A autora Ariana Pereira me entrevistou para esta matéria, por causa da que saiu na Universo Espírita 58 com o título Olhos fechados, coração aberto:
Vida
Viver sem limites
São José do Rio Preto, 21 de dezembro de 2008
Ariana Pereira
“No dia seguinte ninguém morreu. O fato, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, (...) basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, (...) de ter alguma vez ocorrido fenômeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, (...) sem que tivesse sucedido um falecimento”. Esse trecho do livro de José Saramago, “Intermitências da morte” (Companhia das Letras), mostra o estranhamento das pessoas quando os moradores de uma cidade deixam de morrer. Todos nascem sem saber o que vão ser quando crescer, se vão casar, ter filhos, ser bem-sucedidos na profissão que escolheram. Mas uma única certeza é compartilhada por todos os seres humanos: a vida é limitada e a morte é certa. Acreditar em uma existência pós-morte, no entanto, pode fazer toda a diferença quanto à qualidade da vida que uma pessoa tem, assim como viver cada dia como se fosse o último pode levar as pessoas a uma existência plena e cheia de significados.
“A consciência da morte põe em perspectiva alguns maus hábitos que todos temos. O péssimo hábito de dar muita importância para coisas sem importância, desperdiçar a vida com ocupações que, além de inúteis, trazem pouca alegria e poucos resultados que valem a pena. A falta de confiança em si mesmo, ou num Poder Superior, em Deus, é outro fator. A recusa em se relacionar com os outros, seja em regime de amizade ou namoro, por medo de rejeição e baixa auto-estima. A incapacidade de enxergar não apenas os problemas e desafios, como também as bênçãos espalhadas em torno de nós”, pontua a co-fundadora do grupo e projeto Filosofia Espírita para Crianças, Rita Foelker. Autores do livro “Um mês para viver” (Mundo Cristão), Kerry e Chris Shook dividem as experiências que tiveram com aqueles que descobrem que lhes restam poucos meses de vida. A intenção foi traçar um roteiro para que as pessoas aprendam a viver intensamente, tendo um mês ou décadas de vida restante.
“A partir do momento em que aceitamos o fato de que nosso tempo na Terra é limitado, podemos viver livremente, sem mais postergar a alegria e a paz advindas do cumprimento do propósito que nos foi concedido por Deus. Não importa quem você é, qual a sua idade, qual o grau de seu sucesso ou onde vive: a mortalidade continua sendo o grande nivelador. A cada tique-taque do relógio, um momento da vida fica para trás. Seus dias estão contados e cada um que passa vai embora para sempre. Estou convencido de que, em vez de nos inibir e forçar a viver na defensiva, aceitar que nosso tempo na Terra é limitado tem o incrível poder de nos libertar. Se soubéssemos que teríamos apenas um mês para viver, viveríamos de maneira diferente. Seríamos mais autênticos e teríamos mais ousadia na forma como gastamos o tempo. Mas essa reação contraditória levanta uma questão: o que nos impede de viver dessa maneira agora?”, questionam os autores de “Um mês para viver”.
Arrependimento
De acordo com Rita, quando descobrem que lhes resta pouco tempo de vida, as pessoas se arrependem de não ter aproveitado melhor a existência e as oportunidades de estar com quem amam, de terem adiado tanto a realização de seus sonhos, até o ponto em que eles se tornam impossíveis. Alguns se arrependem do que consideram faltas graves, mas o tempo restante às vezes ainda permite reparar algum eventual dano causado ou buscar reconciliação com pessoas de que se distanciaram. “Mirando o exemplo dessas pessoas, deveríamos aprender a dimensionar melhor nossos próprios problemas. Vemos muitas pessoas estressadas por questões tão pequenas, tão passageiras. Por quê? Por que ficar tão bravo se alguém passou à sua frente e pegou a sua vaga de estacionamento?
