quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ilusão e percepção

Ao adotar o caminho explicativo da objetividade-entre-parênteses, a indistinguibilidade experiencial entre o que chamamos ilusão e percepção não é uma limitação ou falha que deve ser negada ou superada, mas, ao contrário, é uma oportunidade que nos leva a fazer uma outra pergunta: Como são possíveis os fenômenos de concordância de conduta na convivência, se não podemos distinguir ilusão e percepção? (Humberto Maturana em Emoção e linguagem na educação e na política, vermelhos meus)

Bom, minha primeira pergunta seria se, ao observar o mundo concreto com os olhos materiais, temos conseguido apreender formas de conviver harmonicamente nesta Terra. Parece que o jeito preponderante de perceber e lidar com o mundo, até hoje, criou uma praxis altamente danosa para o planeta e as comunidades humanas, que se perpetua.
Minha segunda pergunta é se aquele que costumamos considerar o estado normal ou usual de consciência é o que nos dá realmente melhor percepção e menos ilusão sobre o que observamos.

Não há nada de errado com os cinco sentidos, eles são instrumentos maravilhosos de sentir corporalmente e possibilitam estar efetivamente no mundo, com tudo o que nele há de bom. O que está errado é insistir na sua prevalência sobre o sexto sentido, ou sobre a mediunidade, ou sobre as percepções que surgem nos sonhos e outros estados alterados.
Confiamos amplamente na razão que funciona quando estamos acordados. Não foi, porém, o pensamento racional que nos trouxe a ilusão da separatividade e a busca de controlar a Natureza, ao invés de cooperar com ela inserindo-nos nos seus processos e auxiliando-nos reciprocamente? Não seria esta separatividade a maior ilusão em que vivemos?
E o conhecimento do outro, nas relações sociais, é possível apenas pela razão? E sua aceitação, a aproximação, o diálogo e a interação, surgem basicamente dos raciocínios?

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