domingo, 6 de junho de 2010

Alguns "Aforismos sobre idéias, ciência e a linguagem da ciência" (1840)




Por William Whewell

Ideias

II. Os Sentidos dispõem perante nós os Caracteres do Livro da Natureza; mas estes não transmitem conhecimento para nós, até que tenhamos descoberto o Alfabeto pelo qual eles são lidos.

XI. Fatos observados são conectados assim para produzir novas verdades, sobreinduzindo sobre eles uma idéia: e essas verdades são obtidas por Indução.

X. Verdades uma vez obtidas por Indução legítima são Fatos: tais fatos podem ser novamente conectados, para produzir verdades mais elevadas: e assim avançamos para Generalizações Sucessivas.

XIV. Experiência não nos conduz a verdades universais e necessárias: - Não às universais, porque não tentou todos os casos: - Não às necessárias, porque necessidade não é matéria sobre a qual a experiência possa testificar.

XXXIX. Intuitiva é o oposto de razão discursiva. Na intuição, obtemos nossas conclusões nos demorarmos em um aspecto da Ideia fundamental; no raciocínio discursivo, nós combinamos vários aspectos da Ideia, (i. e., vários axiomas) e raciocinamos a partir de sua combinação.

XLVI. A Ideia de Causa não é derivada da experiência; pois no julgamento das ocorrências que contemplamos, nós as consideramos como sendo, universal e necessariamente, Causas e Efeitos, o que uma experiência finita não poderia nos autorizar a fazer. O Axioma, de que todo evento precisa ter uma causa, é verdadeiro independente da experiência e além dos limites da experiência.

XLVIII. A Concepção de Força envolve a Ideia de Causa, como ela é aplicada ao movimento e repouso dos corpos. A concepção de força é sugerida pela ação muscular exercida: a concepção de matéria surge da ação muscular resistida. Nós necessariamente atribuimos a todos os corpos solidez e inércia, desde que concebemos Matéria como aquilo que não pode ser comprimido ou movido sem resistência.

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