Por Rita Foelker
Sorrisos são importantes. Em situações difíceis, uma dose de humor faz diferença. Dilui tensões, abre possibilidades que estão vetadas, com cara amarrada.
E a vida providencia outros alívios para nossas dores: uma canção querida, um abraço com ombro amigo incluso, uma cadeira de frente para o jardim, gelo para as contusões físicas, companhia ou quietude para contusões emocionais.
E ainda bem que é assim, porque a coisa toda poderia ser muito pior sem o alívio que se experimenta desse modo.
O que não dá é pra gente se viciar no que alivia, sem buscar resolver a questão. Continuar com a droga que ameniza a dor, sem descobrir o que faz doer e se curar, a não ser que a coisa toda tenha atingido um ponto tal, em que só se pode aplicar aquelas doses de morfina que fazem a vida doer menos, enquanto se espera morrer...
Talvez grande parte das ações e comportamentos humanos, nessa sociedade urbana em que vivemos, já seja feita de tentativas de aliviar, de contornar o problema, em lugar de resolver. Comprar demais, comer demais, beber demais, jogar videogames demais, transar demais, trabalhar demais...
Talvez a gente esteja se habituando a viver com o que incomoda, usando um jeito de enganar o sofrimento (enganar-se a si mesmo), em lugar de realmente mudar o que é preciso.
Mas desejo que a gente ainda tenha canções, sorrisos, ombros, cadeiras no jardim e todas essas preciosas bênçãos que nos fazem aguentar, até a mudança fundamental - nosso crescimento espiritual - começar a fazer efeito.
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Há 3 dias

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