
O caminho do conhecimento é um caminho forçado. A fim de aprender, temos de ser empurrados. No caminho do conhecimento, estamos sempre lutando contra alguma coisa, evitando alguma coisa, preparados para alguma coisa; e essa coisa é sempre inexplicável, maior, mais poderosa que nós. (Carlos Castaneda em Uma estranha realidade)
Um dia, diante de Dom Juan, eu pude sentir como as coisas importavam pouco, afinal. Disse a ele que devíamos agradecer-lhe pelo esforço de registrar todos os seus conhecimentos e histórias, pois era importante que a tradição dos xamãs de sua linhagem não perecesse, que tivéssemos testemunhos escritos. Sua presença inspirava grande respeito mas, ao mesmo tempo, deixava transparecer uma certa displicência por si próprio. Fiquei bastante emocionada por estar ali, mas ele me fez ver que o que tinha feito de importante, de fato, era praticamente nada: simplesmente estar sentado numa parada de ônibus, um certo dia, quando um jovem veio puxar conversa, interessado em saber coisas sobre plantas.
A vida não deixa seus propósitos sempre claros, porque faz parte do aprendizado o empenho em descobrir.
Acho que naquele dia eu entendi também o que ele quis dizer sobre a morte não ser nada - porque não existe um evento específico geral que podemos chamar de morte, existe apenas o momento singular em que suas sensações físicas amortecem e você continua o que estava fazendo, percebendo de pronto o que houve ou não.
De novo, o seu nominalismo transpareceu, na compreensão da importância das coisas que são percebidas de uma certa forma apenas por quem as vivencia, e pronto. Não vale a pena falar sobre elas. Quando um homem aprende a ver, não prevalece nenhuma única coisa que ele conheça. Nenhuma única. - Disse Dom Juan em Uma estranha realidade. A consciência é apenas ver. Ver sabendo que aquilo é. Ver conforme se expressa na energia.
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