os outros.
Quando escreve Go Rin No Sho (O livro dos cinco anéis), sua vida havia adquirido outro sentido, outra prioridade, pela percepção na própria experiência de que não adianta apenas treinar o corpo e vencer o outro, se o espírito não é disciplinado, se não houve vitória sobre si mesmo.
Embora pensem ser vencidas pelos outros ou por circunstâncias, o mais comum hoje em dia é as pessoas serem vencidas por sua própria insegurança, por excesso de atenção a comentários alheios desfavoráveis, por verem seus planos frustrados, por perspectivas derrotistas, por se acharem feias, pouco atraentes, incompetentes ou inadeqüadas. Se não resolverem isso tudo dentro de si, como podem pensar em resolver fora?
Isso tb fica muito nítido num de meus filmes preferidos, O Último Samurai. Ali se vê claramente: antes de entrar no combate, o samurai já o viveu inteiro dentro de si mesmo.
Para trabalhar estes conceitos com as crianças, tem um livro excelente que tb já citei aqui: Heróis e guerreiras, quase tudo o que você queria saber, de Heloísa Prieto. Um dos contos fala de Miyamoto Musashi.
"Why am I here? And for how long?" Um verso de Eyes of a Stranger, som que vc ouve num tributo do Black Art ao Queenrÿche, clicando aí embaixo. Why am I here? Para meu combate comigo mesma. Estudando a mim mesma, para saber como agir e vencer. And for how long? Enquanto não encontrar meu verdadeiro oponente e enfrentá-lo.



Discover Black Art!