Certo professor entregou as folhas de prova informando que, quanto mais escrevêssemos, mais ele tiraria pontos.
Não resisti. Tive que perguntar:
— Então, quem entregar a prova em branco vai tirar a nota máxima?
***
Outro dia, depois de trabalhar o dia todo, cheguei a casa e o Pedro, meu filho adolescente, estava deitado no sofá, diante da TV. Primeiro, pediu que eu preparasse um chocolate; em seguida, um lanche. Eu disse que não era aceitável. Cansada como estava, por que eu deveria fazer algo pra ele, se ele não estava fazendo nada? Disse a ele que, a partir daquele momento, só atenderia aos pedidos aceitáveis.
Ele então perguntou pra mim quais eram os pedidos inaceitáveis.
Esperto!...
O que ele pretendia? Ah! Que quando eu me recusasse a fazer qualquer uma das infinitas coisas que ele pediria e provavelmente eu teria esquecido de listar, ele poderia me dizer que aquilo não estava entre os pedidos inaceitáveis e, portanto, eu tinha que atender...
***
Lógica. É tão sutil e fascinante.
Se meu filho perguntasse pela lista de pedidos aceitáveis, inúmeras coisas que ele costuma pedir ficariam de fora. Mas ele tentou me fazer cair na armadilha, perguntando o que eu não estava disposta a fazer, porque eu provavelmente esqueceria de citar zilhões de coisas...
Quanto ao professor, ele se corrigiu em seguida, mas não sem reconhecer que fiz uma inferência válida.
Isso serve pra lembrar de prestar muita atenção ao que se ouve... e igualmente ao que se fala...
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