
Monet, O jardim da casa em Argenteuil, 1873

Renoir, Monet pintando em seu jardim em Argenteuil, 1873
A relação entre o observador e o fato observado é uma antiga questão epistemológica.
Durante muito tempo, ninguém duvidava de que o observador e o fato observado fossem duas entidades distintas, sujeito e objeto imiscíveis. Era possível olhar o movimento dos planetas e sentir-se à parte, alheio. Nem os planetas sofriam nossa influência e nem éramos por eles influenciados. A astrologia, por isso mesmo, foi considerada por aqueles dotados de "mentalidade científica" uma fantasia sem nenhuma chance de comprovação.
Mas talvez as coisas não sejam tão simples assim. Um olhar mais atento, de um cientista sem preconceitos, poderia revelar a precipitação de tal julgamento.
Objeto sobre o sujeito
Stanislav Grof, em Psicologia do futuro, dedica todo um capítulo à influência da astrologia de trânsitos sobre a psique. Escreve ele: Temos explorado em conjunto, há vários anos, as correlações astrológicas de experiências místicas, crises psicoespirituais, episódios psicóticos, estados psicodélicos e sessões de respiração holotrópica. Este trabalho mostrou que a astrologia, em particular o estudo dos trânsitos planetários, pode prever tanto o conteúdo arquetípico quanto a época dos estados holotrópicos de consciência. (!) O poder preditivo é um dos principais atributos das teorias científicas, o quanto elas nos permitem antecipar fenômenos.
A visão mecanicista, que prevaleceu na ciência ocidental pós-Iluminismo, retrata o Universo como uma imensa máquina inanimada e o homem como um ser à parte, que o estuda e controla. Contudo se nossos estados interiores mudam com o movimento dos planetas, o que por sua vez influencia nossas percepções e julgamentos...
Sujeito sobre o objeto
Niels Bohr, físico dinamarquês, enunciou o chamado Princípio da Complementaridade, segundo o qual as características de onda ou partícula de um elétron nunca se manifestam ao mesmo tempo. Num experimento onde o elétron se comporta como onda, jamais o veremos agir como partícula. Mas aqui surge a necessidade de entender o papel do observador na mecânica quântica, pois trata-se de um papel ativo, enquanto na física clássica esse papel era passivo. No caso do elétron, o fato de observar o fenômeno altera seu comportamento, o que leva a considerar o observador como um sistema que interage com o objeto observado.
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