sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Conhecer coisas


Não há coisas isoladas.
Percepções são complexos de estímulos acrescidos de interpretações ligadas a experiências passadas. Um objeto só se destaca do pano de fundo porque nossa atenção o selecionou entre muitas possibilidades de agregação de dados perceptivos e conceitos preexistentes.
Essas percepções são processadas pelo pensamento conceitual, que trata aquilo que chama de "coisas" como objetos separados entre si e separados de nós, sujeitos.
O conjunto dessas coisas aparentemente isoladas forma o que denominamos realidade. A realidade, porém, não é algo "fora", ela é um todo perceptivo e somente desse modo se apresenta a nós.
A realidade é um complexo perceptivo e um estado de consciência que espelha, não um "agora" externo, mas os fatos exteriores que nos impressionam somados à condição de perceber e compreender estes fatos de uma forma específica.
Embora possa parecer, não é tudo construção da mente, pois existe algo além do que pensamos. Nosso pensamento no entanto tem limites e é preferencialmente linear, processando os complexos perceptivos como se se tratasse de uma sucessão no tempo. Q
uando esses complexos perceptivos são observados como fenõmenos separados do observador, elas são incompletas, não apenas porque não consideram a sua condição de perceber e compreender, mas porque criam uma cisão ilusória entre sujeito e objeto, dentro e fora. E a ciência que observa a realidade como mero fenômeno (objeto, fora) só pode ser uma ciência incompleta e autolimitante.

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