
Uma das coisas que tenho apreciado ao ler (ainda) o livro do Maturana é que ele suscita perguntas, eu penso sobre elas e, num dado momento, ele acena com pistas ou, mesmo, com respostas.
Quando eu disse “minha segunda pergunta é se aquele que costumamos considerar o estado normal ou usual de consciência é o que nos dá realmente melhor percepção e menos ilusão sobre o que observamos”, eu não pensava no que encontraria em páginas posteriores: no caminho explicativo da objetividade-entre-parênteses existem muitos domínios de realidades diferentes mas igualmente legítimos, ainda que não igualmente desejáveis, cada um constituído como um domínio de coerências operacionais na experiência do observador. E também me dou conta de que no caminho explicativo da objetividade-entre-parênteses uma afirmação cognitiva é um convite feito ao outro para entrar num certo domínio de coerências operacionais...
Eu sei que isso não tem NECESSARIAMENTE a ver com domínios visitados por uma consciência em estados modificados. Sei que muitos de meus ex-professores diriam que estou forçando uma interpretação. Mas não estou.
Estou apenas estendendo o conceito de "domínios de realidades", levando em conta os tipos de experiências possíveis em diferentes estados naturais de consciência (vigília, sono, sonho, observação e percepção não-dual, segundo Ken Wilber em Espiritualidade Integral) e em estados alterados exógenos (induzidos por drogas) ou endógenos (como os meditativos, vivências fora do corpo e transe mediúnico).
No caminho de uma epistemologia abrangente
A questão que interessa à teoria do conhecimento é saber se há possibilidade de uma epistemologia, onde seria possível identificar os critérios de atribuição de validade ao conhecimento possível em tais estados e uma metodologia própria de pesquisa.
Bem, o próprio Wilber propõe uma cartografia destes estados, embora assumindo que as correlações que estabelece sejam "polêmicas e difíceis de comprovar". Mais restrito, porém mais calcado em casos clínicos, é o mapeamento de Stanislav Grof em Psicologia do Futuro, ao descrever os domínios "biográfico, perinatal e transpessoal" das experiências em estados alterados - que ele chama de 'holotrópicos'.
Reconheço ambos os mapas como importantes projetos inacabados.
E não podemos nos esquecer das fundamentais contribuições de Allan Kardec, na análise dos fenômenos anímicos e mediúnicos, e nos seus apontamentos sobre a segurança possível dos relatos mediúnicos e outros.
No caminho de uma epistemologia abrangente
A questão que interessa à teoria do conhecimento é saber se há possibilidade de uma epistemologia, onde seria possível identificar os critérios de atribuição de validade ao conhecimento possível em tais estados e uma metodologia própria de pesquisa.
Bem, o próprio Wilber propõe uma cartografia destes estados, embora assumindo que as correlações que estabelece sejam "polêmicas e difíceis de comprovar". Mais restrito, porém mais calcado em casos clínicos, é o mapeamento de Stanislav Grof em Psicologia do Futuro, ao descrever os domínios "biográfico, perinatal e transpessoal" das experiências em estados alterados - que ele chama de 'holotrópicos'.
Reconheço ambos os mapas como importantes projetos inacabados.
E não podemos nos esquecer das fundamentais contribuições de Allan Kardec, na análise dos fenômenos anímicos e mediúnicos, e nos seus apontamentos sobre a segurança possível dos relatos mediúnicos e outros.
Quero analisar estes relatos como convites para um domínio natural (embora incomum) de afirmações cognitivas de pleno direito.
(Ainda não terminei de pensar nisso.)
(Ainda não terminei de pensar nisso.)
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