quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Coisas do "são", coisas do "quero"


Escrevi uma coisa no post Conhecer gente que provocou algumas perguntas por parte de uma amiga minha. A pergunta era se aquilo q descrevi era o q eu realmente queria, se era assim mesmo q eu vivia, acreditando no fluir dos momentos, na afinidade, no sentimento e na vida infinita unindo as pessoas. Se eu conseguia olhar pra um amigo ou um possível parceiro sem querer que fosse permanente.
Bem... as coisas são como são, não como quero que sejam. Ali se tratava do "são", não do "quero".
As coisas do "são" não me perguntam nada, elas apenas obedecem ao seu caminho natural. Eu posso agregar a elas minha intenção, manifestá-la, jogar quando for a minha vez. Mas não tenho como obrigar a acontecer como espero, embora alguns livros de auto-ajuda digam que sim.
Calunga disse q tem uma diferença entre dispor e impor: eu posso dispor as peças no tabuleiro, mas elas se movimentam dependendo de tantos fatores, dos outros jogadores, q não posso impor somente meu jogo depois que entrei nele.
As coisas do "quero", por outro lado, dependem mais de cada um. Não posso evitar de querer. Eu quero amigos permanentes e quero um amor duradouro, ando pela vida procurando isso com uma grande lente - e um bom espelho! Algumas vezes, parece q estou diante deles, parece q enxergo nos seus olhos, como quando converso com a Lúcia e a Maria Lúcia, sendo q a Lúcia fez a pergunta mencionada acima.
Porém, como saber se encontrei? Apenas vivendo o fluir, o transitório descubro o q começou pra durar, ainda q continue sem saber por quanto tempo.

2 comentários:

Lucia Fontes disse...

Essa encarnação é provisória, a vida não. Nosso corpo é provisório, a alma não. As pessoas que nos tocam verdadeiramente não são provisórias, mesmo que convivam conosco apenas alguns dias, às vezes só algumas horas.
Depois do intercâmbio de um mês (somente um mês) na Austrália confirmei, mais uma vez (entre tantas!), que o que mais vale nessa vida (melhor dizendo, em uma encarnação) são as pessoas que nos acompanham durante nossa "estada" aqui na Terra. Estar junto delas, as coisas que fazemos com elas, o dividir experiências, as risadas, os toques, os abraços, os beijos e os sentimentos. O que eu mais gosto nesta minha vida são as pessoas que chegam, que às vezes ficam, às vezes não. As pessoas que, de uma forma ou de outra, me ajudam a montar a colcha de retalhos da minha vida, recheando minha memória com cenas, palavras e gestos. O meu álbum de retratos. São pessoas que contribuíram (e às vezes nem sabem) para me tornar melhor, para ampliar meu conhecimento e, acima de tudo, para ampliar minha capacidade de amar.
Quando aprendemos a deixar livre, nos tornamos livres. Posso querer que determinada pessoa faça parte da minha vida até que eu morra, mas será que é essa a melhor maneira de "ter" essa pessoa? Quando olho meu álbum de retratos percebo que muitas vieram e foram embora rápido demais. Na ocasião fiquei triste, mas agora sinto que se fosse de outra forma a marca que a pessoa me deixou não seria a mesma... Ela é especial para mim e vou encontrá-la novamente, só não sei quando. Mas penso que o que vale é o agora. Se vivermos o presente com medo de não estar com a pessoa no futuro, perdemos um tanto do sabor de estar com ela agora. De onde viria essa nossa necessidade de 'segurar' a pessoa conosco? De querer que ela nos dê o que queremos e/ou precisamos? Será que temos esse direito? Será que isso é realmente amor? Será que não estamos jogando para a outra pessoa uma responsabilidade que é nossa? Ninguém pode nos fazer feliz, a felicidade vem de dentro. Podemos, sim, ser felizes ao lado de alguém, mas alguém que não tenha a obrigação de nos dar nada, a obrigação de estar conosco...
Uma pergunta chave é: como você se sentiria se fosse ao contrário? Consegue se colocar no lugar do outro e perceber a expectativa que joga nas costas dele? Acho que você consegue sentir como seria estar do outro lado e lidar com expectativas dos outros. Seu último comentário no meu blog me diz isso...

rita disse...

RAINHAS DE ESCHER
Pra onde vou me mover?
Se escolher pular,
vou cair ou voar?
Como saber, sem tentar?