
Sócrates (470?-399 a.C) foi um filósofo que inaugurou no Ocidente a prática do livrepensar. (Não, não é erro de digitação.) O método socrático visava encontrar dentro do próprio interlocutor as respostas, surgidas das suas reminiscências, de sua experiência, de seus raciocínios, que se colocavam no diálogo socrático em condição de isonomia. Isonomia aqui quer dizer que o mestre não se punha superior ao aluno. E não havia limites, exceto os do livrepensar e do entendimento.
A procura das essências dos conceitos não era interditada num ponto, onde o aluno teria de estacar e aguardar o próximo nível ou estágio. Pelo contrário, os participantes do diálogo eram convidados a avançar mais e mais, e a diferença de forma e grau de entendimento de vários interlocutores expondo suas ideias sobre um mesmo tema ficam claros, por exemplo, no Banquete, o famoso diálogo que trata de definir o que é o amor. Todos os convivas estão juntos, compartilhando as mesmas iguarias. Cada um oferece seu ponto de vista e é respeitado em sua vez de falar.
Talvez, porque o amor seja assim... Ele não exclui, não segrega, não se coloca em posição de avaliar as condições intelectomorais de um irmão de humanidade.
As conversas dos Espíritos com Allan Kardec obedeciam à mesma diretriz. As explanações eram claras; as dúvidas, respondidas em detalhes. Quando algum conceito era considerado inacessível para nós, seres viventes na Terra, não o era porque estávamos querendo avançar nas aulas do próximo nível ou estágio, mas porque nossa capacidade intelectual, nossa compreensão eram ainda insuficientemente desenvolvidas. É assim, por exemplo, quando, em O livro dos Espíritos se trata das qualidades de Deus. “Deus existe, não podeis negar, eis o essencial.” Isso é possível porque os Espíritos Superiores têm uma perspectiva que nós não temos, conquistada nos passos legítimos da evolução pelas trajetórias da sabedoria e do sentimento.
Algumas pessoas enxergaram no Espiritismo uma estrutura iniciática, de graus e qualificações de adeptos, que ele nunca possuiu e de que não necessita. Criaram formas de se subir em hierarquias, que em tese seriam baseadas em merecimento e esforço pessoal. Iniciativas provavelmente bem-intencionadas, nascidas de almas talhadas num certo hábito cultivado em outras existências e/ou pela educação recebida na vida atual.
Mas, do que estamos falando, ao propor graus e qualificações de adeptos? Se, por um lado, ninguém senão o Criador Onisciente sabe o que está no fundo do coração humano, bem como suas verdadeiras razões e motivações, por outro lado, as hierarquias terrenas dificilmente conseguem ser isentas das vaidades e do interesse pessoal.
Ao comparar-se com a hierarquia dos Espíritos, baseada na autoridade moral, elas poderiam ser no máximo um pobre simulacro. No mundo em que vivemos, tornam-se para alguns fonte da ilusão do conhecimento como forma de poder pessoal e prestígio, meios de dominar e de satisfazer egos.
No entanto, existe, sim, estudo, ação prática, merecimento e esforço pessoal na caminhada do espírita. Mas como cristão, ele é aferido somente no mais secreto recinto da alma, na sua própria consciência, e no encontro consigo mesmo após a vida presente.
A procura das essências dos conceitos não era interditada num ponto, onde o aluno teria de estacar e aguardar o próximo nível ou estágio. Pelo contrário, os participantes do diálogo eram convidados a avançar mais e mais, e a diferença de forma e grau de entendimento de vários interlocutores expondo suas ideias sobre um mesmo tema ficam claros, por exemplo, no Banquete, o famoso diálogo que trata de definir o que é o amor. Todos os convivas estão juntos, compartilhando as mesmas iguarias. Cada um oferece seu ponto de vista e é respeitado em sua vez de falar.
Talvez, porque o amor seja assim... Ele não exclui, não segrega, não se coloca em posição de avaliar as condições intelectomorais de um irmão de humanidade.
As conversas dos Espíritos com Allan Kardec obedeciam à mesma diretriz. As explanações eram claras; as dúvidas, respondidas em detalhes. Quando algum conceito era considerado inacessível para nós, seres viventes na Terra, não o era porque estávamos querendo avançar nas aulas do próximo nível ou estágio, mas porque nossa capacidade intelectual, nossa compreensão eram ainda insuficientemente desenvolvidas. É assim, por exemplo, quando, em O livro dos Espíritos se trata das qualidades de Deus. “Deus existe, não podeis negar, eis o essencial.” Isso é possível porque os Espíritos Superiores têm uma perspectiva que nós não temos, conquistada nos passos legítimos da evolução pelas trajetórias da sabedoria e do sentimento.
Algumas pessoas enxergaram no Espiritismo uma estrutura iniciática, de graus e qualificações de adeptos, que ele nunca possuiu e de que não necessita. Criaram formas de se subir em hierarquias, que em tese seriam baseadas em merecimento e esforço pessoal. Iniciativas provavelmente bem-intencionadas, nascidas de almas talhadas num certo hábito cultivado em outras existências e/ou pela educação recebida na vida atual.
Mas, do que estamos falando, ao propor graus e qualificações de adeptos? Se, por um lado, ninguém senão o Criador Onisciente sabe o que está no fundo do coração humano, bem como suas verdadeiras razões e motivações, por outro lado, as hierarquias terrenas dificilmente conseguem ser isentas das vaidades e do interesse pessoal.
Ao comparar-se com a hierarquia dos Espíritos, baseada na autoridade moral, elas poderiam ser no máximo um pobre simulacro. No mundo em que vivemos, tornam-se para alguns fonte da ilusão do conhecimento como forma de poder pessoal e prestígio, meios de dominar e de satisfazer egos.
No entanto, existe, sim, estudo, ação prática, merecimento e esforço pessoal na caminhada do espírita. Mas como cristão, ele é aferido somente no mais secreto recinto da alma, na sua própria consciência, e no encontro consigo mesmo após a vida presente.
Entendo que vivo neste mundo com (1) um propósito evolutivo, (2) um nível de entendimento e (2) uma capacidade de livrepensar. Creio que ninguém entre meus companheiros de encarnação pode avaliar-me e dizer se estou pronta para galgar um degrau ou não na escala da melhoria pessoal, porque não pode ler minha alma (e nem mesmo, muitas vezes, a sua própria, para compreender suas reais intenções). Sei que todo dia durmo e acordo perante mim mesma, e que um dia, no plano dos Espíritos - que é o plano da verdade -, alguém com real capacidade, sentimento e evolução irá olhar para mim e ajudar-me a descobrir o quanto caminhei, o quanto deixei de fazer e definirá em que ponto da subida incomensurável eu me encontro.
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