Isso é só um exemplo. Vivemos nesse planeta para aprender coisas que nos tornem melhores. Para aprender a amar, ser feliz. Para realizar tarefas que consideramos importantes e que alimentam nossa alma de realização íntima. Isso é o principal. Pense: você realmente aproveita o tempo que tem com sua família ou com a pessoa amada? Ou fica sempre reclamando, de cara fechada, estragando momentos que podiam ser tão melhores ou até memoráveis?”, indaga a co-fundadora do grupo e projeto Filosofia Espírita para Crianças. Os autores de “Um mês para viver” acreditam que as pessoas não deveriam esperar passar por uma crise para avaliar o modo como vivem e decidir viver de maneira plena. Para eles, viver com intensidade deve ser uma iniciativa que começa agora, no presente.
“A maioria não pode dar-se o luxo de largar o emprego do dia para a noite, dizer o tempo todo o que realmente está sentindo ou agir de acordo com toda idéia espontânea que venha à cabeça. Esse estilo de vida seria egoísta e altamente irresponsável, podendo indicar que tal pessoa não acredita que exista alguma coisa além do que vemos aqui. Mesmo assim, precisamos lembrar que a vida é mais que aquilo que conhecemos na Terra. Se formos verdadeiramente honestos, perceberemos que deve haver mais para nossa existência do que este mundo pode oferecer”, afirmam os autores Kerry e Chris Shook.
Eterno
Segundo o livro, a única maneira de viver para a eternidade é abraçar cada dia como um presente de Deus. Deve-se viver no pequeno ponto entre o cotidiano e o eterno, mantendo o foco naquilo que é mais importante na transitoriedade da vida. “Quando paramos para pensar, vemos que não temos controle sobre muitas coisas na vida. Não decidimos onde iríamos nascer, quem seriam nossos pais ou em qual período histórico ou cultural viveríamos. Tampouco decidimos as datas colocadas em nossa lápide. Não sabemos quando nosso tempo aqui acabará. Pode ser na semana que vem, no próximo ano ou daqui a muitas décadas. Somente Deus sabe. Nossa vida está nas mãos Dele, mas há uma coisa sobre a qual temos bastante controle. Precisamos decidir como vamos usar o traço que separa nossa data de nascimento do dia da nossa morte.”
Para Rita, a crença de que a vida ultrapassa as décadas que se vivem sobre a Terra traz conforto espiritual diante da realidade da morte de uma pessoa próxima ou do fato inevitável de que um dia todos irão morrer. Não quer dizer que não se vai sentir saudade daquele que partiu, continua Rita, mas que se tem plena convicção de que sua vida continua em outro lugar e que um dia haverá um reencontro. “Falo como alguém de antigas e sedimentadas crenças espirituais. A vida ganha novo sentido quando vista perante a imortalidade, afinal não se trata de ser feliz apenas agora, mas pela eternidade. Então precisamos procurar coisas que acrescentem valores e bem-estar à nossa alma, em vez de coisas consumíveis para uma vida passageira na Terra.
E essa procura vale muito a pena”, assegura a co-fundadora do grupo e projeto Filosofia Espírita para Crianças. Cuidar da alimentação e da saúde, conhecer e amar as pessoas, aprender a apreciar as maravilhas da natureza e descobrir as belezas da arte e da poesia são algumas das maneiras que as pessoas podem aproveitar a vida e passar por ela de uma forma mais intensa, na opinião de Rita. “Além disso, ajudar o próximo, aprender a não guardar mágoas nem culpas, escolher um trabalho em que sinta prazer. Ter a mente aberta, livrar-se de preconceitos e buscar conhecimento espiritual bem fundamentado são fatores que levam as pessoas a aproveitarem o máximo possível da existência nessa Terra.”
Serviço:
Livro “Um mês para viver”
Autores: Kerry e Chris Shook
Editora: Mundo Cristão
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A postagem original está em http://www.diarioweb.com.br/noticias/corpo_noticia2.asp?idcategoria=195&idnoticia=116731
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